A semana final do Giro d’Itália começa com mais uma chegada em alto, a 4ª da competição. Até agora, Jonas Vingegaard dominou vencendo as 3 anteriores, teremos novo triunfo do camisola rosa? Irá Afonso Eulálio defender o seu 2º lugar?
Percurso
Dia muito curto, apenas 113 kms, mas que não deixa de ter praticamente 3000 metros de desnível acumulado positivo. O miolo da etapa tem um pequeno circuito a ser percorrido por duas vezes e no qual existem as subidas de Torre (4,7 kms a 5,7%) e Leontica (3 kms a 8,2%) mas todas as decisões ficarão guardadas para a subida final de Carì.
Em teoria, 11 600 metros de subida mas para trás há cerca de 12 kms num falso plano que se vai tornando cada vez mais exigente, até ao início oficial da subida. 11,6 kms a 8%, uma subida muito regular que no seu meio tem 2 kms acima dos 9%, tal comoo penúltimo km a 9,8%. É nestas secções que se podem fazer diferenças mais importantes.
Táticas
Este tipo de etapas mais curtas podem levar a uma corrrida muito rápida e, como conseuqência disso, a fuga que se forme não terá muitos quilómetros para ganhar tempo suficiente para a subida final. No entanto, temos de colocar em cima da mesa a questão de quem irá perseguir? Jonas Vingegaard já afirmou que quer ganhar com a camisola rosa mas será que não vai fazê-lo numa etapa mais dura no final da semana? Irão as outras equipas trabalhar para depois verem o dinamarquês ganhar?
Até à subida final há dureza mas não a suficiente para fazer muitos estragos, pelo que vemos as equipas dos principais homens da geral a resguardar para essa altura. É aqui que a fuga ganhar, consideravelmente, mais hipóteses de sucesso. Pela Visma, a mesma pode ter sucesso e, a não ser que tenha algum ciclista perto do top-10 a querer recuperar tempo, irá ganhar minutos suficientes para lutar pela vitória na subida de Carì.
Favoritos
Jonas Vingegaard – 3 em 3 nas chegadas em alto deste Giro! Em controlo absoluto da corrida, o dinamarquês vai querer aproveitar todas as oportunidades para somar mais vitórias e mostrar que é o patrão da Volta a Itália. Com Kuss e Piganzoli em grande forma, o endurecimento da corrida está garantido. Vencer com a camisola rosa vestida seria ainda mais especial.
Giulio Ciccone – mais uma etapa de montanha e mais um dia a mencionar o italiano. Não está a ser o Giro perfeito, muitas decisões táticas duvidosas mas vimos no sábado que está muito forte e foi dos melhores da fuga. Numa etapa tão curta sabe que tem de estar bem colocado desde o início para entrar na fuga. A pressão aumenta a cada quilómetro.
Outsiders
Felix Gall – até ao momento tem sido, de longe, o 2º melhor trepador entre os favoritos. O problema é que tem pela frente um Vingegaard muito mais forte e só em condições muito especiais o vemos a vencer uma etapa. Já está no pódio mas é daqueles que vai continuar a atacar, sente que tem o 2º lugar ao seu alcance.
Wout Poels – está a crescer com o passar da corrida, muito ao seu estilo, é nas terceiras semanas que rende mais. O neerlandês é uma das grandes raposas velhas do pelotão, sabe o que é preciso para conseguir vencer uma etapa deste género, ainda para mais com subidas longas. Triunfar no Giro significaria fechar o capítulo das 3 Grandes Voltas.
Einer Rubio – com a montanha mais difícil, o foco passará por vencer uma etapa, algo que já fez noutras edições. O colombiano tem ido de menos a mais neste Giro, foi dos mais fortes na fuga do passado sábado. Até preferiria uma etapa mais dura e bem mais longa, mas oor outro lado é capaz de ter bastante apoio da sua equipa, a Movistar tem apostado muito nas fugas.
Possíveis surpresas
Jai Hindley/Giulio Pellizzari – a dupla da Red Bull-BORA voltou às boas exibições na última chegada em alto. Hindley continua o seu Giro regular, sem dar muito nas vistas tem estado sempre entre os primeiros, a experiência tem sido fundamental. Pellizzari parece recuperado dos problemas de saúde e aponta a lugares mais altos, estará motivado para acabar bem o Giro mas também é daqueles que não terá muita liberdade, todos sabem da sua qualidade.
Thymen Arensman – em luta direta com os Red Bull-BORA, deverá ser mais um dia para defender, ele que gosta mais de etapas mais longas e com mais dureza. Ainda não vimos aquela versão muito boa do neerlandês, chegará na 3ª semana?
Jan Hirt – a crescer com o passar do Giro, mais um ciclista de terceiras semanas. Aos 35 anos, já não víamos o checo a andar assim há algum tempo mas todos nos lembramos do que era capaz há alguns anos. Um puro trepador, feito para as subidas longas como a última desta etapa.
Chris Harper – outro ciclista que entra, muito bem, na categoria dos ciclistas que andam melhor no final das Grandes Voltas, basta lembrar que ganhou a etapa 20 do ano passado. Já esteve em fugas no Giro para recuperar tempo e entrar no top-10, esperamos mais do australiano.
Markel Beloki – que agradável surpresa está a ser o jovem espanhol da EF Education. Já mais atrasado na geral, Beloki pode ter alguma liberdade para entrar em fugas e se demonstrar a capacidade física que teve até agora é um perigo. Resta saber se ainda tem energia, a estreia em Grandes Voltas costuma pagar a fatura.
Enric Mas – tem tentado muito, várias fugas onde esteve já tiveram sucesso mas quando chegam as etapas de chegada em alto isso não acontece. Tem que continuar a tentar para salvar o seu Giro. Se estiver com Rubio na frente podem formar uma dupla perigosa.
Igor Arrieta – a melhor aposta da UAE Team Emirates para amanhã, o trepador mais competente dentro da equipa. Já com uma etapa no bolso a pressão é menor, mas quem está numa equipa como a UAE quer sempre mais.
Egan Bernal – até é provável que fique no apoio a Thymen Arensman mas não seria de estranhar o colombiano ter a sua oportunidade. Quando está em fugas é sempre um corredor perigoso, parece estar a recuperar as melhores sensações.
Damiano Caruso – com Afonso Eulálio a não ser líder será que vai arriscar na fuga? No seu último Giro diríamos que sim, já não tem muitas oportunidades para procurar vencer a etapa que tanto ambiciona.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Alessandro Pinarello e Mathys Rondel.