Alpecin-Premier Tech

A equipa neerlandesa costuma ser fiel à sua filosofia e mantém o padrão dos últimos anos. Kaden Groves é o grande líder, o australiano é um ciclista muito certinho, raramente falha no entanto 2026 está longe de ser um ano positivo, veremos se se consegue redimir na Vuelta onde já leva 7 vitórias em etapas. Não seria de estranhar ver Sente Sentjens a ter algumas oportunidades nas etapas mais planas e Francesco Busatto nos finais mais duros, onde não esteja nenhum dos nomes já referidos. Gal Glivar e Lindsay de Vylder serão peças importantes no comboio.

Longe de ser uma equipa talhada para a montanha, Ramses Debruyne continua a evoluir dentro da equipa. Tem-se tornado um trepador cada vez mais competente e estava a fazer um bom Tour até abandonar. Com menos pressão na Vuelta, pode conseguir um bom resultado. Na média montanha, Michael Gogl e Hugo Houle são melhores cartas que o belga.

Previsão: Kaden Groves não está tão certeiro como noutras temporadas e não vai conseguir o objetivo, vai sair de mãos a abanar e a Alpecin-Premier Tech vai falhar.



Bahrain – Victorious

Última Vuelta da carreira de Pello Bilbao, o sempre fiável basco parte com a ambição de vencer uma etapa, numa temporada que começou bem mas tem estado mais discreta. Apesar de tudo isto, Bilbao sabe muito de ciclismo, uma das raposas velhas. Para além da liberdade, será o braço direito de Santiago Buitrago, a aposta da equipa para a geral. O colombiano tem tido uma temporada marcada por azares, apenas foi 7º no Tirreno-Adriático, e quer sair a bem da Bahrain, o top-10 é um resultado possível.

O bloco de montanha é bastante sólido, com Attila Valter a trazer experiência e Jakob Omrzel e Roman Ermakov a irreverência da juventude. Muita expectativa em ver Omrzel na estreia em Grandes Voltas, um dos grandes talentos da sua geração. Mathijs Paasschens será um ciclista para fazer um pouco de tudo, também essencial nos sprints, na ajuda a Pau Miquel e Matevz Govekar, o primeiro para as chegadas mais duras e o segundo para os sprints mais planos.

Previsão: Santiago Buitrago vai salvar a temporada com o top-10 final na Vuelta. Pello Bilbao será um dos grandes animadores na montanha mas não vai conseguir vencer. Alguns top-10 para Pau Miquel.

 

Burgos Burpellet BH

A equipa espanhola parte com o objetivo de vencer uma etapa, algo que já não faz há algumas edições. Jesus Herrada é o principal nome da equipa, o espanhol já tem 36 anos, não é o mesmo de outros tempos, mas continua a ser um ciclista perigoso nas etapas de média montanha, basta estar na fuga certa. José Manuel Diaz, Mario Aparicio, José Luis Faura e Sergio Chumil são os principais trepadores da equipa, são ciclistas competentes para o circuito europeu mas na Vuelta o nível é outro. Pela explosão que apresenta, destacamos Chumil mas se tivessemos de apostar num nome para se destacar seria Aparicio.

César Macías é o jovem sprinter de serviço, o mexicano é um ciclista muito rápido e estreia-se em Grandes Voltas, ganhar experiência é o ponto principal. Clement Alleno e Sinuhé Fernández devem aparecer nas fugas dos primeiros dias.

Previsão: Muitas fugas ao longo das 3 semanas e alguns top-10 pelo caminho.

 

Cofidis

Uma equipa que tem muita tradição na Vuelta. Emanuel Buchmann é o principal trepador da equipa mas já não vemos o alemão com capacidade para discutir classificações gerais, desde que chegou à Cofidis tem estado muito longe disso. Sergio Samitier já fez algumas Vueltas, é um trepador competente, mas neste bloco talvez Sylvain Moniquet seja a grande esperança, um ciclista mais talhado para finais explosivos que passa bem a montanha.

Bryan Coquard é o nome para o sprint, o francês até começou bem a temporada com duas vitórias mas tem estado muito discreto desde aí, não esperamos grandes melhorias. Nem nos admirávamos se Alexis Renard acabasse por ser um ciclista mais regular, é alguém que se posiciona bastante melhor que Coquard e isso é fundamental. Alex Kirsch será a peça principal do comboio, um corredor muito experiente. Paul Ourselin e Louis Rolland estão encarregues de mostrar a camisola da equipa nas etapas mais planas em fugas.

