Antevisão da Volta ao País Basco

Espanha continua a acolher os ciclistas do World Tour, desta vez com o País Basco e os seus fervorosos adeptos a fazerem parte do espectáculo que se espera ao longo da semana.

 

Percurso

Etapa 1

A edição deste ano da Volta ao País Basco abre com um contra-relógio individual em Bilbao. Como seria de esperar, poucos são os metros planos nos 13500 metros do percurso.

A abrir, 2300 metros a 6,9% (com rampas a passarem os 11%!) sendo que depois se inicia uma descida muito rápida de praticamente 8 quilómetros. 3 quilómetros planos antecedem os derradeiros 500 metros, uma autêntica parede a 9,8% de inclinação média!




Etapa 2

A primeira etapa em linha da competição é relativamente fácil na sua fase inicial, com cerca de 130 quilómetros não muito complicados. Os derradeiros 20 quilómetros mudam de figurino com uma longa subida a anteceder uma longa descida. Falamos da La Asturiana (7,7 kms a 6,2% onde os primeiros 3,8 kms são a 8,8%).

A longa descida que já referimos deixa o pelotão à porta dos derradeiros 1000 metros que são tudo menos fáceis uma vez que a chegada a Sestao tem os últimos 800 metros a 7,4%.

 

Etapa 3

Tempo para a primeira chegada em alto! 167,5 quilómetros que podemos resumir, novamente, aos últimos 20 já que contém 3 subidas. A primeira nem é categorizada, tem 2100 metros a 5,7% e servirá de teste para Malkuartu (2,7 kms a 5,9% com o primeiro km a 10,2%).

No topo ficam a faltar 9500 metros para chegada sendo que tudo se vai decidir nos duríssimos 3100 metros finais da subida para Ermualde. 10,2% de média, uma parede onde o miolo tem um quilómetro a 15,6%. O final é praticamente plano pelo que as diferenças têm que ser feitas anteriormente.

 

Etapa 4

A meio da competição surge um dia onde a fuga poderá ter o seu sucesso. Etapa longa, com praticamente 190 quilómetros, e onde as principais subidas surgem longe da meta. O pelotão entra em terreno conhecido, mais concretamente da Classica San Sebastian.

A cerca de 50 quilómetros da chegada, o pelotão começa a subir Jaizkibel (7,9 kms a 5,5%) e 10 quilómetros depois aparece Erlaitz (4 kms a 10,4%) duas subidas presentes na clássica basca que se costuma disputar nos finais de Julho.

Passada a última subida, ficam a faltar 22 quilómetros, pouco mais de metade em descida e o restante em plano até à chegada em Hondarribia.




Etapa 5

Nova etapa difícil de prever com clássicas subidas bascas, curtas e duras, longe da meta mas desta vez com a particularidade de pequenos topos bem perto da meta, o que pode favorecer ataques de homens da geral na chegada a Ondarroa.

Gontzagarigana (2,7 kms a 6,2%) e Urkaregi (5,1 kms a 4,7%) são as subidas mais duras do dia, terminando a 30 quilómetros da chegada. A partir daqui, dificuldades só nos últimos 7 quilómetros, primeiro com 600 metros a 7% e, a 1500 metros da chegada, 500 metros a 4,5%.

 

Etapa 6

A classificação geral só ficará decidida no último dia, uma etapa curta e explosiva com chegada a chegada ao Santuário de Arrate. Já depois de 4 contagens de montanha nos primeiros 43 quilómetros, os ataques mais sério podem começa na subida a Krabelin (5 kms a 9,5%) que termina a pouco mais de 20 quilómetros do fim.

Depois há Trabakua (3,3 kms a 6,9%) e 3 pequenos topos, antes da ascensão a Arrate, um clássico nesta Volta ao País Basco. Rampas temíveis, que não traduzem bem os 5900 metros a 7,4%. O último quilómetro é a descer e geralmente quem faz a descida na frente sai vencedor.

 

Tácticas

Olhando para o traçado, é duro (nada fora do normal na Volta ao País Basco), mas não tem grandes montanhas. São subidas na sua maioria a rondar os 5 kms, o que abre o apetite a muitos ciclistas. O próprio contra-relógio tem 2 subidas, o que anula o potencial para fazer diferenças, o que quer dizer que deverá ser tudo à base da força em estradas bascas.



Em relação a ataques de longe, a última etapa é claramente a mais interessante e há terreno para isso. No entanto é também a mais curta e já vai haver muitas diferenças na geral. Poderemos ver algumas tentativas na 4ª etapa, em Jaizkibel, mas será complicado vermos grandes emboscadas. Isso significa que a equipa não será tão preponderante como é habitual.

