Está na hora da última etapa de montanha e chegada em alto da La Vuelta! Com Enric Mas seguro na liderança, será que vamos ter algum ciclista da geral a arriscar de longe?
Percurso
A última grande etapa de montanha da Vuelta começa com 30 kms mais acessíveis, antes de uma pequena colina que vai servir de aquecimento para o Puerto de Los Blancares (7,4 kms a 3,6%), a primeira subida categorizada do dia. 30 kms de descida e o pelotão entre num pequeno circuito que vai percorrer por duas vezes e que tem como grande obstáculo o Puerto de El Purche (8,2 kms a 8%, com os 3 kms iniciais acima dos 10% de média). Passada pela segunda vez a 1ª categoria, os ciclistas ficarão a 62 kms do fim.
Descida de 10 kms e antes de entrarem no Puerto de El Duque (7,4 kms a 8,2%, com os primeiros 2300 metros a 10,1% de média), o percurso ainda apresenta duas subidas não categorizadas, com 2 kms a 7,7% e 2,3 kms a 5,2%, ou seja, uma aproximação nada fácil à 1ª categoria já referida. No alto, restam 30 kms para a meta, 15 em descida e outros tantos em subida.
Como não bastasse a subida final, antes de lá chegarem os ciclistas têm dois pequenos topos para aumentar o desgaste. A subida de Collado del Alguacil é a Cima Alberto Fernandez desta edição da Vuelta, 8400 metros de pura dureza a 9,8% de média! Os 3 primeiros kms são os mais “acessíveis” e mesmo assim as rampas não baixam dos 8% mas os restantes nunca descem dos 10%, dureza brutal para terminar a etapa.
Táticas
Última grande etapa de montanha da Vuelta 2026 e que etapa, uma das mais duras dos últimos tempos! Sendo a última grande etapa de montanha, esta deverá ser disputada a um ritmo muito elevado desde os primeiros quilómetros. Não estarão apenas em jogo os homens da classificação geral, que terão aqui a última oportunidade para ganhar tempo aos rivais, mas também os trepadores que ainda procuram uma vitória de etapa. A luta pela fuga promete, por isso, ser intensa e poderemos assistir a uma primeira parte de corrida extremamente rápida, com vários ataques e tentativas de formar uma fuga forte, quem sabe até ao início da primeira passagem pelo Puerto de El Purche.
Neste cenário, a EF Education e Richard Carapaz surgem como alguns dos prováveis grandes animadores da etapa. A EF poderá tentar colocar vários corredores na fuga, criando uma situação favorável para atacar mais tarde, enquanto Carapaz é um dos corredores com capacidade para lançar um movimento de longe e obrigar os principais rivais a reagir. Sendo a última oportunidade para fazer diferenças na montanha, não seria surpreendente ver uma corrida bastante agressiva, com movimentos de longe e favoritos dispostos a arriscar tudo.
Favoritos
Sepp Kuss – é um dos corredores que melhor encaixa numa etapa tão dura e seletiva. Kuss beneficia de um ritmo elevado nas subidas longas e, se a corrida for de desgaste, poderá ganhar vantagem sobre corredores mais explosivos. Sendo a última grande oportunidade de montanha, terá de estar atento aos ataques e poderá também tentar mexer na corrida antes da subida final. Tentou hoje mas não teve liberdade.
Enric Mas – tem sido o mais consistente na alta montanha e, apesar de tudo, a Movistar tem estado muito sólida em torno do seu líder. Poderá optar por uma estratégia mais conservadora, esperando pelas últimas dificuldades, mas se houver sinais de fraqueza entre os rivais, tem capacidade para atacar e fazer diferenças importantes.
Outsiders
Valentin Paret-Peintre – tem as características ideais para esta etapa e, numa fuga com liberdade, poderá gerir melhor o esforço e chegar às subidas finais com capacidade para lutar pela vitória. Será particularmente perigoso se conseguir entrar num grupo com Filippo Zana, têm formado uma dupla perigosa nesta Vuelta.
Georg Steinhauser – é daqueles trepadores que beneficia quando a corrida é muito dura desde o seu início e que também arriscar se for necessário. Já tentou por várias vezes nesta Vuelta, veremos é se tem liberdade dentro de uma EF Education que não tem assim tantos trepadors para o apoio a Carapaz.
Felix Gall – é destes dias que o gigante austríaco gosta e, com o 3º lugar praticamente seguro pode tentar arriscar e atacar sem ser na última subida. Se Carapaz se movimentar também o vai seguir e, aí, pode aproveitar o trabalho do equatoriano. Pelo que a Decathlon tem feito, a vitória seria um prémio justo.
Possíveis surpresas
Jarno Widar – o jovem trepador belga tentou hoje e não conseguiu, amanhã tem nova oportunidade num terreno que até pode estar no limite para si mas que apesar de tudo se adapta devido às rampas mais inclinadas.
Marco Brenner – após a vitória na Sierra de la Pandera tem estado mais discreto, mas deverá tentar amanhã. Em pendentes mais elevadas não será tão fácil, deverá tentar surpreender mais de longe.
Jorgen Nordhagen – o jovem norueguês pode vir a estar ao serviço de Kuss mas também pode aproveitar a marcação ao norte-americano para fugir num momento importante. Quanto mais dura e seletiva for a etapa, mais as suas características poderão vir ao de cima.
Santiago Buitrago – duas vezes 2º, duas vezes apanhado no quilómetro final. As forças começam a escassear para o colombiano mas com a camisola da montanha praticamente assegurada pode focar-se, exclusivamente, na etapa.
Eddie Dunbar – uma vitória é excelente, duas será a cereja no topo do bolo. A correr sem pressão, tudo poderá fluir melhor e não é de descartar novo triunfo do irlandês.
Urko Berrade – 4º na etapa de hoje, o basco é sempre um ciclista perigoso estando em fuga. Já sabe o que é vencer na Vuelta, já conta com alguma experiência do seu lado.
Tobias Halland Johannessen – após alguns dias discretos, hoje voltou a aparecer mas não esteve na movimentação decisiva. Oportunidade para o norueguês procurar a vitória que tanto quer em Grandes Voltas.
Richard Carapaz – é provavelmente o nome que mais assusta quando pensamos em ataques de longe. Carapaz tem experiência, resistência e, sobretudo, capacidade para transformar uma etapa numa corrida completamente diferente com um ataque numa subida intermédia.
Primoz Roglic – não está com a capacdade física de outras temporadas, isso é notório, mas nunca podemos descartar uma raposa velha como o esloveno. Vencer uma etapa estes seria o coroar de uma grande Vuelta, depois de tudo o que lhe aconteceu na aproximação.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Cristian Rodriguez e Mario Aparicio.