Previsão: Bryan Coquard e Alexis Renard são os grandes nomes e vão conseguir alguns top-10 mas não irão vencer. Na montanha, a combatividade estará presente.

 

Decathlon CMA CGM Team

Após o brilharete do Giro onde foi 2º na geral, Felix Gall volta a apontar alto na classificação geral. Vindo de ganhar e convencer na Vuelta a Burgos, o austríaco chega motivado para conseguir mais um excelente resultado e melhorar o 8º lugar de 2025. A equipa vem totalmente focada em sim, é um sinal de grande confiança no austríaco!

Gregor Muhlberger o seu braço-direito, o também austríaco está a realizar uma grande temporada e foi o grande gregário no Giro, esperamos mais do mesmo. Matthew Riccitello vem de apoiar Paul Seixas no Tour e vai fazer o mesmo com Gall aqui, com Jordan Labrosse, Callum Scotson e Léo Bisiaux a serem os restantes gregários na montanha, 3 ciclistas muito competentes, especialmente o jovem Bisiaux. Para a proteção nas etapas planas, o trabalho estará encarregue a Oscar Chamberlain e Sander de Pestel, dois ciclistas muito possantes.

Previsão: Felix Gall vai voltar a subir ao pódio de uma Grande Volta, terminando a Vuelta em 2º.



EF Education – EasyPost

Vindo de uma brilhante Volta a França, Richard Carapaz chega super motivado para mais um grande resultado, ele que já foi 2º e 4º em 2020 e 2024 respetivamente. Inicialmente o pódio seria o objetivo mas o equatoriano já se veio desmarcar, no entanto não acreditamos muito, o bloco de montanha aqui é competente e a Vuelta traz menos pressão que o Tour.

Georg Steinhauser esteve uns furos abaixo no Tour, por vezes os ciclistas rendem melhor nas 2ª Grandes Voltas da temporada, o alemão é um trepador talentoso. Markel Beloki está a ter uma temporada muita boa, andou bem na primeira metade do Giro, antes de acusar o cansaço, e vem de ganhar o Tour de l’Ain. Darren Rafferty, James Shaw e Juan Filipe Rodriguez completam o bloco de montanha/terreno acidentado. Depois há Vincenzo Albanese para os sprints, preferencialmente nos dias mais acidentados, terá o apoio do jovem Alastair Mackellar.

Previsão: Richard Carapaz vai aproveitar o grande momento que traz do Tour e vai conseguir voar nas estradas espanholas, terminando a Vuelta em 3º.

 

Equipo Kern Pharma

Quem sabe se esta não é a última Vuelta a Espanha da equipa espanhola. Ainda em 2024 venceram 3 etapas mas longe vão essas alegrias. A formação é bastante sólida e pode voltar a surpreender. Dessa Vuelta ainda há Urko Berrade, o espanhol venceu uma etapa, está longe de ser um ciclista regular mas nos seus melhores dias é alguém muito perigoso na montanha. Ivan Ramiro Sosa encaixa, ainda melhor, nesta descrição. O colombiano tem mais experiência World Tour, é ainda mais talhado para a alta montanha mas é capaz do 8 ou 80. Ibon Ruiz deu um salto qualitativo importante em 2026, veremos se confirma as suas capacidades de trepadores nesta Vuelta.

Ivan Cobo é um nome interessante para a média montanha, um ciclista relativamente rápido em grupos restritos, um pouco à semelhança do jovem luxemburguês Mats Wenzel. Diego Uriarte e Iñigo Elosegui são dois ciclistas muito combativos, devem aparecer em muitas fugas. Por fim, para os sprints a equipa vem com Marc Brustenga, alguém que não precisa de muito apoio e consegue desenrascar-se sozinho, deve conseguir alguns top-10, à semelhança do que tem sido a temporada.

Previsão: Muita combatividade no regresso à Vuelta e alguns top-10 com Berrade, Sosa e Brustenga.

