Está de regresso a alta montanha! O fim-de-semana começa com a primeira de duas etapas mais complicadas, onde a geral do Tour volta a estar em disputa. Teremos mais um triunfo de Tadej Pogacar?
Percurso
A montanha está de volta e com quase 4000 metros de desnível acumulado no menu. Logo após 14 kms está a subida de Grand Ballon (21,6 kms a 4,8%, uma subida feita em várias vezes e que leva à primeira passagem na meta em Le Markstein.
Rápida descida para se iniciar o Col du Page (9,8 kms a 4,9%) e, pouco depois, os ciclistas voltam a ultrapassar o o Ballon d’Alsace (9,1 kms a 6,8%). Sensivelmente a meio da etapa, os ciclistas descem e entram numa zona de vale com duas subidas não categorizadas (3,7 kms a 5,3% e 3,6 kms a 5,2%) e, num instante vão estar no sopé da subida final.
Falamos do Col du Haag (11,2 kms a 7,2%), uma subida feita em duas fases: os primeiros 3,6 kms a 9,2%, 1000 metros de descida e depois 6 kms de subida bem mais duros, com os 1600 metros finais a 10,3%. No alto, restam 6,5 kms para a chegada, feita em estrada plana.
Táticas
Fim-de-semana recheado de subidas, finalmente voltaram as dificuldades de uma forma mais séria. Dentro dos dois dias, vemos esta como a melhor hipótese para a fuga, primeiro pela dureza das etapas e segundo porque a etapa 15 é uma chegada em alto e é nessas etapas que Tadej Pogacar quer mostrar o seu domínio. No entanto, se o esloveno e a UAE Team Emirates sentirem a oportunidade e puderem vencer mais uma etapa, não vão desperdiçar.
Amanhã, a fuga não se vai formar até ao sprint intermédio, a Lidl-Trek vai controlar e esperar que Mads Pedersen volte a consolidar a sua liderança. A partir daqui, começa o Grand Ballon e depois teremos um terreno mais duro e “acessível” para os trepadores entrarem na frente e disputarem a vitória. Vai ser mais uma fuga numerosa, apesar de tudo não esperamos tão grande como a de hoje.
Favoritos
Richard Carapaz – se hoje não tentou a fuga é porque tens os olhos postos nesta etapa que, por acaso, até é melhor para si. O equatoriano adora estes dias mais duros em cima da bicicleta e o início em subida até é mais fácil para entrar em fuga. Vimos, na terça-feira, que está a subir muito bem, é daqueles que se tiver boas pernas vai atacar de longe. É um dia importante para a montanha.
Tadej Pogacar – tal como referimos ontem, se quiser vencer a etapa vai consegui-lo. Durante todo o Tour não teve ninguém capaz de lhe fazer frente e se for preciso arrancar na subida final vai fazê-lo e, mesmo que não seja necessário, é o mais rápido dos homens da geral. Resumindo, vence como quer e quando quer.
Outsiders
Tobias Halland Johannessen – outro ciclista que hoje não atacou, também reservando energias para amanhã. O norueguês está no limite para entrar em fugas, não periga ninguém do top-10, o que lhe dá uma boa margem. Após o dia mau na primeira semana está a melhor a sua forma. Está a fazer uma temporada excelente, já merece uma grande vitória no seu palmarés.
Valentin Paret-Peintre – um ciclista que deve estar desejoso para que chegue a alta montanha. Até agora discreto e no apoio a Merlier, o francês tem, finalmente, o seu terreno no Tour. O início em subida favorece-o, um ciclista mais franzino tem dificuldades no plano, mas não é por isso que não deixa de ser um corredor rápido em grupos restritos.
Isaac del Toro – caso Pogacar corra na defensiva e tenha como objetivo levar o mexicano ao pódio, vemos Del Toro a vencer. Na terça-feira teve um dia mau mas pode ter sido um episódio esporádico. Como já vimos, em grupos restritos também é muito rápido e se for lançado por Pogacar melhor ainda.
Possíveis surpresas
Javier Romo – muito forte na fuga na etapa 10, teve o azar da UAE Team Emirates querer vencer. Amanhã tem nova oportunidade, se tiver outra sorte e as pernas desse dia é um perigo. Também é rápido em grupos restritos.
Davide Piganzoli – pode ser arriscado porque tem sido o último homem de apoio a Vingegaard, mas a Visma tem de arriscar se quer vencer mais etapas. O italiano parece não abrandar o ritmo do Giro, continua em excelente forma. Muito forte a subir e excelente ponta final.
Thymen Arensman – final de 2ª semana, é quando o motor do neerlandês começa a carburar mais a sério. Foi isso que aconteceu no ano passado, quando voou para duas etapas, conseguirá repetir o feito e vencer este ano?
Egan Bernal – alternativa muito real dentro da Netcompany INEOS. O colombiano tem feito uma corrida de menos a mais e ainda sonha com o top-10 final, pelo que amanhã pode ser um bom dia para recuperar tempo. Vencer uma etapa no Tour seria um marco importante na sua carreira.
Jonas Vingegaard – se há ciclista que pode seguir Pogacar é o dinamarquês. Se mostrou ter capacidade? Não. Mas já o demonstrou no passado e pode ter melhorado nestes últimos dias. Tem de ser mais frio a correr, não pode levar todos na sua roda, só assim pode ter mais hipóteses.
Paul Seixas – o jovem francês começa a entrar em território desconhecido, nunca correu tanto, ainda para mais com tanta exigência. Com o pódio tão perto deverá estar motivado para mais um bom resultado.
Remco Evenepoel – tem feito uma corrida mais contida, está a gerir muito melhor o esforço, não indo ao choque. A parte final da etapa 10 mostrou um Evenepoel mais maduro, neste tipo de jornadas é fundamental. Ter alguns quilómetros de plano depois da subida só o beneficia.
Juan Ayuso – dia importante para o espanhol que continua a sua luta pelo pódio final. Tem feito uma boa dupla com Mattias Skjelmose, a presença do dinamarquês pode ser importante para amanhã.
Florian Lipowitz – em luta direta é difícil de o ver vencer. Se há ciclista que espera uma corrida mais dura é o alemão, foi dos mais fortes no Tourmalet mas não tirou vantagem prática disso. Está a entrar no seu território.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Einer Rubio e Ramses Debruyne.