Análise às equipas presentes na Vuelta a Espanha 2021

AG2R Citroen Team

Um conjunto somente focado nas vitórias em etapa e que até tem boas chances de o conseguir, particularmente na montanha. Geoffrey Bouchard foi o rei da montanha na Vuelta em 2019 e no Giro em 2021, pode tentar isso aqui de novo. Se o francês não ficar embrenhado nessa luta e reservar alguma energia pode perfeitamente ganhar 1 etapa na montanha. Com Lilian Calmejane longe do seu melhor as atenções também estão viradas para Clement Champoussin, um talento que abandonou prematuramente o Giro e que está a ter a sua época de afirmação. Foi recentemente 6º no Tour de l’Ain.

Para os sprints haverá Clement Venturini, especialmente para aqueles que terminem em ligeiro topo, uma especialidade do francês. Não é um ciclista que consiga vencer a este nível, sendo possível o top 5. Stan Dewulf também está em boa forma e é uma alternativa.

Previsão: A Vuelta tem por hábito confirmar nomes que estão em subida internacionalmente, vai acontecer isso com Clement Champoussin, vencendo 1 tirada.




Alpecin – Fenix

Uma equipa que está a andar muito bem neste momento, todos parecem estar a render ao seu máximo. O foco estará nos sprints com Jasper Philipsen, um ciclista que andou a fazer pódios de etapa no Tour e que aqui terá menos concorrência. Já ganhou no passado pela UAE Team Emirates e é perfeitamente possível repetir o feito, principalmente porque tem Alexander Krieger, Scott Thwaites e Sacha Modolo como lançadores, um comboio de qualidade.

Tobias Bayer é um jovem talento que andou bastante bem em Burgos, Edward Planckaert provou recentemente que é um nome a ter em conta em finais explosivos e Jay Vine tem conseguido excelentes resultados em chegadas em alto, mas tem tido problemas com lesões.

 

Previsão: Tal como no ano passado, Jasper Philipsen vai deixar a sua marca na Vuelta com 1 vitória em etapa.

 

Astana – Premier Tech

Não está a ser uma grande temporada para uma equipa instável nas chefias, instável nos patrocínios e com ciclistas importantes de saída. Mas chegam aqui praticamente na máxima força e disposta a dar outra oportunidade a Aleksandr Vlasov. 4º no Giro em 2021 e 11º na Vuelta em 2020 o russo precisa de perder menos tempo na fase inicial para poder discutir o pódio. Deverá ser a sua última corrida antes de ir para a Bora-Hansgrohe.

O resto da equipa é constituída por um grupo de luxo de puncheurs, nomeadamente Omar Fraile, Gorka Izagirre, Ion Izagirre, Alex Aranburu e Luis Leon Sanchez, todos capazes de ganhar etapas e todos capazes de dar uma mãozinha a Vlasov na montanha. Se a Astana, com este alinhamento, sair daqui com menos de 2 vitórias em etapa, será uma Vuelta desapontante.

Previsão: Vlasov tem sido regular e vai terminar no top 10, com Alex Aranburu a salvar a honra do que toca às etapas.

Bahrain-Victorious

Este é um alinhamento que certamente assusta as equipas rivais pela força dos números. Sem um lote enorme de candidatos à geral e repleto de confiança depois de ganhar em Burgos o sempre ofensivo Mikel Landa procura aqui a tão desejada vitória. E diríamos que nunca teve uma equipa tão forte com ele como este ano.

Damiano Caruso teve uma oportunidade de ouro no Giro, agarrou-a com unhas e dentes e foi 2º, Jack Haig foi 5º no Dauphine e teve de abandonar cedo o Tour quando estava em grande forma, Gino Mader já ganhou 1 etapa na Volta a Suíça este ano, Mark Padun destruiu a concorrência em 2 etapas do Dauphine e foi 3º agora em Burgos, Wout Poels é dos melhores do Mundo nestas funções e Jan Tratnik é um rolador incrível. Isto vai assustar qualquer rival, veremos se a Bahrain joga com a força dos números, e se fizer isso podemos ter em mãos uma Vuelta tacticamente fascinante.

 

Previsão: Pódio final para Mikel Landa, numa demonstração de poderio da equipa do momento. 1 triunfo em etapa para o basco e outro para Mark Padun, com Caruso a acabar no top 10 também.