 

Groupama – FDJ United

Tem sido uma temporada muito discreta por parte dos comandados de Marc Madiot, será que se conseguem redimir na Vuelta? O foco é em vencer etapas, não vemos Guillaume Martin a lutar pela geral, o francês já não parece ter capacidade para isso e mesmo nas fugas que esteve no Tour descolou sempre cedo. Clément Berthet é uma opção mais válida, o francês está a andar bem e é um corredor muito combativo. Remy Rochas anda sempre bem na Vuelta mas há sempre alguém mais forte, Rudy Molard já não está no seu melhor mas continua a ser um perigo nos dias de média montanha.

E o que esperar de Valentin Madouas? De saída de Groupama-FDJ, o francês quererá deixar uma boa imagem num 2026 que está a ser muito fraco. Ainda sem top-10 na temporada, é difícil de fazer pior, veremos se encontra a sua melhor versão. Bastien Tronchon é a aposta para os sprints, o francês gosta de finais mais duros, é onde brilha no calendário francês. Enzo Paleni e Olivier le Gac são dois bons roladores, podem ajudar no posicionamento.

Previsão: Clément Berthet é um corredor combativo e vai ser o principal ativo da equipa nas etapas de montanha e ao longo da Vuelta mas o elenco é fraco e não vai dar para mais.

Lidl – Trek

Mais uma equipaça da Lidl-Trek para Grandes Voltas! Mattias Skjelmose vem de ser 6º no Tour e vai tentar melhorar o 5º lugar da Vuelta de 2024. Nunca vimos o dinamarquês a ser tão consistente e a subir tão bem, estará mais motivado do que nunca, vai tentar garantir um lugar ainda mais acima na hierarquia da equipa. O bloco de montanha é competente, Julien Bernard, Patrick Konrad e Lennard Kamna são ciclistas que dão tudo em prol dos seus líderes. Numa equipa como esta, também terão as suas oportunidades, muito cuidado com Kamna se estiver nas melhores condições físicas.

Vindo de um brilharete no Tour, Mads Pedersen vai tentar vencer etapas na Vuelta, onde já foi feliz em 2022 e 2025. Será que também vai apostar na camisola verde ou com esse objetivo alcançado vai correr com menos pressão? Pedersen é um animal competitivo, esperamos mais uma grande exibição. Thibau Nys esteve em dúvida devido a problemas de saúde, estando bem é um corredor perigoso para os finais mais complicados, pode formar uma dupla perigosa com Pedersen. Jacopo Mosca e Mathias Norsgaard serão ciclistas de muito trabalho.

Previsão: O grande momento do Tour vai continuar e Mattias Skjelmose vai finalizar a Vuelta no top-10, mais um grande resultado. Mads Pedersen vai vencer uma etapa.



Lotto Intermarché

A formação belga tem tido muito azar nas Grandes Voltas, será que a sorte vai mudar? Com uma equipa mais jovem e inexperiente, Lorenzo Rota é o nome mais sonante. Apesar de tudo, o italiano está longe de ser o ciclista mais fiável, as últimas temporadas têm sido uma desgraça. Jarno Widar estreia-se em Grandes Voltas, o jovem belga é um talento incrível, vem de boas exibições na Vuelta a Burgos mas também é alguém propenso a problemas de saúde. Se estiver bem fisicamente, é um perigo nas etapas de montanha. Lars Craps e Reuben Thompson são os restantes trepadores da equipa.

  • Para o sprint, as apostas também são muitas. Steffen de Schuyteneer é o sprinter puro, um corredor mais possante, mas alguém que também perde muito facilmente o comboio, será importante ganhar experiência. Vito Braet é mais fiável, posiciona-se melhor e até passa bem as pequenas dificuldades. Luca van Boven e Roel van Sintmaartensdijk serão os primeiros elementos do comboio.

Previsão: Se escapar aos problemas de saúde, Jarno Widar pode ser um perigo nas etapas de média montanha. Vamos dar um voto de confiança o jovem belga que vai estrear o seu palmarés profissional.

 

Movistar Team

A aposta na Grande Volta caseira é grande! Enric Mas mostrou uma melhor versão em Burgos, foi 5º, mas tem de estar muito melhor do que apresentou no Giro. Desde 2018, em 6 participações na Vuelta nunca fez pior que 6º. Cian Uijtdebroeks também se junta ao elenco, o belga vinha a fazer uma excelente temporada, adoeceu no início do Tour e foi forçado a abandonar. Quererá mostrar que é um líder de confiança para Eusebio Unzué, estava no caminho certo até Julho.

