O pelotão da La Vuelta chega a Andorra para uma curta mas muito dura etapa de montanha. No primeiro grande teste entre os homens da geral, teremos Tadej Pogacar a vencer com mais um ataque de longe?

 

Percurso

Dia curto por Andorra, apenas 104,8 kms mas de muita dureza. Logo a abrir, os ciclistas têm o Port d’Envalira (23,2 kms a 4,9%), seguindo-se uma descida de praticamente 30 kms até ao sopé da Collada de Beixalis (6,5 kms a 8,5%). Numa etapa sem grande descanso, os ciclistas voltam a descer e, rapidamente, estão a iniciar a ascensão para o Coll d’Ordino (9,9 kms a 7%).

Esta é uma subida muitas vezes passada na Vuelta e que pode fazer diferenças importantes na geral mas não é a última. O topo fica a 25 kms do fim, descida de cerca de 15 kms até nova ascensão até ao Alto de la Comella (3,8 kms a 5,6%). Esta é uma ascensão que engana, tem uma fase plana no seu miolo, antes dos derradeiros 1300 metros a 8,6%. O topo fica a 3,5 kms do fim, com 3 kms em descida antes dos 500 metros finais planos em Andorra la Vella.



Táticas

Um dia curto mas muito duro, esperamos espetáculo! Normalmente etapas deste género são para serem discutidas pelos homens da classificação geral, não há muita margem para a fuga ganhar tempo, e ainda no início de uma Grande Volta as energias estão carregadas. O Port d’Envalira deverá ser uma subida muito atacada, poderá fazer uma seleção importante no grupo dos favoritos mas onde acreditamos que se possam fazer diferenças importantes é no Coll d’Ordino.

Acreditamos que a UAE Team Emirates vai controlar a corrida até lá e depois Tadej Pogacar vai desferir um forte ataque. Como já referimos, o campeão do Mundo vai tentar sentenciar a Vuelta o mais cedo possível, de forma a puder gerir as suas forças tendo em conta os objetivos que ainda tem para o resto da temporada. Resta saber se alguém consegue seguir o esloveno, algo praticamente impossível de acontecer, o mais sensato é pensar quanto tempo Pogacar vai ganhar aos rivais mais diretos.

 

Favoritos

Tadej Pogacar – queria a vitória hoje mas o temporal não o permitiu. Amanhã é dia de dar espetáculo e ganhar muito tempo à concorrência, colocando uma margem importante na sua liderança que lhe permita gerir. A UAE Team Emirates tem equipa para controlar a etapa, esperamos um ataque no Coll d’Ordino.

Richard Carapaz – chega após um excelente Tour e deu boas indicações no contra-relógio. É daqueles ciclista que adora este tipo de etapas, com poucos metros de descanso, não fosse ele um puro trepador. Pode tentar seguir Pogacar mas se for demasiado perto do sol pode-se queimar, é preferível adotar uma estratégia mais conservadora.

 

Outsiders

Felix Gall – vem de vencer em Burgos e, dos homens da geral, é dos poucos que preparou, com tempo, a Vuelta. É nestas etapas de alta montanha que o austríaco se tem de mostrar, se estiver ao nível do Giro é um perigo para a luta do pódio. O problema estará nas descidas, se for testado pelos rivais pode ficar para trás.

Oscar Onley – outro ciclista que se mostrou em grande em Burgos, finalmente recuperado dos problemas de saúde. Está mais fresco que a maioria, pouco competiu em 2026, por isso preparou bem a Vuelta. É um dia importante na sua missão de pódio final, um ciclista que gosta deste tipo de subidas.



Mattias Skjelmose – dia importante para o dinamarquês, tem de estar a subir ao nível do Tour para ter hipóteses. Passando as subidas mais duras num grupo, será um perigo para a subida final e chegada, é um ciclista que sempre se adaptou melhor aos esforços mais curtos e explosivos.

 

Possíveis surpresas

João Almeida – até pode nem ser chamado ao trabalho, se Pogacar atacar cedo. Esse cenário só o vai beneficiar, veremos qual a versão do português nesta Vuelta, precisa de ganhar confiança, porque sabemos que qualidade não lhe falta.

Enric Mas – a correr em casa, esperamos uma boa versão do espanhol, tudo depende é se será boa o suficiente para seguir os melhores. Mostrou estar forte em Burgos mas precisa de melhorar ainda mais, voltar ao “velho” Mas.

Primoz Roglic – tem afastado um pouco as expectativas depois da pouca preparação que teve. Amanhã é um teste importante e decisivo porque, em teoria, é uma boa etapa para as características do esloveno.

Lorenzo Fortunato – esteve ao ataque em busca dos pontos da montanha que acabaram anulados. Amanhã é um dia importante, e tendo esta classificação como objetivo, vai estar na frente e, quem sabe, pode ganhar vantagem suficiente para lutar pela vitória.



Valentin Paret-Peintre – mais um ciclista muito combativo e que, quem sabe, não tem a montanha como objetivo. É franzino trepador adora estes dias de muita dureza e, caso necessário, é rápido em grupos restritos.

Tobias Halland Johannessen – muito tentou no Tour e não conseguiu vencer, será que consegue fazê-lo na Vuelta? Já merece uma grande vitória. Esteve bem nos primeiros dias, ainda parece relativamente fresco.

Sepp Kuss – a correr nas estradas por onde treina regularmente, a motivação para vencer não faltará. Será complicado ter liberdade, todos se lembram do que aconteceu em 2023, terá de ser à base da capacidade física que pode vencer.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Jorden Nordhagen e Ben Tulett.

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