Antevisão da La Flèche Wallonne

A semana das Ardenas muda-se para Bélgica, sendo a hora dos reais especialistas em subidas curtas e inclinadas ocuparem os primeiros lugares, com o famoso Mur de Huy a ser o palco de todas as decisões.

 

Percurso

Das três clássicas das Ardenas, a La Fleche Wallone é, claramente, a mais simples no entanto de ano para ano tem vindo a ter um percurso cada vez mais duro. Este ano, a partida será dada em Charlerou para 190 quilómetros depois terminar no Mur de Huy.



O início é feito em sobe e desce constante com a primeira colina a aparecer ao quilómetro 48, o Cote d’Yvoir (1400 metros a 6%). O Côte de Thon (600 metros a 6,5%), o Côte de Groynne (3.2 kms a 3,7%), o Côte de Haut-Bois (1000 metros a 8,6%) e o Côte de Gives (2 kms a 5,5%) vão servir para aquecer os motores dos ciclistas. Os ciclistas continuam em direção a Huy, entrando no circuito final quando estiverem percorridos 120 quilómetros. Na primeira vez apenas será feito meio circuito, que será ultrapassado, na sua totalidade por 2 vezes, mas passam-se as 3 subidas do percurso: Cote d’Ereffe, Cote de Cherave e Mur de Huy.

Analisando o circuito, este tem 31 kms e um total de 3 colinas, começando com o Cote d’Ereffe (1.6 kms a 6,1%), seguindo-se o Côte du chemin des Gueuses (1.9 kms a 6,2%), para depois irem para a segunda passagem pelo Mur de Huy, que surge a apenas 31 kms da linha de meta.

Com a passagem pela linha de meta, volta-se a fazer o circuito já referido, com o circuito o Cote d’Ereffe a estar a 18,5 kms da meta e o Côte du chemin des Gueuses a apenas 9,5 kms do final, que deverá ser palco de muitos ataques. À entrada do Mur de Huy a luta por posicionamento será intensa, a subida tem 11,9% de inclinação média, mas é no miolo que se decide tudo, com o final a ser num falso plano.

 

Tácticas

Esta corrida é a mais previsível das 3 clássicas das Ardenas. Nos últimos 15 anos a prova decidiu-se sempre no Mur de Huy, considerando essas edições um ataque de longe nunca resultou nem houve uma grande surpresa na empinada colina belga. Tivemos 4 anos de Valverde entre 2014 e 2017, destronado por Alaphilippe em 2018 e 2019, sendo que em 2020 Marc Hirschi parecia imbatível numa edição que teve algumas ausências.



Há sempre expectativas de uma corrida muito atacada e partida, seria uma novidade. Não parece completamente impossível porque todos os grandes candidatos têm questões a pairar no ar e quase todos eles têm segundas opções muito viáveis dentro da equipa. Será que Alaphilippe está suficientemente em forma? Será que Valverde ainda tem explosão suficiente? Será que o Mur de Huy se adapta a Pidcock e Roglic? Vansevenant e Vingegaard parecem em grande forma e quanto a Pidcock há várias opções.

Tendo isto em conta a estratégia parece óbvia, a Movistar é a equipa mais interessada em manter a corrida junta e deve assumir perseguições, a Jumbo-Visma vai enviar Vingegaard seguir todos os ataques perigosos e Vansevenant vai fazer o mesmo. As formações mais interessadas em partir a corrida são a Ineos (Pidcock, Kwiatkowski, Carapaz, Adam Yates, Tao Hart) e a UAE Team Emirates (Hirschi, Pogacar, Ulissi, Formolo).

 

Favoritos

Primoz Roglic já vai com 5 triunfos em 2021 e agora que Wout van Aert vai fazer um intervalo competitivo o foco da Jumbo-Visma está no esloveno. Na Amstel Gold Race estava muito bem, a controlar a prova, até que problema mecânico na última passagem pelo Cauberg o afastou da luta. Por um lado, também foi bom, não foi tão ao limite e vai estar mais fresco aqui. A grande questão é se o Mur de Huy é uma subida talhada para Roglic. Achamos que sim depois do que já vimos o esloveno fazer em subidas curtas e inclinadas.



