Regresso das etapas em linha no Giro e com uma difícil etapa de média montanha. Em mais um dia ideal para a fuga triunfar, como se irá comportar Afonso Eulálio?
Percurso
A primeira etapa em linha da segunda semana do Giro arranca de Porcari, um dia com 195 kms, onde os primeiros 100 são relativamente planos. Primeiro 2600 metros a 6,8%, depois 2000 metros a 7% e, por fim, aparecem as contagens de montanha: o Passo del Termine (7,4 kms a 4,9%), seguido do Colle di Guaitarola (9,9 kms a 6,2%). Depois há cerca de 30 kms sem dificuldades, com uma fase de plano e descida que antecede o Colla dei Scioli (5,7 kms a 6,3%, onde os últimos 2,4 kms são a 9,3%).
Lá no alto restam 27 kms, primeiro com 10 kms de descida e depois 4,6 kms a 6,4% até ao Km Red Bull! O topo fica a 12,5 kms do fim, 9 kms em descida, 900 metros a 4,8% na Piazzale Rocca, e para terminar 4 kms muito rápidos até à meta situada em Chiavari.
Táticas
Uma longa etapa de média montanha após o contra-relógio individual, o cenário perfeito para uma fuga vitoriosa. Praticamente 200 kms, nenhuma equipa vai querer controlar durante todo o dia a pensar na vitória, ainda para mais sabendo da dificuldade das subidas, é sempre mais fácil colocar ciclistas na fuga. Para a Bahrain-Victorious será apenas importante ver se não entra ninguém periogoso para a liderança de Afonso Eulálio na escapada, a partir daí a mesma pode ganhar minutos e mais minutos.
Há muitas equipas que ainda não venceram na Volta a Itália e já vamos a meio, têm de começar a arrepiar caminho. Esperamos mais uma luta intensa pela presença na fuga, muitos ataques na fase mais dura e, quem sabe, não teremos a fuga de la fuga a ter sucesso. Se há dia ideal para um grupo muito numeroso fugir e discutir a vitória é este.
Favoritos
Giulio Ciccone – se há ciclista que vai tentar de tudo para estar na frente é o italiano. Perto da vitória no domingo, agora ainda mais atrasado, a liberdade será outra. Neste terreno de média montanha ainda se dá melhor, alguém muito explosivo e que poucos conseguem seguir. Enquanto não cumprir com o objetivo não vai desistir.
Jan Christen – finalmente perdeu tempo suficiente para integrar fugas. Esta é uma boa etapa para o helvético, não pode é desgastar-se em demasia em ataques sem nexo. Já viu a equipa vencer por 3 vezes, conhecendo Christen quererá mostrar serviço e este é o tipo de etapa para o fazer, é muito forte na média montanha.
Outsiders
Lennert van Eetvelt – 8 minutos está no limite para a fuga, não periga Eulálio mas as restantes equipas podem sentir-se ameaçadas. Sem esperar pela alta montanha, o belga tem de se mostrar nestes dias mais duros e sem subidas muito longas, capaz de mostrar a sua capacidade de trepador. Em grupos mais restritos é muito explosivo, tem todas as condições para brilhar.
Jhonatan Narváez – já dispensa apresentações neste Giro. Venceu ao sprint num pelotão reduzido, venceu em fuga após atacar numa subida, qual será o próximo cenário? O equatoriano está em grande forma e pode vencer em diversos cenários de corrida, o que o tornam um perigo ainda maior. Talvez possa estar a correr com a maglia ciclamino no pensamento, é um dia importante.
Alessandro Pinarello – 10 dias de competição podem já começar a pesar nas pernas do jovem italiano por isso tem de aproveitar as chances na média montanha. Vimos, esta temporada, que é neste tipo de subidas que se consegue destacar, veremos é se consegue estar à altura e corresponder aos ataques quando surgirem.
Possíveis surpresas
Filippo Zana – chegou em grande forma mas mal se tem visto. Até agora tem sido um Giro muito sofrível do italiano e se não é na alta montanha que se destaca, tem de ser nestas etapas. Sem nenhum líder para a geral, a Soudal dará o apoio necessário.
Andreas Leknessund – excelente resultado no sábado mas as subidas eram íngremes demais para as suas características. Amanhã o perfil muda um pouco, já é provável que consiga seguir os ataques e, quem sabe, não é ele quem possa antecipá-los.
Javier Romo – numa Movistar afundada na geral, o foco é nas etapas e o espanhol é alguém muito capaz de brilhar nestes dias. Trepador muito competente, sem medo de atacar, esta etapa é a sua cara. Ter Milesi na frente pode ser importante, resta saber se o italiano consegue.
Thomas Silva – após a vitória na etapa 2, já conseguiu um 3º e um 4º, continua a fazer um grande Giro. Se estiver na fuga ninguém vai querer chegar consigo, sabem da sua ponta final, por isso é preciso estar num dia de inspiração total e a subir melhor que nunca.
Christian Scaroni – outra aposta dentro da XDS Astana. O italiano perdeu muito tempo hoje, talvez já pensando nesta etapa. Com Silva pode formar uma dupla perigosa, ambos muito combativos e com excelente ponta final.
Koen Bouwman – longe vão os tempos em que brilhava no Giro mas a Jayco é uma equipa que costuma dar alguma liberdade aos seus ciclistas. Conhece bem este tipo de terreno, a experiência é sempre importante numa fuga de uma Grande Volta.
Michael Valgren – experiência é com o dinamarquês! Rejuvenescido para 2026, os resultados voltaram a aparecer quando menos se esperava. Longe de ser um trepador, terá que antecipar os principais ataques, só assim sabe que consegue aguentar nas subidas e vencer.
Simone Gualdi – já mencionado várias vezes nas nossas antevisões, o ciclista italiano chegou em boa forma e tem-se mostrado competitivo. Competente na média montanha é alguém que pode surpreender por ser menos marcado.
Igor Arrieta – o outro UAE Team Emirates que já venceu, e que vitória! O espanhol mostrou de que é feito, muito combativo e alguém sem medo de atacar de longe. Não lhe podem dar muito espaço.
Wout Poels – longe de ser a etapa ideal para o neerlandês mas tem de aproveitar as oportunidades e a dureza da estrada. Dos mais experientes do
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Edoardo Zambanini e Gianmarco Garofoli.