A equipa espanhola costuma dar muita liberdade aos seus ciclistas, Pablo Castrillo e Raul Garcia Pierna já foram destaques na Volta a França, a correr em casa ainda devem ser mais, acredito que estejam mais bem posicionados para vencer uma etapa de média montanha. A estes também se junta Iván Romeo, um perigo ainda maior que fez uma Volta a Polónia de bom nível (foi 3º), mostrando estar recuperado da lesão que o retirou do Tour. Orluis Aular deve ser a principal aposta para os sprints, o venezuelano é um ciclista muito regular, quando não estiver presente Carlos Canal é uma alternativa muito válida. Jorge Arcas completa o elenco da Telefónica.

Previsão: Esperamos uma versão muito agressiva da equipa espanhola. A correr em casa, Enric Mas e Cian Uijtdebroeks vão terminar no top-10 final. Ivan Romeo vai vencer uma etapa.

 

Netcompany INEOS Cycling Team

Após falhar o Tour de France devido a lesão, Oscar Onley é a grande aposta da equipa em busca de um bom lugar na geral. Os problemas físicos já parecem ultrapassados, venceu uma etapa e foi 2º em Burgos, chega confiante para conseguir o pódio numa Grande Volta pela primeira vez na carreira. Carlos Rodriguez está uma sombra de si próprio, duvidamos muito que venha a ser aposta para a geral, e mesmo para ser apoio de Onley tem de subir o nível. Os experientes Jack Haig e Lucas Hamilton cumprem sempre o seu papel, num bloco de montanha que ainda tem o jovem Embret Svestad-Bardseng, 8º na recente Volta à Chéquia.

Joshua Tarling é a aposta para os dois contra-relógios da Vuelta e irá dar uma grande ajuda na preparação do sprint. Ben Turner será o homem rápido nas chegadas planas, o britânico saltou para a ribalta na Vuelta do ano passado e procura regressar à melhor forma, ainda não conseguiu vencer em 2026. Axel Laurance será mais guardado para as etapas de média montanha, é um ciclista muito rápido em grupos restritos e gosta das chegadas em pequenos topos.

Previsão: Os problemas de saúde estão ultrapassados, Oscar Onley vai ser uma das figuras da Vuelta, terminando no top-5 e vencendo a classificação da juventude. Joshua Tarling para vencer uma etapa em memória do seu irmão, com Axel Laurance a conquistar outra.

 

NSN Cycling Team

A aposta é clara: vencer etapas. A maioria dos ciclistas vem talhado para as etapas de média e alta montanha. George Bennett, Jan Hirt e Alexey Lutsenko são os ciclistas a apostar nas etapas de maior dificuldade, especialmente Hirt que, mesmo veterano, continua a ser um trepador perigoso nos dias mais duros e ainda este ano foi 12º no Giro.

Nick Schultz, se não tiver azares e recuperar a forma de outros tempos, é perigoso nos dias a fazer lembrar clásssicas, com Moritz Kretschy e Pau Martí a serem apoios importantes. Martí é conhecido dos protuguês, lembram-se dele na Volta a Portugal do ano passado onde foi um dos destaques ao vencer uma etapa?

Hugo Hofstetter é a aposta para o sprint, longe de ser um velocista puro, mas com este leque de ciclistas é capaz de estar na discussão, um corredor sempre muito regular. Floris Van Tricht será o seu apoio na aproximação às chegadas.

Previsão: Um elenco alternativo, com Jan Hirt a andar perto do top-10 final e alguns top-10 ao longo das 3 semanas mas nada mais que isso.



Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team

Terceira Grande Volta da temporada para a ProTeam helvética. Noutros tempos, David de la Cruz e Eddie Dunbar eram apostas válidas para o top-10 da geral, no entanto agora são dois ciclistas apontados às fugas nas etapas de montanha, dois corredores muito experientes que não estão a ter a melhor das temporadas. Milan Vader e Thomas Gloag são os restantes trepadores da equipa, estamos curiosos para ver Gloag com liberdade, finalmente deixou as lesões para trás e, a espaços, tem conseguido bons resultados, como 11º na Volta ao Algarve.

