3º dia de rosa para Afonso Eulálio e pela frente há uma etapa de média montanha que certamente estará marcada no livro de prova por vários ciclistas, quem teremos a levantar os braços amanhã?
Percurso
A tão características etapa dos muros do Giro! Os primeiros 95 kms serão o aquecimento para o prato principal, tudo começando com a subida de Montefiore d’Aso (9,9 kms a 3,6%), seguindo-se Monterubbiano (4,7 kms a 5,8%). As subidas categorizadas têm uma pausa mas desenganem-se que saem do perfil, pois ainda há uma colina em Fermo (3,3 kms a 4,9%) e o Km Red Bull no topo do Muro del Ferro (540 metros a 11,1%).
Nesse ponto, restam 25 kms para a meta e duas subidas nos derradeiros 10 kms. Primeiro Capodarco (2,5 kms a 6%, com os últimos 880 meetros a 7,8%) e, para terminar, a escalada final para a meta em Fermo. O Muro di Via Reputolo (770 metros a 13,5% e rampas a 22%) faz parte da subida final com 3,7 kms a 5,7%. A 1700 metros do fim há 1000 metros a 6,4%, antes dos derradeiros 700 metros a 3,8%.
Tácticas
Analisando o estado da corrida, o conjunto de ciclistas que temos presente e o histórico neste tipo de etapas creio que amanhã será um bom dia para a fuga a menos que a Visma e a Red Bull tenham outras ideias. Para já descarto completamente a ideia de um sprinter ganhar, a parte final é dura demais para sprinters como Milan, Magnier ou Groenewegen. Uma hipótese seria a Movistar controlar a corrida como fez recentemente para Aular ou a NSN para Strong, o problema é que pode sair o tiro pela culatra com um Narvaez ou um Ben Turner presentes e se houver ataques da geral duvido que mesmo Aular ou Strong consigam seguir nestes muros tão inclinados.
Resta portanto saber se as equipas da geral têm ideias para amanhã, não tanto para a etapa, mas que pode gerar uma vitória parcial se a escapada demorar muito tempo a formar. Hoje Felix Gall mostrou ser alguém a ter em conta nas montanhas longas, isso já se sabia sobre o austríaco, só que etapas explosivas como a de amanhã continuam a ser o seu calcanhar de Aquiles e a Visma com Vingegaard e a Red Bull com Hindley e Pellizzari podem cheirar sangue visto que são ciclistas explosivos com equipas capazes de controlar a corrida e aproveitar um posicionamento fraco ou débeis capacidades do austríaco na descida.
Em relação ao histórico, na primeira etapa de média montanha após uma chegada em alto no ano passado aconteceu precisamente uma fuga grande com vitória de Luke Plapp. Mais alguns factores a considerar, a boa exibição de Afonso Eulálio hoje afastou ainda mais muitos ciclistas na geral, isto quer dizer que há menos ciclistas que ameaçam a liderança da Bahrain e eu acho que a Visma não quer Vingegaard na liderança antes do contra-relógio porque assim o dinamarquês pode correr com o fato aerodinâmico da equipa e não com o fato de líder, e por isso a equipa pode não querer atacar amanhã. Sendo assim, julgo que a fuga tem 70% a 80% de hipóteses de resultar amanhã.
Favoritos
Filippo Zana – Cumpre muitos dos requisitos para estar nesta categoria. Sobe bem, especialmente em subidas curtas, é explosivo e tem uma boa ponta final, está a fazer uma bela temporada, com diversos top 10, inclusivamente 2 top 15 nas Ardenas
Florian Stork – Desde meio de Abril o alemão somou 4 top 10’s na preparação para este Giro e entrou em grande na Bulgaria ao fazer 2º na 2ª etapa. Amanhã vai ser outra boa oportunidade para ele, no entanto a benção de ter um bom sprint pode ser uma maldição porque podem não querer trabalhar com ele.
