Depois da passagem pela Figueira da Foz, o ciclismo vira-se para o sul de Portugal para mais uma edição da Volta ao Algarve! Com o percurso a regressar ao seu padrão habitual e um pelotão recheado de grandes estrelas, teremos João Almeida a conquistar o triunfo final?
Percurso
Etapa 1
A primeira etapa da “Algarvia” muda um pouco de figurino este ano, com a prova a começar em Vila Real de Santo António e terminar em Tavira. Apesar de duas cidades muito próximas, a organização consegue esta quilometragem toda com uma incursão não muito dura pela Serra Algarvia, com 2 contagens de 3ª categoria em Mercador e Faz Fato. O final em Tavira é bastante técnico, têm acontecido algumas quedas nas últimas temporadas e é preciso entrar bem posicionado na reta da meta que é em ligeira subida.
Etapa 2
Chegada ao Alto da Fóia, só que aqui surge uma das inovações, com uma vertente diferente a ser colocada em prova. A aproximação à subida final faz-se por Casais (2 kms a 7,9%). A subida final deste ano tem Fóia, este ano com 8800 metros de extensão a 6,2%, com o início a ser uma das partes mais duras com 1300 metros a 9,1%! O terreno aligeira um pouco e volta a inclinar bastante a 4 kms do fim com mais 1700 metros a 9,7%, rampas essas que terminam a menos de 2 kms do fim. É aqui que têm de se fazer as diferenças.
Etapa 3
O contra-relógio individual volta ao seu perfil habitual, este ano em Vilamoura, com 20 kms de extensão e num percurso maioritariamente rolante e exposto no miolo do mesmo e uma ou outra zona mais técnica. Apesar de tudo, o perfil tende a ser sempre mais duro do que parece, o que permite aos trepadores andarem ali a rondar o top 20 e a defenderem-se.
Etapa 4
Albufeira e Lagos voltam a estar no menu da Volta ao Algarve, duas cidades habituadas a receber os ciclistas, naquela que se espera a última chegada ao sprint da prova. O miolo até traz algumas dificuldades no entanto as equipas dos homens rápidos devem conseguir controlar qualquer aventura e levar tudo para uma chegada em pelotão compacto. A aproximação é a mesma de sempre, uma zona técnica antes do quilómetro final e depois uma longa recta. Veremos se este ano não há confusão e os ciclistas não irão pelo lado errado da estrada!!
Etapa 5
Ai Malhão, Malhão, que estragos vais fazer no pelotão? Com partida de Faro, é uma jornada muito dura para esta altura do ano, um carrossel pela Serra Algarvia, com passagem por Soidos (2,1 kms a 7%) antes do Alto do Malhão, repleto de fãs da modalidade ao longo dos 2500 metros a 9,8%. Haverá 2 passagens pela icónica subida, com a subida de Soidos a poder desempenhar um papel decisivo.
Tácticas
O percurso tradicional volta a trazer as dinâmicas habituais na competição portuguesa. A chegada à Fóia não costuma ser muito seletiva, este ano é feita por uma vertente diferente mas também não esperamos diferenças muito grandes, apesar de haver dificuldade para isso. A superioridade numérica pode vir a ser fundamental, UAE Team Emirates, Red Bull-BORA-hansgrohe e INEOS Grenadiers têm várias cartas para jogar e pode ser importante.
O contra-relógio vai colocar todos nos seus respetivos lugares e depois a etapa do Malhão costuma ser sempre muito boa. Os trepadores encontram-se atrasados, são obrigados a atacar de longe e levam a uma corrida muito rápida e descontrolada que já levou a várias reviravoltas impressionantes. Estão lançados os ingredientes para 5 grandes dias de competição.
Favoritos
João Almeida – está aqui o primeiro objetivo da temporada! A correr em casa, o português vai querer conquistar a prova pela primeira vez na carreira, ele que vem de ser 2º em Valência. Foi 2º no ano passado, a ambição só pode ser uma, ainda por cima num percurso que lhe assenta que nem uma luva. Tem o melhor bloco da prova, será importante para as etapas de montanha.