Xabier Mikel Azparren foi uma surpresa no Tour, um dos principais gregários de Pidcock, é alguém a ter em conta nas etapas de montanha se estiver a subir tão bem como em Julho. Walter Calzoni será a aposta para os finais mais explosivos, onde pode fazer uma dupla perigosa com o campeão espanhol Marcel Camprubì, deu um salto de qualidade incrível em 2026. David González é a esperança nos sprints mais planos, o top-10 já seria positivo.

Previsão: Sem Pidcock, a equipa fica mais desfalcada. Top-10 em algumas etapas, com Marcel Camprubì a ser o principal destaque, voando com a camisola de campeão espanhol.

 

Red Bull – BORA – hansgrohe

Primoz Roglic partia com o objetivo de vencer a Vuelta pela 5ª vez na carreira mas um acidente no início de Agosto resfriou as expectativas. O esloveno está presente mas já afirmou que vem para vencer etapas, esquecendo a geral. Será bluff? É um dos corredores mais bem sucedidos da competição! Ainda na montanha, Luke Tuckwell é um corredor a ter debaixo de olho, 2º no Dauphine, estreia-se em Grandes Voltas, pode ser uma agradável surpresa. Frederik Wandahl é o outro jovem trepador de serviço.

Finn Fisher-Black vem de ser 2º na Volta a Polónia, com alguns finais mais complicados, o neozelandês é um ciclista a ter debaixo de olho, ainda para mais numa equipa sem ambições para a geral. Depois há a aposta no sprint. Jordi Meeus é uma adição de última hora, o belga não esteve bem na Polónia mas está a ter uma temporada muito forte e com este leque de sprinters é dos melhores à partida. Gianni Vermeersch será o seu lançador, um dos melhores do pelotão, com Gianni Moscon e Callum Thornley a trabalharem na aproximação à chegada.

Previsão: Primoz Roglic chega cheio de dúvidas mas vai melhorar com o passar dos dias e vai terminar a Vuelta no top-10. Jordi Meeus é um dos principais sprinters da prova e vai vencer duas etapas.

 

Soudal Quick-Step

Mikel Landa é o grande nome da equipa belga mas não podemos esperar muito do basco na despedida da Soudal, tem tido uma temporada muito discreta. Para a montanha, Valentin Paret-Peintre é uma aposta mais certeira, foi um dos grandes combativos do Tour, veremos se conseguiu recuperar toda a energia, e estar na luta por etapas. Filippo Zana e Gianmarco Garofoli são outros nomes sólidos, na Vuelta ciclistas menos conhecidos costumam brilhar, pode chegar o momento dos italianos. Mauri Vansevenant é uma adição de última hora, mais um corredor muito combativo, mais talhado para a média montanha.

Alberto Dainese foi uma das principais contratações de 2026 e tem estado completamente ao lado. Para um sprinter na Soudal ainda não ter vitórias é um fracasso total, mas também sabemos que Dainese é daqueles que pode aparecer quando menos se espera. Fabio van den Bossche será o seu lançador, num comboio que também conta com Ethan Hayter, alguém que também pode brilhar no contra-relógio.

Previsão: Com Paret-Peintre e Landa esperem muita combatividade e muitos ataques nas etapas de montanha, quem sabe até lutando pela classificação. Vão tentar de tudo para vencer uma etapa mas não vão conseguir.

 

Team Jayco AlUla

Uma equipa mais inexperiente, muitas vezes a Vuelta é aproveitada neste sentido, com 5 ciclistas a fazerem a estreia. Paul Double tem uma oportunidade de ouro, é o principal trepador da equipa, um atleta que se adapta bem à média montanha e gosta de finais mais explosivos. Para a montanha mais longa, Koen Bouwman e Finlay Pickering são opções mais credíveis, dois ciclistas que gostam de subidas mais longas, especialmente Pickering, foi na Vuelta do ano passado que começou a dar nas vistas no ciclismo mundial.

De que será capaz Alessandro Covi? Se mostrar alguns laivos dos tempos da UAE Team Emirates pode conseguir estar na disputa nos dias de média montanha, o problema é que tem sido uma temporada para esquecer. Jasha Sutterling é o nome mais experiente, será o capitão na estrada e pode tentar nas fugas das etapas mais acessíveis. Asbjorn Hellemose, Hamish McKenzie e Rudy Porter são 3 dos estreantes, vêm para ganhar experiência.

Previsão: Com um elenco destes não se pode pedir muito, vão sair de mãos a abanar.