Bora – Hansgrohe

Não é propriamente uma Bora-Hansgrohe na máxima força que vem a esta Vuelta. O nome mais sonante é o de Maximilian Schachmann, que não tem capacidade na alta montanha para discutir a geral. O alemão está a andar muito bem desde o período das clássicas e será um perigo constante nas etapas de média montanha, podendo até surpreender numa fuga na alta montanha. Felix Grossschartner é outro bom trepador e deverá ser ele a aposta para o top 10 depois de ter feito 9º na Vuelta em 2020. O austríaco sabe que aos 27 anos e com tantas figuras importante a vir em 2022 poderá ser uma oportunidade importante, possivelmente uma das últimas deste género num breve futuro.

Com a saída de Peter Sagan e Pascal Ackermann a Bora-Hansgrohe acredita muito em Jordi Meeus e esta será a sua estreia em Grandes Voltas. O jovem belga já levantou os braços este ano na Volta a Hungria e será ajudado por Martin Laas, que até poderá sprintar ocasionalmente, o ciclista da Estónia mostrou na Arctic Race que consegue derrotar excelentes sprinters. Poderão eventualmente sprintar de forma alternada.

Previsão: Jordi Meeus ainda não está preparado para este nível, enquanto Maximilian Schachmann vai ganhar 1 tirada.

 

Burgos-BH

Vêm com o que têm, literalmente. E que não é muito. Daniel Navarro está bem longe dos seus melhores momentos e talvez até opte desde o início por lutar pela montanha. Jetse Bol gosta de finais explosivos, não vemos o holandês com capacidade de fazer melhor o que o top 10. Angel Madrazo será o habitual combativo que vai marcar presença em várias escapadas, enquanto ver a evolução de Ander Okamina, ex-triatleta, é a grande curiosidade.

 

 

 

Previsão: Uma equipa débil que vai sair com alguma exposição e de mãos a abanar.

 

Caja Rural – Seguros RGA

Chegam, como é habitual, com objectivos muito bem definidos e com 2 líderes com perfis distintos. Jonathan Lastra está a fazer uma excelente temporada, 4º na Volta ao Algarve, 6º na Vuelta a Andaluzia e 10º na Volta a Eslovénia, vamos ver se não está a acusar o desgaste nesta 2ª metade do ano. Caso ainda haja energia, é um perigo em chegadas explosivas em pequenos topos.

Jon Aberasturi é um sprinter que dá garantias, fez 2 pódios em etapa na Volta a Eslovénia e 1 pódio na Vuelta a Burgos, é bom a colocar-se e passa bem as subidas. Dificilmente vai ganhar, mas é perfeitamente possível vermos o experiente espanhol no top 5. Estamos com grande curiosidade sobre as fugas em que Julen Amezqueta esteja inserido. 3º na Vuelta a Andaluzia e recentemente 6º na Vuelta a Castilla y Leon, parece em boa forma. O resto dos corredores deve focar-se em fugas e somar pontos para a montanha.

 

Previsão: Alguns top 5 para Jon Aberasturi e boas exibições de Julen Amezqueta, mas nada mais.

 

Cofidis, Solutions Crédits

Mais uma vez a Cofidis faz all-in em Guillaume Martin. O gaulês foi 8º no Tour e foi o Rei da montanha na Vuelta em 2020, tendo estado perto da vitória em etapa por mais do que 1 vez. Martin é um corredor muito regular que claramente ganha pouco para a qualidade que tem, faltando perspicácia em certos momentos e o tal “killer instinct”. Vê-se em situações complicadas porque perde tempo no contra-relógio ou nas primeiras etapas, mas não tempo suficiente para ter liberdade plena para entrar em fugas, por não querer perder chances do top 10.

O núcleo de apoio será o habitual, com o trio espanhol composto por Jesus Herrada, José Herrada e Fernando Barceló, Barceló vem de um bom Tour de Wallonie, enquanto Jesus Herrada habitualmente anda bem na Vuelta e pode perfeitamente ganhar 1 etapa de média montanha. Remy Rochas é outro trepador a andar bem, enquanto Piet Allegaert será o ciclista para se imiscuir nos sprints, principalmente naqueles em etapas de média montanha.

 

Previsão: Guillaume Martin vai correr para o top 10 e vai conseguir ficar na classificação geral, voltando assim a sacrificar de certo modo a conquista de 1 etapa.




