O World Tour não para e a preparação para os Mundiais e Vuelta tem nova paragem na Polónia. Derradeira prova por etapas antes destes grandes objetivos, com João Almeida de regresso à estrada e em busca do título.

 

Percurso

Etapa 1

A prova abre com uma etapa de 234 kms entre Gdynia e Koszalin. Não é propriamente uma etapa plana, com vários sprints intermédios e metas especiais, a maior dificuldade do dia será a 3ª categoria situada em Góra Chełmska com 1,5 km e inclinação média 4% e com o topo da mesma situado a 6 kms do risco de meta. É uma subida que pode fazer alguma diferença, veremos se vai ser atacada e complica a vida para os velocistas, ainda para mais com um desgaste de 200 quilómetros nas pernas.



Etapa 2

Esta etapa de 150,8 quilómetros entre Międzyzdroje e Szczecin está totalmente desenhada para velocistas puro. Não apresenta dificuldades, a chegada tem de ser muito bem preparada pelas equipas que pretendem posicionar comboios, porque a chegada tem com rotundas, ilhas e curvas técnicas e todos tem de estar com muita atenção.

 

Etapa 3

190 quilómetros entre Gorzów Wielkopolski e Zielona Góra, mais uma jornada muito semelhante às chegadas de clássicas de um dia e nem a 3ª categoria situada em Przylep com a sua extensão de 1,1 kms e uma inclinação média de 4,2%, retira a hipótese de ser um sprinter a vencê-la. É a última etapa mais acessível, as equipas dos sprinters não vão desperdiçar.

 

Etapa 4

Aqui está a primeira etapa de montanha, e é aqui que vai começar a luta pela classificação geral. É uma etapa de 175,5 quilómetros construída de forma muito inteligente, durante mais de metade do percurso o terreno permite uma corrida controlada, mas os últimos 70 quilómetros concentram três subidas importantes. Antoniów (7,4 km a 8%) fará a primeira seleção, Borowice (4,6 km a 5,7%) aumentará o desgaste e a chegada a Karpacz (7 km a 6,2%) deverá decidir a etapa e provocar as primeiras diferenças sérias na luta pela vitória final da Volta à Polónia. Os últimos 1100 metros a 8,3% não são categorizados mas serão decisivos.

 

Etapa 5

Com uma distância de 218,5 quilómetros entre Opole e Kocierz Resort, a etapa vai provocar desgaste ao longo de mais de 200 km, mas guarda toda a decisão para os últimos quilómetros. Przełęcz Przegibek (4,1 km a 5,7%) vai eliminar muitos gregários e prepara o terreno para a chegada ao Kocierz Resort (1,5 km a 11,5%), uma rampa muito inclinada onde a potência e a explosividade serão determinantes, que termina a cerca de 1000 metros da chegada.

 

Etapa 6

Jornada muito dura que pode servir para abrir as hostilidades logo de início e para as equipas que vêm com mais opções para a geral. São apenas 126 kms ao todo, mas com quase 2800 metros de acumulado. Os primeiros 65 kms contêm subidas com 5,3 kms a 5,9%, 2,9 kms a 8,1%, 1,6 kms a 9,8%, um início complicado que pode fragmentar o pelotão. A parte final é feita em circuito, a ser percorrido por 3 vezes, com destaque para 1600 metros a 9,8% a cerca de 13 kms do fim, antes da derradeira subida com 1600 metros a 7,9% que termina a menos de 2 kms do fim.




Etapa 7

Para finalizar a Volta a Polônia, temos um contrarrelógio individual de 12,4 kms na cidade de Wieliczka e depois de duas etapas decisivas e apesar desta etapa de ser um esforço curto, é suficiente para provocar alterações importantes na classificação geral, caso ela esteja ainda em aberto e com a subida logo no inicio de 1,7 quilómetros e inclinação média de 5,7%, pode causar diferenças de segundos na geral.

 

Táticas

Este é um traçado relativamente acessível, só mesmo a etapa de Bukowina creio que poderá fazer grandes diferenças no que toca à classificação geral, é onde dá também para atacar de longe e usar a equipa como arma ofensiva caso haja superioridade numérica. Nas restantes etapas de montanha, as dificuldades estão todas na chegada e as diferenças serão de pequenos segundos. Mais que tudo isto, o contra-relógio será ainda mais importante.

