Decorreu esta manhã a apresentação da Volta a França de 2027! Este é sempre um momento muito aguardado, já que é a partir daqui que o calendário dos ciclistas começa a ficar mais definido. Os rumores eram muitos e já existiam algumas certezas, mas também não faltaram as habituais surpresas.



Como já era sabido, o Tour do próximo ano começa no Reino Unido, a 2 de julho, com as três primeiras etapas a decorrerem em solo britânico. Os sprinters vão lutar pela primeira maillot jaune em Carlisle, com Liverpool a acolher uma segunda chegada ao sprint. A despedida do Reino Unido faz-se com uma etapa ao estilo das clássicas, com final em Cardiff. A Côte de Caerphilly (2 km a 8,2%), situada a apenas 10 km da meta, poderá ser decisiva.

Após um dia de descanso, dedicado à transferência dos ciclistas e de toda a logística, o pelotão do Tour chega a França pelo norte, com duas etapas relativamente simples, mas com finais em pequenos muros, perfeitos para os puncheurs presentes. A 6.ª etapa é totalmente plana e promete mais uma batalha entre os sprinters, antecedendo o primeiro contra-relógio da prova, com 38 km e um percurso igualmente plano. O fim de semana chega com uma etapa de média montanha, particularmente dura nos últimos 50 km, antes de a primeira semana de competição terminar com a primeira etapa de alta montanha e o primeiro final em alto, no Grand Colombier (17,4 km a 7,1%).

Depois do merecido descanso, não haverá muito tempo para recuperar! Seguem-se duas etapas bastante exigentes. A primeira termina em Sallanches e inclui a passagem pela Côte de Domancy (2,5 km a 9,4%), numa espécie de antecipação dos Mundiais que decorrerão algumas semanas mais tarde. A segunda terá apenas 150 km, mas acumulará 4750 metros de desnível positivo. É dia da Bastilha, 14 de julho, e a etapa promete espetáculo, com passagens pelo Col de la Colombière (15,9 kms a 7%) e pelo Col du Pré (12,6 kms a 7,8%), antes da chegada à Montée de Bisanne (12,4 kms a 8,3%).



Depois de tanto sofrimento, seguem-se duas oportunidades para os sprinters, com finais em Valence e Montpellier. Aproxima-se mais um fim de semana, desta vez com uma chegada já bastante tradicional a Mende. A etapa de média montanha será marcada pela subida à Côte de la Croix Neuve (3 km a 10,1%), já na parte final. Antes de um novo dia de descanso, Albi acolhe o final da 15.ª etapa, um dia ideal para uma fuga, com oito subidas ao longo do percurso.

O descanso em Toulouse antecede… um novo contrarrelógio individual! Desta vez, serão 33 kms, num percurso praticamente plano, que inclui apenas uma subida de 800 metros a 12,4%. Antes de começarem as decisões finais da classificação geral, os sprinters terão mais uma oportunidade em Pau. A 18ª etapa traz a etapa-rainha desta edição, com 5400 metros de desnível positivo e passagens pelo Col du Soulor, Col du Tourmalet e Hourquette d’Ancizan, antes da chegada ao Col du Portet. A última etapa de montanha disputa-se no dia seguinte e promete mais um dia duro. O pelotão terá pela frente o Col de Burdincurutcheta (8,7 km a 9,3%), o Col de Soudet (15,2 km a 7,2%) e o Col de Marie Blanque (7,7 km a 8,6%), tudo isto em apenas 160 km. Sem uma chegada em alto, haverá espaço para ataques de longe e para estratégias mais ofensivas.



Ao contrário do habitual, o último fim de semana da Volta a França começa com uma etapa para os sprinters, com final em Libourne, antes de tudo terminar nos Campos Elísios, a 25 de julho. Apesar dos rumores, a subida a Montmartre mantém-se no percurso e será ultrapassada por três vezes. Resta saber como será feita a etapa e … se os tempos contarão para a classificação geral ou se teremos uma nova neutralização.

Globalmente, esta será uma Volta a França com um percurso bem mais acessível do que o de algumas edições anteriores, apesar dos 53 450 metros de desnível positivo acumulado ao longo dos 21 dias. Os 71 kms de contrarrelógio individual fazem desta edição a que terá mais quilómetros nesta especialidade desde 2012, ano em que Bradley Wiggins conquistou a vitória final. Um fator que poderá abrir as portas a outro perfil de ciclistas na luta pelos primeiros lugares.

Seis etapas de montanha, mas apenas dois verdadeiros finais em alto, várias etapas talhadas para os puncheurs e diversas oportunidades para os sprinters, incluindo no último fim de semana, fazem deste um Tour diferente do habitual.



A ASO parece ter procurado desenhar uma Volta a França mais aberta e menos previsível. Mas fica a grande questão: será que, mesmo assim, alguém conseguirá destronar Tadej Pogačar?

 

Percurso Tour de France 2027:

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