Dia para a etapa mais longa do Tour deste ano! A montanha está de regresso numa jornada onde a fuga tem grandes hipóteses de ter sucesso. Quem será o mais forte em Belfort?

 

Percurso

De regresso às maratonas, com 205 kms no menu do dia. Partida de Dole para 149 kms planos, uma primeira fase da etapa completamente diferente do que se avizinha. O Col des Croix (5,1 kms a 4,8%) será o aperitivo para o Ballon d’Alsace (9,1 kms a 6,8%). Esta é uma subida bastante regular que chega a apresentar 2 kms a rondar os 8%, podendo vir a ser decisivo.

O topo do Ballon d’Alsace fica a 30 kms do fim, seguindo-se 10 kms em descida mais pronunciada, 10 em falso plano e os restantes já mais planos que levam à chegada em Belfort.



Táticas

Após duas etapas de “descanso ativo”, onde os sprinters tiveram o protagonismo e os classicómanos tentaram a sua sorte em fugas, está na hora de virar as atenções para os trepadores. Com uma frescura tremenda, esperem por um começo de etapa muito rápido, todos estão à espera desta etapa, sabem que têm uma excelente oportunidade de vitória. Os primeiros 150 kms planos tornam a tirada mais imprevisível, se a UAE Team Emirates quiser controlar (única equipa que vemos a fazer) pode conseguir, depois no Ballon d’Alsace acaba por alcançar a fuga. Mas será que se vai desgastar tendo em vista as etapas do fim-de-semana?

É aqui que a fuga ganha muitas hipóteses de vitória! Acreditamos num grupo muito numeroso, o início plano até pode não favorecer os trepadores mas com a ajuda de ciclistas podem conseguir estar na frente e, a partir daqui, teremos uma guerra entre os que querem antecipar os ataques e os trepadores, bem como os que têm uma boa ponta final e os que preferem chegar isolados. Com isto, esperamos uma etapa muito animada.

 

Favoritos

Richard Carapaz – já algo atrasado na geral, o ciclista equatoriano pode, finalmente, focar-se em vencer etapas. Tentou na terça-feira a partir do pelotão, o melhor será a partir de uma fuga, onde certamente não terá Pogacar para o perseguir. Mostrou que está a passar um bom período de forma mas sabe que tem de chegar isolado.

Tobias Halland Johannessen – costuma a fazer uma Grande Volta de trás para a frente, após o dia mau que teve tem vindo a melhor aos poucos. A mais de 14 minutos da camisola amarela, também é de muitos que pode vencer esta etapa e, quem sabe, voltar a pensar entrar no top-10. A confiança entre os nórdicos está em altas.

Outsiders

Ben Healy – muito discreto até agora, talvez reservando energia para as etapas que lhe assentam melhor. À semelhança do seu colega Richard Carapaz, certamente vai tentar vencer uma etapa e repetir o feito conseguido em 2025. Se estiver na frente juntamente com o equatoriano, podem-se tornar uma duo muito forte e de respeito.



Pablo Castrillo – um ciclista que já esteve em duas fugas neste Tour, numa Movistar à procura de vitórias, deverá ser uma das setas apontadas. Há muito tempo que não demonstra a qualidade de outros tempos, apenas aparece a espaços, vencer uma etapa é motivação mais que suficiente para mostrar que está presente.

Lennert van Eetvelt – já muito atrasado, o belga já demonstrou a sua qualidade noutras provas. Com a Lotto Intermarché a precisar de vitórias, o jovem ciclista pode ser o abono da equipa e salvar a imagem da equipa. Nos seus melhores dias, é um trepador de muita qualidade e alguém com uma excelente ponta final em grupos restritos.

 

Possíveis surpresas

Javier Romo – esteve presente na fuga na etapa 10, mas sem sucesso, muito em parte por culpa do trabalho da UAE. Pode-se juntar com Castrillo e ser um dos ciclistas da Movistar que pode mudar a imagem da equipa neste Tour e quiçá vencer etapa num trabalho em conjunto com o seu parceiro de equipa.

Mathias Vacek – mais uma grande etapa em prol do coletivo, o campeão checo está a passar um grande momento de forma. Amanhã é um bom dia para si, se mostrar a capacidade de subida que teve na Volta a Suíça é um perigo, ainda para mais com a sua ponta final muito rápida.

Maxim van Gils – numa Red Bull-BORA ainda sem vitórias em etapas, e numa etapa mais acessível, o belga pode ter liberdade para integrar a frente de corrida. Não é daqueles ciclistas que precisa de muitas oportunidades, no grupo certo pode vencer.

Kévin Vauquelin – ainda hoje tentou, talvez aquecendo as pernas para amanhã. Não sendo um puro trepador, é nestas etapas que tem de aparecer, um ciclista que sobe muito bem e em grupos restritos é rápido. Numa Netcompany INEOS apostada em etapas, se tiver um companheiro melhor.

Luke Plapp – um nome óbvio para a fuga de la fuga. O australiano é daqueles ciclistas que não se importa de atacar de longe e fazer os últimos quilómetros em solitário, usando a sua capacidade de contra-relogista. Não lhe podem dar muito espaço.



Brandon McNulty – dará a UAE Team Emirates liberdade aos seus ciclistas? Não seria caso único e, numa etapa mais fácil de controlar, não era de estranhar. O norte-americano está a andar muito bem, quando entra ao serviço destrói o grupo. Se tiver a sua chance, vai querer aproveitar até ao fim.

Alex Baudin – uma terceira alternativa dentro da EF Education, talvez o ciclista a ser lançado primeiro, antes das grandes figuras e até o pode favorecer. Muitas vezes, são estas as movimentações que resultam.

Jordan Jegat – Mais um ciclista que se encontra longe do top-10 e que tem qualidade para muito mais. A TotalEnergies tem estado muito desaparecida, será que andou a resguardar os seus ciclistas para estes dias?

Ion Izagirre – no último Tour da carreira, o basco ainda não se mostrou. Este tipo de traçado encaixa que nem uma luva no seu perfil, um ciclista que sobe bem e que desce ainda melhor, não lhe podem dar muito espaço.

Tadej Pogacar 

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Marco Frigo e Quinn Simmons.



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