O estado de forma é absolutamente decisivo e o ciclista do momento é Thomas Pidcock, um estreante nesta corrida. A chegada das Ardenas levou-o a atingir um pico e é preciso recordar que Pidcock não é só um puncheur, no Baby Giro em 2020 até ganhou etapas de alta montanha, longas chegadas em alto. É muito versátil e o facto de ter uma fortíssima equipa com ele dá-lhe outra tranquilidade.

 

Outsiders

Será Alejandro Valverde capaz de, aos 40 anos, voltar a ganhar na Fleche Wallonne? O último mês foi excelente para o espanhol, reapareceu ao mais alto nível e com 4 vitórias nesta mítica subida, não pode ser descartado. Sabe que pode ser a última grande oportunidade de vitória aqui, surpreendeu no sprint pelo 4º posto na Amstel, onde só foi batido por Matthews.

Julian Alaphilippe não nos parece a 100%, ainda assim poderá somar o seu 3º triunfo no Mur de Huy amanhã. O francês tem sido bastante transparente sobre o seu estado de forma, por um lado a subida assenta-lhe que nem uma luva, por outro lado sempre que alguém ganhou aqui estava em grande forma.



David Gaudu pode vir a ser uma grande surpresa amanhã, será a primeira vez que vem para a Fleche Wallonne para discutir a corrida. Após um Paris-Nice de grande desilusão, aparece em grande na Catalunha, ao ganhar a última etapa e na Amstel esteve bem integrando o grupo da frente. Tem as características certas para ter sucesso aqui, é pequeno, leve e explosivo.

 

Possíveis surpresas

Marc Hirschi nitidamente não está tão bem como em 2020, o suíço disse isso no final da Amstel Gold Race, falta-lhe aqueles 5% extra e aqui isso será decisivo. A UAE tem de jogar com os números, veremos o que consegue Tadej Pogacar. Para o campeão do Tour em 2020 obviamente era bom conseguir um resultado positivo aqui, mas a prioridade é a Liege-Bastogne-Liege. No entanto, descartar um talento como Pogacar é quase criminoso. No papel este é um excelente final para Michael Woods, resta saber como o canadiano realmente está depois de cair na Volta ao País Basco, foi 12º em 2016, 11º em 2017 e 3º em 2020. Quem também esteve no pódio no ano passado foi Benoit Cosnefroy, mas o francês teve problemas de lesões este ano e só recentemente voltou à competição. A Ineos-Grenadiers tanto pode apostar tudo em Pidcock, como tentar rebentar com a corrida, nesse caso Adam Yates é um nome que salta à vista e que vai querer a prova bem dura. Mauri Vansevenant foi uma das grandes figuras da Amstel e já em 2020 tinha ameaçado fazer algo muito especial aqui, conhece muito bem as estradas e não tem medo de atacar. Maximilian Schachmann foi o único capaz de seguir Wout van Aert e Pidcock na Amstel, o alemão não é totalmente alheio a esta clássica e é explosivo, foi 8º em 2018 e 5º em 2019. Dylan Teuns já deu laivos de estar em boa forma, aqui será tirada a prova dos nove, o belga da Bahrain já esteve no pódio em 2017. Warren Barguil gosta muito desta corrida, 9º e 2016, 6º em 2017 e 4º em 2020, o top 10 é bem provável. Michael Matthews vai tentar aguentar ao máximo com os melhores, Jakob Fuglsang vai tentar voltar aos melhores momentos, é muito provável que Tim Wellens ataque de longe e olho ainda em Bauke Mollema, que é muito regular aqui. É a Fleche Wallonne, temos de mencionar Jelle Vanendert, alguém que foi 3º em 2018, 4º em 2012, 6º em 2011 e 2014 e 9º em 2019.



 

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