O pelotão internacional está de regresso à Figueira da Foz para mais uma edição da clássica portuguesa! Num percurso bastante duro, teremos um António Morgado a revalidar o título?
Percurso
Este traçado que abre as portas de sucesso a vários ciclistas tem sido um sucesso, portanto a receita mantém-se face às outras edições, 3 passagens no duro circuito nos arredores da Figueira da Foz, com a subida do Parque Florestal (2,3 kms a 7,8%) e a dura rampa de Enforca Cães (0,8 kms a 7,3%). Depois a aproximação à meta é muito rápida, do topo de Enforca Cães até à meta sobram apenas 5,7 kms.
Tácticas
Esta é uma prova com dois cenários muito prováveis de acontecer. Quando há um ciclista bastante forte, este consegue atacar de longe, distanciar-se e chegar isolado à meta, casos de Remco Evenepoel e António Morgado, caso contrário é um grupo com cerca de 20 unidades a lutar pela vitória, como aconteceu em 2023 quando Casper Pedersen ganhou. Se retirarmos Evenepoel e Morgado da equação, também foram grupos desta grandeza a chegar na perseguição.
A subida para se fazerem diferenças é a subida do Parque Florestal, é a mais curta mas também a mais dura. Em Enforca Cães não dá para ataques tão fortes, é uma subida mais regular, mas por outro lado fica mais perto da chegada. Olhando para os blocos presentes, a UAE Team Emirates é o mais forte, Morgado, McNulty e Grosschartner são as opções válidas mas a partir daqui não há muita profundidade para trabalho. Há várias equipas com opção para sprint e chegada em solitário, como Red Bull-BORA, NSN, Lotto, Movistar, Pinarello Q36.5 e a Cofidis. A EF Education é a equipa que mais aposta no sprint e numa corrida controlada.
Favoritos
António Morgado – o “Bigode Voador” voltou a entrar a todo o gás na temporada, tal como o fez em 2025. Já venceu e, em 6 dias de competição, terminou sempre entre os 8 primeiros, uma regularidade impressionante! Este é um traçado perfeito para o português, conta já com a experiência de duas participações e, para além disso, pode vencer isolado ou num pequeno grupo. Ter a seu lado o bloco mais forte da prova também ajuda.
Brandon McNulty – é por isso que colocamos outro UAE Team Emirates aqui. O norte-americano deu boa conta de si em Valência, mostrou estar já num bom momento de forma e sabemos que nem sempre é o mais fiel companheiro de equipa. Se sentir que tem uma boa oportunidade para atacar vai fazê-lo, é um excelente contra-relogista.
Outsiders
Alex Aranburu – traçado perfeito para o ciclista basco que tende a começar sempre muito bem as temporadas. Numa Cofidis em busca de pontos UCI, Aranburu estará motivado para se estrear da melhor forma em 2026. Até pode não atacar a subir mas não lhe deem um metro que seja nas descidas.
Mathieu Kockelmann – pode parecer uma aposta surpreendente, mas o jovem luxemburguês é alguém que temos debaixo de olho. Muito mais que um sprinter, o ciclista da Lotto consegue ultrapassar a média montanha com algum à-vontade e, memso que ceda um pouco, ainda existe espaço para recuperar. Já venceu em 2026, a motivação está em altas.
Marijn van den Berg – a principal aposta de uma EF Education que não tem um grande trepador. O neerlandês é muito mais que um sprinter e prova disso são o 3º e 7º lugares conseguidos nas últimas duas edições. É alguém que se dá muito bem nas estradas portuguesas e que não se importa com uma corrida mais dura.
Possíveis surpresas
Marc Hirschi – estivéssemos em 2024 e o suíço era um dos principais favoritos. Ainda não é um veterano mas parece que já não consegue ombrear com os melhores, está sempre na luta mas há alguém mais forte. O percurso é perfeito para si.
Lorenzo Finn – muita curiosidade para ver o campeão do Mundo sub-23, um corredor muito talentoso e que tem um percurso que se adapta que nem uma luva às suas características. É mais um que não tem medo de atacar de longe.
Marco Frigo – falaram de ataques de longe? O italiano é o ciclista ideal para isso, alguém capaz de solos de longa distância e que já tiveram resultados. Sabe dosear muito bem o seu esforço, corredor muito completo mas que tem de chegar isolado.
Riley Sheehan – cartada para o sprint da NSN. Passa com relativa facilidade a média montanha, deverá estar no segundo grupo e esperar a junção para a chegada à Figueira da Foz. Chega com kms nas pernas, pode ser importante.
Diego Pescador e Javier Romo – um duo muito perigoso dentro da Movistar. O colombiano é mais um puro trepador e ser usado mais cedo, com o espanhol a ser a cartada final, um ciclista que deu um salto qualitativo grande em 2025. São dois corredores muito combativos.
Carlos Canal – a aposta para o sprint da Movistar. O espanhol adora este tipo de percursos, não fosse o terreno em espanha muito a este estilo. Pode ser algo substimado, mas é relativamente rápido em grupos mais restritos.
Jarno Widar – um diamante que a Lotto tem! O belga é mais talhado para a montanha mas, enquanto sub-23, também conseguiu vencer algumas clássicas deste estilo. Entre os elites será muito mais difícil mas quando se tem qualidade está-se muito mais perto.
Max Poole – não é um ciclista ganhador, nem as clássicas são a sua praia, mas numa Picnic que corre sob pressão, o britânico quer mostrar serviço. Trepador muito competente, com uma boa ponta final, quererá uma corrida mais endurecida.
Fabio Christen – estreia em 2026 para um ciclista que evoluiu muito na temporada passada. Puncheur de enorme qualidade, parte com mais responsabilidade dentro da Pinarello Q36.5. Rápido em grupos restritos mas uma corrida mais endurecida até joga a seu favor.
Alexandre Delettre e Sandy Dujardin – duo muito perigoso na TotalEnergies. Já vêm com bastantes kms, é sempre importante no início de temporada, e são dois corredores muito combativos, com boa ponta final e que passam bem este tipo de dificuldades, bem ao estilo gaulês.
Super-Jokers
Os nossos super-jokers são Ion Izagirre e Felix Grosschartner.