Há equipas que têm de fazer pela vida e tentar algo de diferente se querem contrariar o favoritismo de Pogacar, Roglic, etc, tendo várias opções. A Astana tem de se mostrar e subir o nível, tem uma excelente equipa e continua a seco em 2021, a Bora-Hansgrohe tem 4 boas opções, mas nenhuma parece em condições de fazer pódio de caras e mesmo a Bahrain pode tentar algo audaz visto que as subidas são explosivas demais no geral para Mikel Landa.

 

Favoritos

Primoz Roglic sofreu uma grande desilusão ao perder o Paris-Nice na última etapa, uma prova que já parecia ganha. 2 quedas abalaram o esloveno, mas todos sabemos como Roglic tem bastante fome de vitória e como costuma lidar com contratempos destes. O percurso é perfeito para ele, subidas de média dimensão e explosivas, alguns sprints em pelotão restrito podem acontecer e o contra-relógio também é bom para ele. Quanto à equipa, Oomen e Vingegaard parecem muito bem.



Alejandro Valverde renasceu por completo nas últimas 2 semanas quando parecia muito longe do nível de outras épocas. A falta de alta montanha é óptima para o espanhol, que provou ainda ter alguma explosão este fim-de-semana. A Movistar ainda agora começou a vencer e quer manter esta senda, para isso será decisivo Enric Mas, que teve uma queda feia na clássica de Sábado.

 

Outsiders

Tadej Pogacar tem dominado as últimas provas por etapas. O vencedor do último Tour fez o UAE Tour e ganhou, fez o Tirreno-Adriatico e dominou a seu belo prazer. Também é explosivo, tem um bom sprint e um bom contra-relógio, espera um fratricida duelo de eslovenos. A equipa da UAE é boa, com Polanc, McNulty, Hirschi, Conti e Majka no apoio.

Adam Yates tem sido o melhor ciclista da Ineos-Grenadiers este ano nas provas por etapas, controlou e ganhou a Volta a Catalunha e também possui alguma explosão. O contra-relógio será um problema para Yates, que já no UAE Tour foi o único capaz de acompanhar de perto Tadej Pogacar.



Esteban Chaves foi um ciclista de alma e capacidade renovada na Volta a Catalunha, e que bom é ver o colombiano de volta. Chaves sempre foi mais forte neste tipo de ascensões que propriamente na alta montanha, não tem medo de atacar e é um corredor que não é da primeira linha, não sendo muito marcado.

 

Possíveis surpresas

Michael Woods tem aqui uma excelente oportunidade para fazer um top 5, as subidas da Volta ao País Basco são perfeitas para a sua capacidade de explosão a subir. O problema do canadiano será o contra-relógio, é forte candidato a 1 etapa. Com as explosivas ascensões bascas a serem curtas demais para o motor a gasóleo de Mikel Landa, veremos se a Bahrain-Victorious dá liberdade a Pello Bilbao, que está claramente em subida de forma. Veremos o que Richard Carapaz consegue fazer, o equatoriano já deu boas indicações na Volta a Catalunha, onde ganhou ritmo, deve estar mais forte aqui e vai querer testar-se contra os seus rivais. Muito cuidado com o jovem Mauri Vansevenant, vencedor do G.P. Industria onde esteve junto de Mollema, Landa e Quintana, gosta destas subidas curtas e inclinadas como já provou na Fleche Wallonne. Bauke Mollema fará aqui um teste importante tendo em vista as clássicas, esteve muito bem no Tour du Haut Var e nas clássicas italianas, é candidato a top 5, não vemos como poderá ganhar. A EF Education-Nippo tem 2 cartas para jogar em Hugh Carthy e Sergio Higuita, no entanto nenhum deles parece propriamente no seu melhor, terão o top 10 como objectivo. Tanto a Bora-Hansgrohe como a Astana têm de fazer algo mais alternativo e original se querem ganhar esta corrida. A equipa alemã tem Wilco Kelderman, Patrick Konrad, Maximilian Schachmann e Emmanuel Buchmann, todos candidatos ao pódio, mas que dificilmente conseguem fazer diferenças e seguir as acelerações dos favoritos, enquanto a Astana tem Ion Izagirre e Jakob Fuglsang e terá esperança na subida de forma do dinamarquês. Veremos ainda se David Gaudu consegue regressar a uma forma que lhe permita lutar pelos primeiros lugares.



 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são James Knox e Gino Mader.

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