A segunda semana da La Vuelta termina com mais uma etapa de média montanha, onde a fuga voltar a ter grandes hipóteses de brilhar. Será a Visma|Lease a Bike capaz de fazer mais um brilharete?

 

Percurso

189,7 kms para terminar a segunda semana da Vuelta. Partida de Palma del Río, numa etapa de sobe e desce constante que na sua primeira metade tem apenas categorizada a subida do Puerto de la Forestal (7,5 kms a 4,5%) mas tem, pelo menos, mais 5 pequenas colinas. O Alto de Villaviciosa de Córdoba (8,4 kms a 3,5%) vai servir para aquecer os motores mas tudo vai ficar guardado para os últimos 40 kms de etapa.

O Puerto Artafi (5,9 kms a 5,4%) vai ser a grande dificuldade, segue-se uma fase de falso plano que culmina com 2200 metros a 5%, antes de 10 kms de descida e 10 kms finais planos em direção à meta na cidade de Cordoba.



Táticas

Muito do que dissemos para a antevisão da etapa 13 podemos repetir aqui. Etapa fácil demais para os homens da geral e difícil demais para os sprinters, o que significa … dia para a fuga! Esperamos mais uma fuga numerosa, praticamente um pelotão na frente e, depois do sucesso da tirada já referida, vemos a Visma|Lease a Bike como a equipa a abater. Muitas equipas sabem, também, que nas etapas de montanha não têm grandes candidatos, por isso têm de apostar tudo neste tipo de etapas.

As últimas dificuldades ficam ainda longe da meta, pelo que vamos ver muitos ataques entre os trepadores que querem deixar os homens mais rápidos para trás. Resumidamente, o cenário em perspectiva é muito idêntico ao da etapa 13, uma fuga muito numerosa, os ciclistas mais talhados para a montanha a atacar nas subidas e a tentar evitar que os homens mais rápidos fiquei confortáveis com o ritmo.

 

Favoritos

Wout van Aert – a primeira vitória já apareceu, mais que merecido! Todos sabemos da ambição do belga, vai querer mais, não está satisfeito com a sua Vuelta. Tende a melhor com o passar das Grandes Voltas, esperamos mais e melhor, ainda para mais neste tipo de etapas que sempre foram a sua praia. Pode vencer isolado ou em grupo.

Kevin Vermaerke – numa UAE Team Emirates cada vez mais desfalcada, o norte-americano ganha mais responsabilidade. Esteve nas últimas 3 fugas mas ou não tinha dureza suficiente ou tinha dureza a mais, ainda não encontrou o meio termo. Também precisa de ter “sorte” de estar no grupo certo, entre os trepadores é um corredor rápido.

 

Outsiders

Matthew Brennan – ao serviço da equipa na etapa 13, amanhã pode ter a sua oportunidade se a corrida assim o permitir. Está a subir melhor que nunca, ontem fechou os ataques de trepadores com muita facilidade e ainda conseguiu ser 3º. Se a corrida lhe estiver de feição, a Visma vai acabar por trabalhar para si.



Léo Bisiaux – tem sido o ciclista da Decathlon que mais liberdade tem tido. Gostava de um dia mais duro ou com subidas mais perto da chegada, mas tal como referimos com Vermaerke, se estiver na movimentação certa pode ter sucesso, porque também é um ciclista rápido em grupos restritos.

Finn Fisher-Black – por falar em ciclistas rápidos em grupos restritos após dias mais duros, o neozelandês da Red Bull-BORA é uma aposta muito segura. É neste tipo de etapas que Fisher-Black se pode destacar, está numa categoria intermédia entre Brennan e Bisiaux, o que lhe dá muitas opções.

 

Possíveis surpresas

Vincenzo Albanese – daqueles sprinters que gosta de dias duros e com bastante acumulado. Não é um ciclista ganhador e isso acaba por ser sempre importante nestes cenários de corrida. A EF Education ainda procura a sua primeira vitória.

Andreas Kron – uma das várias opções da Uno-X para amanhã. Ciclista explosivo, perfeitamente adaptado a este tipo de subidas mas que não tem a ponta final suficiente para alguns sprinters. Quanto mais dura a corrida melhor.

Andreas Leknessund – uma opção mais atacante da Uno-X, tal como tentou fazer ontem e como aconteceu no dia em que venceu. Atacar de longe já é a sua imagem de marca, não lhe podem dar muito espaço.

Marcel Camprubí – o campeão espanhol quer retirar algo positivo desta Vuelta. As exibições têm sido boas mas se formos olhar para os resultados sabemos que Camprubí é capaz de mais e melhor, principalmente neste terreno.



Ramses Debruyne – bom trepador com uma boa ponta final, tem tudo o que é preciso para brilhar neste tipo de etapas. Veremos é que já não está a acusar o cansaço de uma Grande Volta.

Valentin Paret-Peintre – o 2º lugar de ontem foi um grande boost de confiança. Se não vence na montanha, tem de tentar noutro tipo de etapas e de outra forma. Dentro dos trepadores é dos ciclistas mais rápidos.

Filippo Zana – tem feito uma dupla perigosa com Paret-Peintre, até pode ser a aposta amanhã. Também é um trepador rápido em grupos restritos, tem tudo a ganhar com uma corrida mais endurecida.

Jarno Widar – um percurso interessante para a promessa belga. Depois de um dia para descansar, após a fuga de ontem, amanhã é dia de voltar à carga. Tem de reduzir, ao máximo, o grupo da frente, só assim terá hipóteses.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Walter Calzoni e Jesus Herrada.



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