A montanha e as chegadas em alto voltam ao menu da La Vuelta, em mais um dia decisivo para a classificação geral! Teremos Enric Mas a reforçar a liderança? Voltará a fuga a triunfar?

 

Percurso

A etapa arranca em falso plano com praticamente 14 kms a 3%, um rompe-pernas que se mantém até ao quilómetro 82, várias curtas subidas e descidas durante a primeira parte da etapa que levam ao Puerto de los Villares (10,5 kms a 5,5%). 30 kms muito rápidos deixam os ciclistas no sprint intermédio e, logo depois, no início da contagem de montanha para o Puerto de Locubín (8,8 kms a 5,5%).

No alto, apenas 22 kms para a chegada, uma curta descida antes do Muro de Valdepeñas de Jaén (600 metros a 10%). Isto será o aquecimento para a subida final da Sierra de La Pandera (11,8 kms a 7,5%). Esta é uma subida muito irregular, os primeiros 2600 metros a 8% levam a um quilómetro quase plano e depois 11%, outro quilómetro quase plano e, por fim, aparece a dureza principal, com 3 kms acima dos 10-11%! Os 800 metros finais são planos, pelo que os ataques têm de surgir nesta fase.



Táticas

Mais uma etapa de montanha e, depois de tudo o que aconteceu, esperamos ver um cenário parecido ao da etapa 13. Nenhuma equipa com homens da classificação geral parece realmente interessada em perseguir durante todo o dia e se até podia haver a Decathlon para fazer tal papel, a perda de Gregor Muhlberger é um rude golpe nas aspirações da equipa francesa. Perdem o principal apoio de Felix Gall e um gregário de luxo na montanha.

Com isto, a fuga ganha muito mais possibilidades de vitória, só num cenário em que elementos perigosos do top-10 estejam na fuga é que vemos uma corrida a alta velocidade durante todo o dia.

 

Favoritos

Santiago Buitrago – 2 fugas nos últimos 2 dias mas também sabemos que estamos a chegar a uma altura das Grandes Voltas em que a condição física conta, e muito. Para além disso, tem uma classificação da montanha a defender, se souber gerir as forças ao longo da etapa tem uma subida à Sierra de La Pandera para fazer diferenças.

Enric Mas – está nas nuvens, a dominar a geral a seu belo prazer! A Movistar tem estado muito sólida, isso também dá muita confiança ao espanhol que apesar de já ter a vitória em etapa não vai desperdiçar se aparecer a oportunidade. Sabe que tem de continuar a ganhar tempo, vai atacar de certeza.

 

Outsiders

Felix Gall – a perda de Muhlberger é um rude golpe mas o austríaco tem de continuar a tentar. Precisa de uma corrida muito dura, a subida final é boa para as suas características. Como não é um ciclista explosivo, tem de ir asfixando a concorrência com um ritmo mais forte.



Richard Carapaz – dentro dos homens da geral, o equatoriano é aquele que quase podemos garantir que vai atacar de longe. Já sabe o que é ganhar nesta subida e, sem nada a perder, vai tentar aproveitar uma maior marcação entre os primeiros da geral. Tem intercalado boas e más exibições, tem de ser mais regular.

Cristián Rodríguez – esteve na fuga de hoje e está a escassos segundos do top-10. A correr em casa, a motivação estará em alta para conseguir um bom resultado e, quem sabe, um triunfo importante na carreira. Está de saída da XDS Astana, e depois de ter ficado de fora do Tour, vai querer mostrar-se aos responsáveis da equipa.

 

Possíveis surpresas

Primoz Roglic – mais um dia de defesa para o esloveno. O objetivo principal é não perder tempo para Mas, se tiver a oportunidade de vencer a etapa não vai desperdiçar.

Oscar Onley – tem alternado boas exibições com menos conseguidas, a última dela talvez afetado pela queda sofrida. Esta é uma boa etapa para as suas características, se ainda quer sonhar com o pódio tem de arrepiar caminho e estar conforme na etapa 9.

Jarno Widar – esteve na fuga de hoje, no final assumiu que chegou desgastado e o calor foi fundamental para isso. O jovem belga ainda parece bem, mas não é um ciclista muito regular. Se estiver num dia positivo é um perigo em fuga.

João Almeida – numa UAE Team Emirates cada vez mais desfalcada, será que amanhã é dia para o português? Tem vindo a melhorar com o passar da corrida mas todos sabemos que ainda é capaz de mais e melhor.



Urko Berrade – 2º na etapa de ontem, o espanhol procura regressar aos triunfos na Vuelta e dar um triunfo importante à sua equipa, numa altura em que procuram patrocinador. O espanhol é um trepador discreto mas de muita qualidade.

Juan Filipe Rodriguez – estará amarrado a Carapaz? No único dia em que teve liberdade foi 5º numa etapa muito complicada, tem qualidade para dar e vender, é um ciclista muito irreverente.

Tobias Halland Johannessen – parece estar a perder gás e a acusar o desgaste do Tour. Na fuga de ontem cedeu cedo, pode ter sido por gestão de esforço, se for o caso amanhã é um perigo.

Harold Tejada – a quase 9 minutos da liderança, o colombiano é um ciclista que pode baralhar a etapa e a geral. Se for para a fuga vamos ter um dia muito rápido, ao estilo da etapa que ganhou Omrzel. Pode fazer uma dupla perigosa com Cristian Rodriguez.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Jan Hirt e Filippo Zana.

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