A montanha e as chegadas em alto estão de regresso à La Vuelta! Numa geral completamente em aberto, conseguirá Enric Mas controlar os seus rivais e voltar a vencer?
Percurso
A etapa sai de Vera e, logo após alguns quilómetros planos, aparece o Alto del Cabecico (8,4 kms a 3,3%), uma subida muito simples e rápida de se fazer. O Puerto de la Virgen (4,9 kms a 4,4%) já é uma subida mais exigente e antecede a longa subida de Collado García (18,8 kms a 2,4%). Esta é uma escalada que engana, é feita em vários patamares: 2,6 kms a 6,2%, 5,1 kms a 5,7% e 4,7 kms a 4,1%.
Seguem-se 20 kms de descida, outros tantos de falso plano até ao sopé da grande dificuldade do dia, o Alto de Velefique (13,1 kms a 7,2%, com 3 kms acima dos 9% na fase inicial). É aqui que a seleção da corrida será feita, o alto fica situado a 32 kms do fim, rápida descida de 14 kms e início da subida final para Calar Alto. 17 kms a 5,6%, uma subida muito irregular onde os primeiros 6,6 kms são a 9%. A partir daqui, as pendentes aligeiram muito, até há fases de descida mas a 3 kms do fim há 1000 metros a 9,5%, o local final para os principais ataques.
Táticas
Regresso da montanha, mais um dia importante na classificação geral. Sem Tadej Pogacar já vimos que tudo fica muito mais em aberto e, se pela Movistar as fugas podem chegar, Decathlon e, talvez, Netcompany INEOS podem ter ideias de endurecer a corrida para os seus líderes. A etapa é relativamente simples de controlar até ao início do Alto de Velefique, aí pode-se começar a jogar a etapa, com um endurecimento mais sério e, quem sabe, ataques de ciclistas mais atrasados.
Apesar de tudo, acreditamos que tudo vai ficar guardado para a subida final mas com ataques de longe pois é no seu início que a subida é mais complicada. No meio disto tudo está a fuga que também tem hipóteses de vencer, no entanto, como a geral está muito em aberto e com vários cenários em aberto, esperamos uma corrida rápida e que não seja favorável aos fugitivos.
Favoritos
Oscar Onley – excelente etapa no passado domingo, foi mais conservador e conseguiu retirar melhores resultados, foi 2º. Esta é uma boa etapa para as suas características, a subida final é longa mas o final mais acessível e explosivo beneficiam Onley, quando comparado com os outros homens da geral. Um pouco atrasado, também pode beneficiar disso.
Enric Mas – a etapa 9 deixou água na boca, nunca vimos o espanhol tão forte e tão ofensivo, quer mesmo demonstrar que merece ser líder. Apesar de tudo, sabe que tem de continuar a atacar, a vantagem que possui não é suficiente para o contra-relógio. Se o fizer de longe, pode, muito bem, deixar todos para trás e chegar isolado.
Outsiders
Felix Gall – tal como Mas, é daqueles ciclistas que sabe que tem de atacar e ganhar tempo nas etapas de montanha. A Decathlon é a equipa que pode fazer explodir a corrida e, quanto mais dura, melhor para o austríaco. Se tivessemos que adivinhar, é daqueles que vai atacar na parte mais dura da subida, resta saber se alguém o consegue seguir.
Tobias Halland Johannessen – opção óbvia para a fuga, um ciclista que procura uma grande vitória na carreira. Já foi 2º numa chegada em alto, a vitória está cada vez mais perto mas sabe que estando na frente será marcado por todos. Para vencer tem de estar muito forte, é alguém que também tem uma excelente ponta final.
Santiago Buitrago – com o objetivo na montanha, vai tentar estar na frente para somar mais pontos e, se a situação de corrida for favorável, tentar a vitória. Foi o mais forte da fuga no domingo, não fossem os favorito se poderia ter ganho, a confiança e as pernas estão lá. O colombiano é um ciclista muito forte neste terreno.
Possíveis surpresas
Primoz Roglic – noutros tempos, seria uma etapa e um final perfeito para o esloveno. Com 36 anos, a explosão já não é a mesma, só irá conseguir vencer se chegar isolado. É daqueles que vai correr na defensiva, tem o contra-relógio a seu favor.
Jarno Widar – o jovem belga é capaz do melhor e do pior mas, em teoria, este é um final bem ao seu jeito. Se tiver as pernas de domingo, conseguirá passar a fase mais dura, depois é ser inteligente taticamente, pois é um corredor rápido em grupos restritos.
Mattias Skjelmose – não está com a frescura física do Tour, isso é notório, mas tem vindo a melhorar em alguns dias. O que dissemos de Widar podemos repetir com o dinamarquês, vai sofrer na fase mais dura, depois pode aproveitar a marcação entre os principais favoritos e tentar atacar.
Richard Carapaz – a fatura do Tour está a ser paga, é sempre dos primeiros a descolar dos nomes já referidos. No entanto nunca podemos descontar o equatoriano de nada, é daqueles ciclistas que vai atacar até quebrar, alguma das movimentações pode ter sucesso.
Ramses Debruyne – excelente Vuelta do jovem belga até ao momento. Várias fugas, sempre um dos destaques e numa Alpecin-Premier Tech sem grandes opções vai ser a aposta. Não é um puro trepador mas tem aqui uma boa oportunidade.
Pavel Sivakov – numa UAE Team Emirates desfalcada, cabe ao francês aparecer nas etapas de montanha. Já o fez no domingo, amanhã é uma nova oportunidade, apesar de preferir subidas mais duras, terá de atacar de longe, como também gosta de fazer.
Eddie Dunbar – parece estar a ir de menos a mais na Vuelta, algo que até já vem sendo habitual nas Grandes Voltas do irlandês. Experiência não lhe falta, Dunbar tem tudo o que é preciso para vencer numa etapa deste género.
Juan Felipe Rodriguez – se não fica amarrado a Carapaz, o colombiano é uma boa alternativa. Ainda algo desconhecido, está a dar as primeiras pedaladas no World Tour mas já deixou grandes impressões. Parece ser um ciclista ofensivo, bem ao estilo sul-americano.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Filippo Zana e Finlay Pickering.