Deceuninck-QuickStep

Uma estrutura habituada a vencer e que vai querer mais do mesmo nesta Vuelta. Será o regresso aos maiores palcos para o convalescente Fabio Jakobsen e depois de uma longa recuperação e de um regresso progressivo os 2 triunfos no Tour de Wallonie foram um sinal brilhante de que Jakobsen está já a um excelente nível, possivelmente capaz de vencer uma etapa. O comboio será preponderante nisso, e será composto por Bert van Lerberghe, Zdenek Stybar e Florian Senechal, todos com experiência nestas funções e que terão liberdade fora das etapas planas.

Os trepadores James Knox e Mauri Vansevenant, um talento enorme, terão carta branca para irem à procura de etapas, sendo que Knox já foi 11º na Vuelta em 2019, podendo também querer o top 10. Muito cuidado com Andrea Bagioli nas etapas de média montanha.

 

Previsão: 2 tiradas para a formação belga, bem habituada a ganhar, 1 para Fabio Jakobsen e outra para Mauri Vansevenant.

 

EF Education – NIPPO

Para alguém que foi 3º na Vuelta em 2020 certamente o 8º posto no Giro de 2021 não satisfez Hugh Carthy, que esperava continuar a progredir. Mas o britânico tem aqui um percurso mais adequado às suas características, com subidas bem duras e inclinadas, os tradicionais “muritos”. Carthy ganhou a última etapa da Vuelta a Burgos e adora correr em Espanha.

A sua equipa de apoio não é de todo brilhante, particularmente na montanha, visto que Jens Keukeleire, Magnus Cort e Tom Scully são excelentes roladores. O britânico terá de confiar no seu compatriota Simon Carr, que está a realizar uma boa época para estar ao lado dele na montanha. Tradicionalmente a EF Education Nippo prefere que os gregários fiquem junto do seu líder e não em fugas.

Previsão: Equipa relativamente fraca, Carthy vai ganhar 1 etapa e fazer top 10, nada mais do que isso.

 

Euskaltel – Euskadi

Uma das equipas mais acarinhadas pelos fãs de ciclismo, infelizmente ainda sem o poderio de outrora. Mikel Bizkarra continua a ser uma das figuras de proa, um trepador de qualidade, mas que infelizmente não consegue seguir os melhores da geral em todos os momentos. Bizkarra pode ganhar se encontrar a fuga certa na alta montanha, em princípio na primeira metade da prova. Juan José Lobato é outro corredor muito experiente e que sabe o que é ganhar, só que o sprinter espanhol é dos corredores mais inconsistentes do pelotão e precisa de uma chegada desenhada para ele.

Depois de toda a juventude que completa a equipa basca destacamos Antonio Jesus Soto e Joan Bou, que estiveram em destaque no Troféu Joaquim Agostinho, e Gotzon Martin, um corredor completo e que ocasionalmente surpreende.

Previsão: Antonio Soto vai surpreender e arrancar um pódio, ainda falta maturidade para vencer 1 etapa.

 

Groupama – FDJ

Será Arnaud Demare capaz de salvar uma temporada bem abaixo do esperado com um par de vitórias na Vuelta. O francês tem essa responsabilidade em cima dos ombros, até porque é o sprinter mais conceituado nesta lista de participantes. Para além disso vem com o seu habitual comboio completo, encabeçado por Guarnieri e Sinkeldam.

Depois Kevin Geniets é um bom rolador e um bom puncheur, tendo evoluído bem em 2021 e Rudy Molard é a uma carta para a montanha que os gauleses têm, o 14º da Vuelta 2018 vai tentar surpreender na média montanha.

 

 

Previsão: Com este conjunto de sprinters e com este comboio, Arnaud Demare vai ter de ganhar 2 etapas e isso será fundamental para vencer a classificação por pontos.




INEOS Grenadiers

Para contrariar o poderio e a capacidade de Primoz Roglic, a Ineos Grenadiers aposta nos números e vem com uma equipa assustadora. Egan Bernal teve uma pausa saudável após o triunfo autoritário no Giro e em Burgos mostrou estar bastante bem após a queda da 1ª etapa que o retirou da geral. Será a sua estreia na Vuelta e se ganhar completa o seu currículo das Grandes Voltas. Sobre Richard Carapaz temos algumas dúvidas. É verdade que na Vuelta 2020 foi o único a rivalizar com Roglic e que acabou o Tour em boa forma, mas o título olímpico e tudo o que isso acarreta pode passar factura e veremos se o equatoriano teve a melhor preparação e acusa o desgaste.