Juan Ayuso – deverá estar mais motivado que nunca! Estreia com as novas cores, correr perto de casa e … contra a sua antiga equipa. Ayuso é um ciclista enigmático mas temos a sensação que irá entrar cheio de ganas e mostrar que é um dos grandes líderes da Lidl-Trek. As chegadas mais explosivas beneficiam o espanhol e no contra-relógio, quando está bem, anda como poucos.
Outsiders
Brandon McNulty – noutra qualquer equipa seria líder indiscutível, na UAE Team Emirates é uma alternativa. O norte-americano não é conhecido por ser um grande colega de equipa mas não podemos apontar nada na Figueira da Foz. Aqui tudo vai depender da dinâmica da corrida e como se vai defender na Fóia e no contra-relógio, onde até pode ganhar tempo. Na etapa do Malhão pode ser jogado de longe.
Florian Lipwotiz – estreia em 2026 para o alemão que com o que Evenepoel anda a fazer tem de mostrar rendimento imediato. Está longe de ser um percurso perfeito para Lipowitz, preferiria mais dureza e subidas mais longas mas também se adapta a estes traçados mais ao estilo de clássicas. O contra-relógio será um teste importante.
Paul Seixas – estamos expectantes para ver o que o jovem francês é capaz. Deu um salto qualitativo impressionante na segunda metade de 2025, está pronto para outros voos! Tal como Lipowitz preferiria subidas mais longas mas aí também cabe à sua equipa tentar endurecer a corrida ao máximo para a tornar mais complicada. Perdendo algum tempo na geral pode ter mais liberdade e, aí, será um perigo.
Possíveis surpresas
Kevin Vauquelin – uma das 3 opções da INEOS mas aquela que nos parece mais fiável nesta altura da temporada. O francês tende a começar bem as épocas e este é o tipo de percurso onde se destaca, subidas não muito longas e mais explosivas. Contra si tem o facto de não correr deste o Tour, veremos se não afeta.
Thymen Arensman – outra alternativa na INEOS, uma caixinha de surpresas. Nunca sabemos o que esperar do gigante neerlandês, um ciclista muito talentoso mas que às vezes demora a carburar. Não seria de estranhar ver a descolar cedo na Fóia mas se passa esse dia sem perder muito tempo pode tornar-se perigoso.
Oscar Onley – a última carta da equipa britânica mas também a que gostaria de um percurso mais duro, com muito mais montanha. Apesar de tudo, o britânico quererá estrear-se bem pela sua equipa. Contra si vai ter o contra-relógio, onde acabará por perder tempo importante.
Daniel Martinez – um dos antigos vencedores presentes e que em 3 presenças conta com … 3 pódios, o que mostra a sua valia neste tipo de percursos. Com Lipowitz na equipa poderá estar mais amarrado mas também pode significar mais liberdade e menos marcação por parte dos favoritos.
Matthew Riccitello – vem de ganhar o Tour de la Provence, a forma está lá mas o contra-relógio vai acabar com as suas ambições na geral. Será um dos destaques nas duas etapas de montanha e, principalmente, um apoio para Seixas.
Max Poole – esteve muito discreto na Figueira da Foz, mas sendo o primeiro dia de competição também não podemos assumir muito. Numa Picnic que tem de maximizar os seus resultados, o britânico quererá mostrar serviço.
Maximilian Schachmann – pódio no já longínquo ano de 2020, quando este tipo de percurso lhe assentavam que nem uma luva e era um perigo autêntico. Agora não o vemos a poder almejar a mais do que um top-10 final.
Jarno Widar – um dos grandes talentos do pelotão internacional, esteve em grande destaque na Figueira da Foz, o que mostra muita qualidade para este tipo de subidas. Vai perder muito tempo no contra-relógio, o que o vai afastar dos primeiros lugares.
Thomas Gloag – o britânico foi muito afetado por lesões nas últimas temporadas. Agora na Pinarello Q36.5 entrou bem na Figueira da Foz e motivado com 10º lugar final. A qualidade não desapareceu, tem para dar e vender, tem é de se afastar dos azares.
Super-Jokers
Os nossos Super-Jokers são Lennard Kamna e António Morgado.