Outsiders
António Morgado – Início de Giro para esquecer para a UAE que mesmo assim já conta com 2 vitórias em etapa. António Morgado tem plena liberdade para perseguir os seus objectivos e como já se viu este ano o português já muito melhor na média montanha do que na alta montanha. Uma etapa curta, com várias colinas curtas e inclinadas está dentro daquilo que ele gosta, em Nápoles planeava disputar o sprint quando ficou envolvido na queda.
Michael Valgren – O dinamarquês teve a carreira em perigo, voltou a um nível bastante aceitável na EF e este ano inclusivamente ganhou no Tirreno-Adriatico, também através de uma fuga, a etapa era em tudo parecida a esta e sem líder na geral para proteger terá a liberdade necessária.
Giulio Pellizzari – Dentro dos ciclistas que correm para a classificação geral é aquele que mais gosta destes finais devido à sua capacidade explosiva, hoje foi longe demais, ainda está em processo de aprendizagem e talvez com isso volte a colocar mais os pés no chão.
Possíveis surpresas
Gianmarco Garofoli – Combativo ciclista da casa que ainda não tem nenhuma vitória como profissional apesar de ter estado várias vezes bastante perto disso. No ano passado no Giro, este ano também já esteve em fugas no Giro, foi 2º no Giro di Sardegna, Garofoli precisa de ser mais frio e astuto em certos momentos.
Jhonatan Narvaez – No papel é um percurso perfeito para o equatoriano, resta saber se está com ideias de ir para a fuga e mesmo que vá pode ser muito marcado pelos rivais e desviar a atenção para António Morgado, quem sabe.
Javier Romo – Fez um bom Tirreno-Adriatico, uma excelente Vuelta ao País Basco e até agora ainda não esteve em evidência, amanhã pode ser dia para o espanhol ajudar a equipa a esquecer um dia menos bom em que ficou com Enric Mas muito longe na geral.
Andrea Raccagni – Uma das revelações da temporada, foi 6º no Tour Down Under, estava a fazer um Giro irrepreensível até hoje, considero que só perdeu tanto tempo para ter liberdade de entrar na fuga amanhã e depois de amanhã, porque se estivesse perto na geral não teria essa liberdade.
Diego Ulissi – Se fosse o Ulissi de há 10 anos esta era uma jornada para a Astana tentar controlar de início ao fim, o italiano era temível nestes finais, hoje em dia certamente irá tentar da fuga e com a sua experiência e ainda razoável condição física tem hipóteses sendo que a Astana corre sem pressão depois de ter ganho já 2 etapas.
Magnus Sheffield – Com Filippo Ganna concentrado no contra-relógio, Bernal e Arensman ainda muito perto na geral e Turner uma possibilidade para o sprint, poderá caber ao polivalente e talentoso norte-americano ir para a frente da corrida cobrindo todos os cenários para a Ineos.
Victor Campenaerts – A minha dúvida é se terá o aval da equipa para ir para a frente, o que eu duvido, porque teria boas hipóteses. Poderá ter essa liberdade no contra-relógio.
Andreas Leknessund – Um poço de força que gosta deste tipo de percursos. É alguém com instinto matador, por vezes demasiado colaborativo em fugas, mas com ambição e que está a fazer uma bela temporada. Já tem 7 vitórias na carreira, tem o que é preciso para levantar os braços.
Jonas Vingegaard – Isto é num cenário remoto da etapa ser tremendamente atacada, o dinamarquês tem um sprint relativamente fraco no plano, mas bastante competente em subida.
Giulio Ciccone – A subida de hoje demonstra que está em boa forma e com ambição de um bom resultado na geral, ainda ponderei a Lidl-Trek poder controlar a etapa para ele, mas não tem equipa para isso e obrigaria Derek Gee a trabalhar, se a vitória acontecer é consequência do trabalho de outras equipas.
Super-Jokers
Os nossos Super-Jokers são: Jan Christen e Alberto Bettiol