Não faltam alternativas e os gregários de luxo, Adam Yates (vencedor da Volta a Catalunha, 2º no UAE Tour e 4º no País Basco e Pavel Sivakov (9º no Giro 2019) serão as alternativas caso aconteça algo aos 2 grandes líderes e são ciclistas perfeitamente capazes de fazerem top 10. Salvatore Puccio vai proteger os líderes no terreno plano, Dylan van Baarle é dos mais completos do pelotão internacional neste momento e Thomas Pidcock vai testar os seus limites nesta estreia em Grandes Voltas, que até poderá ser pontuada com triunfos em etapa, tal é a capacidade do britânico.

 

Previsão: Egan Bernal pareceu muito bem em Burgos e vai dar muita luta a Primoz Roglic, acabando em 2º e vencendo a juventude. Carapaz vai fazer top 10 e ganhar 1 jornada.

 

Intermarché – Wanty – Gobert Matériaux

Não é uma equipa com muitos argumentos e este alinhamento comprova isso mesmo. O líder para a classificação geral será Louis Meintjes, que vem de um 14º lugar no Tour e que já foi 10º na Vuelta em 2015. As subidas mais explosivas e inclinadas da corrida espanhola em teoria não favorecem o sul-africano, que também tem muitas debilidades no contra-relógio, será muito complicado fazer top 10. Outro experiente trepador é Jan Hirt, um corredor que costuma mostrar-se na última semana, quando o desgaste já é maior.

Para os sprints haverá Riccardo Minali, mas não só o italiano está a ter uma época muito pobre, como tem um comboio muito fraco ou inexistente. Em final de contrato, estará a jogar aqui a sua permanência na elite do ciclismo. Os puncheurs da equipa é que podem salvar a Vuelta numa fuga, Rein Taaramae vem de um bom Sazka Tour e Odd Eiking mostrou estar em excelente forma na Clássica San Sebastian e na Arctic Race.

Previsão: Odd Eiking costuma andar muito bem em provas menores e desiludir em Grandes Voltas, irá acontecer o mesmo, enquanto Meintjes faz top 15 e Hirt vai andar em fugas na 3ª semana.

 

Israel Start-Up Nation

Com o poderio financeiro que esta equipa tem é um bocado chocante ver este alinhamento para uma prova de 3 semanas. Os trepadores da equipa são Sebastian Berwick e James Piccoli, ambos com pouca ou nenhuma experiência a este nível.

Será nos sprints que a equipa se pode destacar, com Davide Cimolai à cabeça. O italiano fez um excelente Giro e até terminou em 2º na classificação por pontos. O problema é que desde essa corrida não deu boas indicações e o comboio é relativamente fraco. A maior esperança de triunfo será mesmo uma fuga praticamente milagrosa de Sep Vanmarcke ou Mads Wurtz Schmidt, porque de resto será mesmo muito complicado destacarem-se.

 

Previsão: Alinhamento fraco, Cimolai vai fazer um ou outro pódio, mas há comboios melhores.




Lotto Soudal

Caleb Ewan não recuperou a tempo e a equipa belga socorreu-se dos seus jovens, dando-lhes uma grande oportunidade para liderar e para ganhar experiência, que pode ser decisiva em 2022. À cabeça está Andreas Kron, dinamarquês que passa bem a média montanha e tem uma boa ponta final. Kron tem perfil de matador e este ano já leva triunfos na Volta a Catalunha e na Volta a Suiça. No Tour de l’Ain esteve na ajuda a Harm Vanhoucke, outro dos jovens aqui presente. Vanhoucke será o mais trepador do alinhamento, ele que este ano já foi 11º no Paris-Nice e 16º na Volta a Catalunha. Se escolher bem o momento e a fuga certa pode perfeitamente ganhar.

De resto Florian Vermeesch é um talento em crescimento nas clássicas, inclusivamente foi 9º no BinckBank Tour em 2020, Maxim van Gils está em grande forma, mas é muito inexperiente e Steff Cras até é, aos 25 anos, dos mais experientes aqui. Matthew Holmes será uma boa ajuda em fugas para estes jovens.

 

Previsão: Andreas Kron é um matador e vai provar isso, triunfando através de uma fuga.

