A montanha está de regresso e com mais uma etapa bastante complicada! Já não bastavam as duras rampas, a subida final também apresenta sterrato, o espetáculo está garantido! Teremos novo show de Tadej Pogacar?

 

Percurso

Partida de Alcossebre para 177 kms, um dia que começa logo com 3 pequenas subidas ainda antes da primeira contagem de montanha ao quilómetro 30, o Puerto de la Serratella (14,1 kms a 4%). 20 kms volvidos surge o Coll de la Bandereta (4,6 kms a 6,6%), seguindo-se cerca de 60 kms muito rápidos, entre fase de plano e descida. O Alto del Desierto de las Palmas (7,5 kms a 5,1%) volta a dificultar a vida do pelotão, no entanto o menu principal só vai ser servido nos derradeiros 30 kms.

O Puerto El Bartolo é uma subida muito dura, com 9400 metros a 7%, com o condimento extra de 1900 metros em sterrato na parte final cujos 3100 metros são a 10,8%! O topo fica a 20 kms da meta, seguem-se 13 kms de descida mais 7 kms planos até à meta em Castelló.



Táticas

Mais uma etapa de montanha e voltamos com a mesma questão: quererá a UAE Team Emirates perseguir para levar Tadej Pogacar a nova vitória? A etapa não é assim tão fácil de controlar, mas tudo vai depender de quando se formar a fuga e da qualidade da mesma pois a UAE tem um bloco forte, capaz de controlar uma fuga “normal”.

Para além disso, a subida final é bastante dura, será preciso os fugitivos entrarem com muita vantagem perante Pogacar, já vimos daquilo que o esloveno é capaz quando a estrada inclina. Ainda ontem vimos a Decathlon ajudar na perseguição, veremos se voltam a fazer o mesmo, talvez a Netcompany INEOS possa ajudar, nem que seja para endurecer a corrida e dificultar a vida aos rivais.

 

Favoritos

Tadej Pogacar – 2 vitórias em 4 dias, o esloveno entrou a voar na Vuelta. A competição está sentenciada, mas acreditamos que Pogacar vai querer ganhar mais etapas esta semana para depois começar a gerir tendo em conta os restantes objetivos da época. A subida final é perfeita para si, a zona de sterrato ainda melhor, está tudo preparado para mais uma grande exibição.

Tobias Halland Johannessen – com a geral afastada, o norueguês pode voltar a mostrar a versão ofensiva que vimos no Tour, onde esteve tanta vez perto da vitória. Este tipo de subidas são perfeitas para Johannessen mas parece que sempre que está na frente acaba por falhar por um ou outro motivo. Está a fazer uma boa temporada, está na hora do triunfo.

 

Outsiders

Oscar Onley – excelente exibição no dia de ontem, mesmo depois de uma noite menos bem dormida. O britânico chega fresco à Vuelta, está na altura de mostrar toda a sua qualidade que lhe valeram um grande resultado no Tour 2025. É um ciclista que adora rampas inclinadas e em grupos restritos também é rápido.



Ben Tulett – numa Visma focada em vencer etapas, o britânico é uma excelente aposta para amanhã. Ciclista muito pequeno, as rampas mais inclinadas assentam-lhe que nem uma luva, resta saber se está num dia sim, é daqueles ciclistas que é capaz do 8 ou 80 num curto espaço de tempo.

Lorenzo Fortunato – com muitos pontos na montanha em disputa, o italiano deverá estar na frente em busca do objetivo. A última subida é muita dura, o italiano é um puro trepador, tudo depende se depois está sozinho ou num grupo mais reduzido, aí será mais complicado vencer, é um corredor lento.

 

Possíveis surpresas

Felix Gall – dentro dos puros trepadores, deve ser aquele que menos deve gostar do sterrato, mas as percentagens inclinadas jogam a seu favor. Pior será a descida, é daqueles que passa pior.

Richard Carapaz – desiludiu um pouco ontem, talvez tenha sido um dia menos positivo para o equatoriano que gosta destas etapas com muito acumulado. Se sentir que tem pernas para atacar, vai fazê-lo.

Primoz Roglic – que agradável surpresa. Depois de tudo o que aconteceu nos últimos tempos, o esloveno mostrou a melhor versão da temporada ontem, se voltar a estar da mesma forma é um ciclista ainda mais perigoso, será olhado de outra forma.

Jarno Widar – a grande surpresa de ontem. Estreia em Grandes Voltas, 2º numa etapa muito dura, veremos se não começa a acusar do desgaste. O jovem belga é um trepador bastante explosivo, a subida final é perfeita para si.



Sepp Kuss – não é dos nomes mais óbvios, mas esteve bastante bem ontem, não esperávamos ver o norte-americano a conseguir seguir os melhores. Parece que se transforma sempre na Vuelta, é um ciclista de grandes momentos.

Jay Vine – a alternativa dentro da UAE. Apesar de estar no top-10 já está um pouco atrasado, deverá ter liberdade para tal, ele que é mais um ciclista que adora correr a Vuelta. Veremos é se se consegue manter em cima da bicicleta, é o seu calcanhar de Aquiles.

Pello Bilbao – última Vuelta da carreira, tem de aproveitar todas as etapas de montanha para se mostrar. É um bom trepador mas um final em descida e com uma subida em sterrato ainda são melhores notícias para si.

Leo Bisiaux – não sabemos se a Decathlon vai dar liberdade aos seus gregários, caso contrário o jovem francês é um ciclista muito perigoso. Um corredor habituado ao sterrato e ao ciclocrosse, deverá adorar a subida final.

Harold Tejada – um corredor muito combativo e que já se começou a mostrar hoje. Numa XDS Astana montada para atacar as etapas, o colombiano é uma das setas apontadas à vitória. Se tiver a companhia de Fortunato melhor, é um corredor ainda mais explosivo e passa a ter superioridade.

Valentin Paret-Peintre – muito discreto até agora. Ou está a acusar algum desgaste do Tour ou está a escolher as etapas ao detalhe. Esta é uma boa tirada para o franzino trepador, subidas longas qb e explosivas e um final plano, ideal para a sua excelente ponta final.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Marco Brenner e Luke Tuckwell.



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