 

Team Picnic PostNL

O que dissemos no Giro e no Tour repete-se aqui, a temporada está a ser horrível e não esperamos melhorias, seria preciso um pequeno milagre. Entre os oitos elementos escolhidos, não vemos ninguém a conseguir dar luta. Juan Guillermo Martinez, Mattia Gaffuri e Gijs Leemreize são os trepadores da equipa mas numa fuga terão muita dificuldade em destacar-se, nem têm qualidade suficiente para tal.

Timo de Jong, Timo Roosen e Henri-François Renard-Haquin são os homens rápidos mas é claro que não conseguem ombrear com os principais sprinters presentes, talvez Renard-Haquin possa tentar numa fuga de média montanha. Mattia Gaffuri e Oliver Peace completam o elenco da equipa neerlandesa.

Previsão: Mais uma Grande Volta para esquecer, vamos chegar ao fim da Vuelta e ter que pensar bastante para nos lembrarmos da equipa.

 

Team Visma | Lease a Bike

Que equipaça da formação neerlandesa, esperamos que seja das mais ativas ao longo das 3 semanas! Wout van Aert falhou o Tour devido a lesão, voltou na Dinamarca onde venceu 3 etapas e a geral, mostrando-se pronto para brilhar na Vuelta, uma prova onde tem contas a ajustar depois de ter sido forçado a abandonar em 2024. É de esperar uma grande versão de Van Aert. Entre sprints, montanha e contra-relógio, o belga vai fazer de tudo e também será peça importante no sprint de Matthew Brennan. O jovem britânico estreia-se em Grandes Voltas e tem um comboio de luxo no seu apoio, não deverá sair de mãos a abanar.

Christophe Laporte seria líder numa outra equipa, aqui deverá estar no apoio a Van Aert e a Brennan mas também deverá ter liberdade em fugas nas etapas mais acidentadas. Sepp Kuss parte para a 3ª Grande Volta do ano, após vencer no Giro e ter estado perto no Tour, quererá vencer na Vuelta, uma prova especial para si. Para a geral, a aposta deverá recair em Jorgen Nordhagen e Ben Tulett, dois ciclistas ainda jovens que têm de aproveitar estas oportunidades para começar a evoluir enquanto ciclistas numa Visma que precisa de novos líderes. Bruno Armirail e Steven Kruikswijk são a experiência necessária para o bloco de montanha, dois atletas de muita confiança.

Previsão: Têm tudo para brilhar nas próximas 3 semanas. Jorgen Nordhagen e Ben Tulett podem não conseguir o top-10 final mas Wout van Aert e Matthew Brennan vão formar uma dupla terrível. Van Aert vai conquistar 3 etapas e a classificação por pontos, Brennan vai vencer por 2 vezes.



Tudor Pro Cycling Team

    A equipa suíça vem motivada depois de vencer a Volta a Polónia com Marco Brenner. O jovem alemão é uma das figuras da equipa e vai tentar aproveitar este momento de forma, pelo menos, nas duas primeiras semanas nos finais mais explosivos, principalmente em fugas. Will Barta é sempre um ciclista combativo neste tipo de provas, com Larry Warbasse e Hannes Wilksch podem ser ajudas importantes para Brenner e, também, tentar a sorte nas etapas de montanha.

A vitória no contra-relógio da Volta a Polónia tirou muita pressão a Stefan Kung, o suíço chega com menos pressão e isso pode significar melhores resultados. Não esquecer que Kung é muito mais que um contra-relogista, também se adapta às etapas estilo clássicas. Arthur Kluckers, Roland Thalmann e Fabian Weiss são três bons roladores, serão essencialmente gregários ao longo das 3 semanas de competição.

Previsão: Marco Brenner vai aproveitar o grande momento de forma em que chega e vai vencer uma etapa. Stefan Kung vai andar perto nos contra-relógios.

 

UAE Team Emirates – XRG

    7 anos depois Tadej Pogacar regressa à Vuelta com o objetivo claro de completar a trilogia de Grandes Voltas. Após vencer o Tour de France, o campeão do Mundo é o claro favorito a vencer a competição espanhola e a vencer, quem sabe, uma mão cheia de etapas. João Almeida era, desde o início de 2026, o principal líder, será, agora, o principal gregário. Abandonou na Polónia devido a queda, está a ter uma temporada muito azarada, veremos se reencontra a melhor versão. Mesmo em prol de Pogacar, pode, muito bem, terminar nos primeiros lugares da geral e, quem sabe, o pódio.