 

Movistar Team

Todos estamos à espera de tácticas questionáveis e bons momentos para o documentário anual da Netflix e para isso a Movistar volta a apostar na táctica de 3 líderes. Pensamos que Alejandro Valverde já não tem capacidade para discutir o top 5, deve focar-se em ajudar Lopez e Mas, com o pensamento de ganhar uma ou outra etapa. Enric Mas é o líder mais regular, foi 5º, 5º e 6º nas últimas 3 Grandes Voltas em que participou, a grande questão é se o espanhol é capaz de dar o salto para ser uma ameaça regular aos pódios.

Miguel Angel Lopez é de todos o corredor mais perigoso para os rivais, o que tem mais potencial de fazer perigar o pódio na alta montanha. Mas para isso o colombiano precisa que todas as etapas lhe corram bastante bem fora da montanha e precisa de ser mais regular nos seus desempenhos. A recente renovação de contrato dar-lhe-á outra tranquilidade. O lote composto por Imanol Erviti, Nelson Oliveira, Johan Jacobs e Jose Joaquin Rojas não tem nenhum trepador, restando Carlos Verona para a montanha, o que é manifestamente pouco. Não nos parece ser equipa para ganhar a Vuelta e talvez nem para pódio.

 

Previsão: Temos o feeling que Lopez não chega ao final da Vuelta e será novamente Mas a fechar top 5, com Valverde a ganhar 1 etapa.

 

Team BikeExchange

Michael Matthews regressou este ano, uma grande aposta da formação australiana e “Bling” ainda não picou o ponto, a pressão está nele para conseguir isso e há um conjunto de etapas que são boas para as suas características, é de esperar a Bike Exchange a ajudar a controlar certos dias. Isso deve tapar um pouco os caminhos a Robert Stannard, que tem em parte características semelhantes a Matthews. Ainda assim, o jovem de 22 anos poderá ter 1 ou 2 chances.

Para a classificação geral não haverá grande pressão, Lucas Hamilton e Nick Schultz estão a fazer excelentes temporadas fora das Grandes Voltas e procuram confirmar isso mesmo aqui, especialmente Lucas Hamilton. Mikel Nieve é uma alternativa interessante, o basco mostrou estar em boa forma em Burgos e é um mestre da 3ª semana e dos dias mais duros. Se apostarem na conquista de etapas podem ser muito felizes.

 

Previsão: Matthews vai salvar de certa forma a sua temporada com 1 triunfo em etapa, nenhum Bike Exchange vai fazer top 10 na geral e Nieve vai andar na luta pela montanha.

 

Team DSM

All-in completo em Romain Bardet. A Team DSM está a ter uma época péssima e tenta aqui limpar um pouco a sua imagem. Para isso irá precisar de um brilharete do francês que foi 7º no Giro e recentemente andou bem na Vuelta a Burgos, vencendo 1 etapa. A preparação parece boa e a equipa de apoio com Michael Storer e Chris Hamilton também não é nada má, mas será suficiente para fazer pódio numa Grande Volta? Duvidamos muito.

Para os sprints chega o jovem Alberto Dainese, muito inexperiente e sem grande comboio (talvez apenas Nico Denz), não é de esperar muito dele, talvez um ocasional top 5 quando conseguir seguir a roda certa. Estamos curiosos em relação a Thymen Arensman, 11º no Tour de Romandie, andou bem na Vuelta em 2020.

 

Previsão: A DSM tem desiludido e Romain Bardet não será capaz de melhorar o seu 7º lugar do Giro, perdendo o seu top 10 na última semana.




Team Jumbo-Visma

Primoz Roglic chega aqui para defender o seu título depois de uma época no mínimo conturbada, mas que teve no título olímpico de contra-relógio uma bela nota. O esloveno é dos corredores mais resilientes que nos lembramos e vai chegar aqui completamente focado e aparentemente em boa forma. Em princípio irá melhorar a sua condição física com o avançar da competição, ter poucos dias de competição em 2021 pode ser uma vantagem.

A equipa de apoio é excelente, praticamente não se podia pedir mais. Para a montanha haverá Sepp Kuss, um gregário de luxo, perfeito para esta função e que até poderá perder tempo nos primeiros dias para poupar energia. Steven Kruijswijk saiu do Tour cedo e deve aparecer aqui bem e Sam Oomen pode ser o grande Joker internamente, faz aqui a primeira Grande Volta do ano. Robert Gesink será o capitão, Lennard Hofstede e Koen Bouwman são bons trepadores e Nathan van Hooydonck é um poderoso rolador.

 

Previsão: Primoz Roglic vai dar a volta à época complicada, vai fazer bom uso dos contra-relógios e ganhar a Vuelta pela 3ª vez. 3 vitórias de etapa para Roglic e 1 para Kuss.