João Almeida regressa à competição mas também é a grande incógnita da prova. O português lidera uma UAE Team Emirates com várias opções, a equipa a abater, pelo que muito vai depender do que quiserem fazer da corrida. Acredito que vão atacar e não correr na defensiva, nunca se sabe como João Almeida vai estar nestes primeiros dias e isso pode levar a cenários mais alternativos e a um vencedor surpresa.

 

Favoritos

João Almeida – o português está de regresso! Após um Dauphiné muito discreto, tal como grande parte da temporada, Almeida regressa a uma competição de boas memórias, já aqui ganhou em 2021 e foi 2º em 2023. Num percurso não muito duro, o contra-relógio vai ser decisivo e, aí, o ciclista da UAE Team Emirates vai tirar vantagem. É um teste importante à sua condição física.

Magnus Sheffield – um ciclista um pouco irregular mas que tem um trajeto ideal para si. Finais em subidas não muito longas e mais explosivas e um contra-relógio algo duro, perfeito para o norte-americano melhorar o 5º lugar de 2024. Em forma e focado, Sheffield é um ciclista muito perigoso, mas por vezes é alguém muito difícil de prever.

 

Outsiders

Jan Christen – uma verdadeira caixinha de surpresas mas estamos sempre à espera de um ataque do helvético. Numa dessas movimentações pode vir a ter sucesso e ganhar uma vantagem decisiva e com a UAE Team Emirates a ter várias opções, pode estar mais perto disso. Tem de saber escolher melhor o timing dos seus ataques.



Santiago Buitrago – não corre desde a queda no Dauphiné mas todos sabemos do perigo que é em provas de uma semana. A ter uma temporada algo discreta, o colombiano tem de começar a mostrar a sua qualidade, senão começa a perder algum espaço na Bahrain. Gostava de um percurso ainda mais duro, mas já é suficiente para fazer diferenças e estar na discussão.

Finn Fisher-Black – percurso perfeito para o neozelandês que, por vezes, consegue atingir um excelente nível. Excelente puncheur e bom contra-relogista, Fisher-Black não podia pedir melhor percurso para as suas características. Em ano de contrato, quererá mostrar-se às grandes equipas.

 

Possíveis surpresas

Ivan Romeo – regresso à competição após ter falhado o Tour por lesão. Em teoria, este é o percurso ideal para o antigo campeão espanhol, subidas curtas e explosivas e um contra-relógio a acabar. Será que a falta de competição vai pagar fatura principalmente nos últimos dias?

Neilson Powless – pouca competição em 2026 devido a uma lesão mas regressou na Áustria e já ganhou, foi importante para ganhar confiança. O percurso não muito duro beneficia o norte-americano, se apresentar o seu nível habitual estará na discussão da corrida.

Wilco Kelderman – o novo campeão neerlandês estreia a sua camisola aqui, maior motivação que esta não deve haver! Tem sido mais gregário que líder, só que a Visma vem com um bloco bastante novo, Kelderman pode aproveitar a rara oportunidade para conseguir um resultado pessoal.

Christian Scaroni – as etapas de montanha são perfeitas para o italiano, chegadas mais explosivas onde consegue ganhar tempo à concorrência. O problema será o contra-relógio, vai sair penalizado. Se quiser vencer tem de ganhar tempo até lá.




Aleksandr Vlasov – noutros tempos estaria mais acima na lista mas as últimas temporadas não têm sido as melhores do russo. Apesar de tudo, tem aparecido a espaços e, numa Red Bull-BORA sem um grande líder, pode ter a sua oportunidade para brilhar.

Maximilian Schachmann – se fosse há uns 5 anos até estaria mais bem cotado, mas a veterania já começa a pesar nas pernas do alemão. Um especialista de provas de uma semana com um percurso equilibrado, pode conseguir aqui um resultado importante que o catapulte para um bom final de época.

Marco Brenner – não o vemos a vencer mas pode ser uma bela surpresa e intrometer-se no top-5. O ainda jovem alemão continua a dar passos sustentados no ciclismo, chegou como jovem promessa mas demorou a corresponder. A Tudor tem tido paciência com Brenner, é fundamental para bons resultados. Sairá beneficiado com o contra-relógio.

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Louis Barré e Adrien Boichis.

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