Estamos muito curiosos para ver o que pode fazer o jovem Pablo Torres, é um talento bruto que a UAE Team Emirates está a lapidar e, numa Vuelta com menos pressão, pode ser um dos destaques do comboio de montanha. A experiência está garantida com Jay Vine e Pavel Sivakov, com Kevin Vermaerke a completar um sólido bloco de montanha, são 3 ciclistas que podem destruir o pelotão com ritmos mais altos. Domen Novak já não é o trepador de outrora, será um dos primeiros ciclistas a entrar ao serviço, a par de Ivo Oliveira que tem vindo a preparar a Vuelta ao detalhe, para ser um grande apoio a Pogacar ao longo de 3 semanas.

Previsão: Tadej Pogacar vai conseguir o seu objetivo, e com clara facilidade: vencedor da Vuelta e 4 etapas. João Almeida vai trabalhar muito mas mesmo assim vai conseguir terminar no top-5. Jay Vine vai ter liberdade e numa fuga vai vencer uma etapa, tem uma história incrível com a Vuelta.

 

Uno-X Mobility

Tobias Halland Johannesen está a realizar uma grande temporada, falhou apenas no Tour onde, mesmo assim, foi 12º e foi um dos mais combativos. Veremos se está recuperado de todo esse esforço e vem para apostar na geral ou apenas em vencer etapas, qual seja o cenário será sempre um ciclista perigoso e a ter debaixo de olho.

Andreas Leknessund foi três vezes 2º no Giro, é um perigo nas fugas das etapas de média montanha, não lhe podem dar muito espaço e vai querer corrigir o que falhou na prova italiana. Com a adição de Martin Tjøtta e Simon Dalby, a equipa norueguesa fica com 4 ciclistas perigosos para este terreno. Ainda para a média montanha e etapas estilo clássicas, Andreas Kron é um nome importante, o dinamarquês tanto é capaz de brilhar como passar ao lado da corrida, vem de ser 13º na Polónia, são sinais encorajadores.

Depois de tanta expectativa para o Tour, onde falhou redondamente, veremos se Magnus Cort irá aparecer na última Grande Volta da carreira, é um ciclista que pode aparecer quando menos se espera. Também pode estar na luta pelos sprints, onde Rasmus Tiller é outra opção. Para as fugas dos dias de transição, muito cuidado com Frederik Dversnes, foi assim que venceu no Giro, não lhe podem dar muito espaço.

Previsão: Esta é uma equipa sempre muito combativa e que nunca sai de mãos a abanar. Andreas Leknessund vai, finalmente, conseguir vencer em Grandes Voltas, tal como Tobias Halland Johannesen, são dois ciclistas que já merecem triunfos desta qualidade.



XDS Astana Team

Uma equipa talhada para as fugas e para vencer etapas mas que pode tentar uma graça na geral. Cristian Rodriguez foi deixado de fora do Tour, quando estava a realizar uma grande temporada. De saída da equipa, veremos como responde o espanhol, se tiver motivado, é um nome perigoso para o top-10, formando um tridente interessante com Harold Tejada e Lorenzo Fortunato. Entre estes 3, um deles deve apostar na geral, os restantes vão estar em fugas, são corredores muito combativos.

Victor Langellotti chegou no início do mês e já vai à Vuelta, será que consegue regressar às boas exibições na montanha ou continua com o 2026 discreto? Darren van Bekkum completa o elenco para a montanha, será um ciclista de muito trabalho.

Henok Mulubrhan estreia-se na Vuelta, o eritreu é um ciclista muito completo, gosta daqueles dias mais duros onde consegue usar a sua ponta final, tem feito a carreira em torno destas provas. A Vuelta tem alguns finais desse género, veremos se não surpreende. Para os sprints mais planos, Alessandro Romele é a aposta, um jovem que faz a estreia em Grandes Voltas mas muito talentoso. Yevgeniy Fedorov será o seu lançador, um corredor com experiência neste tipo de andanças.

Previsão: Será uma das equipas animadoras nas etapas de montanha, tem ciclistas que gostam de atacar, e de muito longe. Lorenzo Fortunato vai vencer a classificação da montanha e uma etapa.

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