 

Team Qhubeka NextHash

De uma forma surpreendente e quando parecia estar a voltar a um nível próximo do seu melhor, com o 2º posto na Vuelta a Burgos, Fabio Aru anuncia a sua retirada, sendo esta Vuelta a sua última corrida como ciclista profissional. Muito afectado por lesões numa fase decisiva da carreira e psicologicamente frágil, o italiano vai tentar despedir-se em beleza. Não o consideramos um nome que faça perigar a geral, cremos que o melhor seria Aru poupar-se, perder tempo cedo e marcar 1 ou 2 etapas para tentar fazer uma despedida gloriosa.

Sergio Henao também está neste momento longe do seu melhor, enquanto Sander Armée também é um bom trepador. O ciclista para os sprints é Reinardt Janse van Rensburg, outro corredor que beneficia quando o pelotão está reduzido a metade das suas unidades.

Previsão: Fabio Aru merece uma despedida em grande e o italiano vai ganhar 1 etapa na montanha, é a melhor carta a equipa sul-africana.

Trek-Segafredo

Depois de um grande Giro, onde era 6º na geral à 16ª etapa e depois acabou por abandonar, Giulio Ciccone chega à Vuelta determinado a demonstrar a sua capacidade em 3 semanas, num traçado que até nem é nada mau para ele. O italiano não teve grande período de descanso após o Giro, será que vai acusar algum cansaço nesta fase final do ano? A equipa para o apoiar na montanha tem bastante qualidade, chefiada pelos experientes Gianluca Brambilla e Kenny Elissonde, com o pequeno francês a sonhar com uma vitória em etapa certamente.

Há mais 2 nomes ter em conta, o primeiro é Juan Pedro Lopez, um promissor espanhol que tarda em dar o salto, mas que já ocasionalmente mostrou o seu valor. E muito cuidado com Quinn Simmons nas etapas de média montanha, o norte-americano vem de vencer o Tour de Wallonie e está a fazer a sua estreia em Grandes Voltas. Tem um motor incrível e não o podem descartar nos percursos com colinas.

 

Previsão: Giulio Ciccone vai perder algum tempo nas primeiras etapas e depois é ora de se focar em triunfos parciais, que vai conseguir, juntando-se assim a Quinn Simmons.




UAE Team Emirates

Irá uma das equipas do momento ser capaz de repetir os sucessos recentes? Para a classificação geral haverá 2 cartas a jogar, David de la Cruz (5º na Vuelta a Burgos há 1 semana, 7º na Vuelta em 2020 e ainda com alguma frescura depois de falhar o Tour) e Rafal Majka (gregário de luxo para Tadej Pogacar, que aqui terá rédea completamente solta para os seus objectivos). Majka no seu melhor já foi 3º na Vuelta em 2015 e até recentemente foi 6º no Giro e na Vuelta em 2019, em boa forma é capaz de fazer top 5, enquanto achamos que o limite de David de la Cruz é o top 10.

Ambos serão apoiados na montanha por Jan Polanc e Joe Dombrowski, enquanto o sprinter de serviço é o colombiano Juan Molano, agora sem ter de lançar Fernando Gaviria. Na forma em que está e na roda certa, Molano é perfeitamente capaz de surpreender, ainda por cima tendo a ajuda de Rui Oliveira, Matteo Trentin e Ryan Gibbons, é um excelente comboio. Sem muitos rivais de peso e com a confiança em pleno, cuidado com Molano.

 

Previsão: Rafal Majka vai conquistar a classificação da montanha com David de la Cruz a conseguir o top 10, para além de 1 triunfo de etapa de Molano.



Tips do dia

Para a classificação geral:

  • David de la Cruz no top 10 -> odd 2,50 (stake 1)
  • Guillaume Martin melhor que Mikel Nieve -> odd 1,50 (stake 2)
  • David de la Cruz melhor que Felix Grosschartner -> odd 1,87 (stake 1)

Para a classificação por pontos:

  • Michael Matthews melhor que Matteo Trentin -> odd 1,656 (stake 2)
  • Juan Sebastian Molano no pódio -> odd 4,50 (stake 1)

Para a classificação da juventude:

  • Lucas Hamilton melhor que Mauri Vansevenant -> odd 2,064 (stake 1)

Para a classificação por equipas:

  • Cofidis melhor que Team DSM -> odd 1,85 (stake 1)

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