Pequena pausa na montanha, com os sprinters a terem mais uma oportunidade. Apesar de tudo, a parte final é bastante sinuosa, nem todos estarão na luta. Quem será o mais rápido?
Percurso
173,3 kms de etapa que podem ser divididos em duas fases bem distintas. Os primeiros 115 kms são acessíveis, praticamente sem dificuldades, ao contrário dos últimos 58 kms. Primeiro surgem três pequenos topos com 2900 metros a 5,7%, 2700 metros a 6,4% e 700 metros a 4%, antes da única contagem de montanha do dia, o Alto de Pauls (3,9 kms a 6,6%). Uma descida com cerca de 9 kms leva a 700 metros a 5,4% antes dos 17 kms finais planos na chegada a Roquetes. Terres de l’Ebre.
Táticas
Esta é uma etapa ideal para ser armadilhada por algumas equipas, com destaque pela Lidl-Trek e Visma|Lease a Bike. As duas formações já referidas têm dos sprinters que melhor passam estas dificuldades e sabem que, só assim, Mads Pedersen e Wout van Aert/Matthew Brennan têm mais hipóteses de vencer. Para além disso, com menos chances para os homens rápidos, estas equipas querem maximizar as suas chances de vitória, pelo que não devemos ver um passeio e os sprinters mais puros deverão ter muitas dificuldades e, inclusivamente, ficar para trás.
Favoritos
Wout van Aert – tentou antecipar o sprint no domingo, amanhã pode ser o seu dia. O belga não escondeu que quer vencer etapas nesta Vuelta, para além da classificação por pontos, e tem de começar a arrepiar caminho. Não terá dificuldades em passar as subidas, aliás, quanto mais reduzido for o grupo melhor.
Mads Pedersen – foi 4º no domingo, ficou sem forças nos metros finais. Numa chegada mais plana, as forças estão mais equilibradas mas também sabemos que o dinamarquês não gosta tanto deste tipo de finais, por isso a Lidl-Trek vai endurecer muito a chegada, tal como fez no Tour deste ano. Só aí terá mais hipóteses.
Outsiders
Matthew Brennan – não será fácil passar as subidas se a corrida for muito endurecida, mas se estiver num dia super pode consegui-lo e, nesse cenário, torna-se o grande candidato à vitória em etapa. A facilidade com que venceu no domingo foi assustadora, os rivais devem estar a pensar como podem contrariar.
Orluis Aular – esta etapa faz lembrar algumas do Giro deste ano onde a Movistar se fartou de trabalhar, eliminando grande parte dos sprinters. Amanhã, a equipa espanhola pode jogar mais na defensiva, depois cabe ao venezuelano escolher a roda certa e tentar surpreender.
Axel Laurance – 8° no domingo é um bom carta de visita para o antigo campeão do Mundo sub-23. Quanto mais endurecida for a corrida, melhor para o francês, não só porque o grupo fica mais reduzido mas porque se conseguisse posicionar melhor. Até gostaria de uma chegada mais dura.
Possíveis surpresas
Jordi Meeus – é o principal sprinter puro da Vuelta por isso vai ser levado ao limite nas subidas para passar dificuldades, algo que vemos a acontecer muito seriamente. Vai sofrer muito, só uma corrida mais passiva o vai ajudar a estar na luta pela vitória.
Hugo Hofstetter – sprinter muito regular, 5º no domingo e que se adapta muito bem a este tipo de percursos. Longe de ser um vencedor, tem de aproveitar as oportunidades nos sprints mais reduzidos.
Ben Turner – em teoria uma boa etapa para as suas características, quando está bem é capaz de passar estas subidas com os melhores, basta ver o recente Giro. Precisa de ganhar confiança, nada melhor que uma vitória.
Bryan Coquard/Alexis Renard – duo dinâmico da Cofidis, ambos bons “trepadores” nos melhores dias. Apesar de tudo, vemos Renard com mais hipóteses de estar entre os melhores.
Pau Miquel – surpreendente 2º no domingo, num final bastante duro e que se adapta muito melhor às suas características. Se nas subidas não deverá ter dificuldade, o final plano já não o beneficia tanto.
Henok Mulubrhan – não é um sprinter mas sim alguém que gosta destes dias mais duros e que terminam ao sprint, basta analisar o seu currículo. Quanto mais reduzido for o pelotão, melhor para si, não tem muita facilidade em colocar-se.
Marc Brustenga – sprinter completo da Kern Pharma que procura aproveitar todas as oportunidades nesta Vuelta, ainda para mais sabendo que a equipa espanhola pode estar perto do fim.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Bastien Tronchon e Vito Braet.