Está na hora de uma das mais espetaculares clássicas da temporada, a Strade Bianche! A combinação de sterrato e subidas curtas e inclinadas fazem desta prova uma das mais esperadas do ano.
Percurso
202 quilómetros de extensão e 71,8 quilómetros em “estradas brancas”, é o menu do ano de 2026 da Strade Bianche! O primeiro sector de gravilha surge logo ao quilómetro 12,5 (Vidittra – 2400 metros), sendo que se segue o setor de Bagnaia, este com 3,4 quilómetros de extensão, e que tem rampas a 10% (3 kms a 5,2%). O setor de Radi, com 4,3 quilómetros, é o que se segue, antes da subida de Montalcino (5,5 kms a 5,2%), que não é em terra batida, é o obstáculo seguinte. No miolo da prova, temos três longos setores de sterrato, com 11,7 quilómetros (Lucignano d’Asso), 8 quilómetros (Pieve a Salti) e 9,3 quilómetros (San Martino in Grania), no entanto são feitos em estradas planas.
O sector seguinte de gravilha pode vir a ser importante, pois junta ao sterrato, inclinações terríveis. Mas tudo se vai começar a decidir no Monte Sante Marie, um troço de gravilha de 11,3 quilómetros do mais difícil que há, também pelas curtas e duras subidas que o intermedeiam e que está situado a pouco mais de 70 kms da meta. Após uma fase bem dura, vêm 17,8 kms mais fáceis, antes de uma sequência de 4 setores. O primeiro surge a 50 quilómetros do fim, Monteaperti (apenas 500 metros mas com com inclinação média de 7,5%). Colle Pinzuto (2,3 quilómetros e rampas a 10%), Le Tolfe (1200 metros onde está incluída uma colina com 11,4% de inclinação média) e Strada del Castagno (900 metros), antes de Ponttignano (subida com 1800 metros a 5,5%).
O Colle Pinzuto volta a aparecer no menu, antes de nova passagem por Le Tolfe. Ficam a faltar apenas 12 quilómetros mas ainda surgem várias subidas, primeiro Vico Alto (370 metros a 7,6%) e depois Via Fiorentina (1100 metros a 4,6%). Como se esta dureza toda não chegasse, ainda teremos uma chegada absolutamente épica a Siena, na Piazza del Campo, que é antecedida por uma descida de alguns quilómetros algo técnica. Serão 700 metros a uma inclinação média de 9,1%, mas com fases a 16% já na parte histórica da cidade e é normalmente aqui onde tudo se decide, se ainda restar um grupo na frente da corrida.

Táticas
Chegou uma das grandes clássicas da temporada! Esta tem sido uma prova cada vez mais dura com o passar das temporadas mas com um denominador comum … Pogacar a vencer. Por norma, o campeão do Mundo tem atacado de longe, não só porque tem capacidade para tal mas porque a UAE Team Emirates não tem dos melhores blocos. Com Isaac del Toro muito melhor que em 2025, podemos ver um Pogacar mais conservador, a esperar pela parte final, onde sabe que consegue fazer diferenças.
Apesar de tudo, esta não é a génese do esloveno, gosta de atacar de longe e desfrutar da corrida, acreditamos que possa voltar a fazê-lo no Monte Sante Marie e … boa sorte a quem o conseguir seguir. No ano passado foi Pidcock até quebrar na parte final, este ano os olhares estarão no menino Paul Seixas. Esta é uma corrida muito dura, as jogadas táticas não serão fáceis, a Visma tem duas opções muito boas em Van Aert e Jorgenson, mas deverá entrar mais na expectativa.
Favoritos
Tadej Pogacar – O campeão do Mundo quando coloca a bicicleta em prova é para ganhar. Vencedor das ultimas 2 edições (3 na sua carreira), o esloveno tem tudo para voltar a erguer os braços. Tem uma equipa bastante forte à sua volta, apenas de notar a importante ausência de Tim Wellens que se lesionou no último fim-de-semana.
Thomas Piddock – Segundo classificado na última edição, o ciclista da Pinarello Q36.5 Pro Cycling Team foi quem deu luta ao esloveno da UAE, pretende entrar forte e vencer a prova como em 2023. Começou bem a temporada mas tem de estar melhor colocado nos momentos decisivos, tem sido a sua falha.
Outsiders
Paul Seixas – o 2º classificado da Volta ao Algarve deste ano, vem com um andamento de meter medo, prova disso foi na Faun-Ardèche Classic onde deixou Matteo Jorgenson para trás a mais de 40kms para a meta, já para não falar na excelente prova que fez na Algarvia. Seixas sobe bem e já provou isso, e amanhã pode dar mais um bom resultado a Decathlon CMA CGM Team.
Ben Healy – o ciclista da EF Education, que foi 4º na edição do ano passado, já provou que o percurso assenta que nem uma luva nas suas características. Com um bloco mais forte que o ano passado, pode muito bem, melhorar o resultado de 2025.
Pello Bilbao – O 5º classificado da ultima edição, vem com ambições de fazer top-3 na prova italiana, pois a subida final favorece-lhe, tal como o percurso cada vez mais duro. Vem de duas provas este ano onde fez top-10, está com bom andamento. Vamos esperar para ver o que ciclista da Bahrain pode oferecer a prova.
Possíveis surpresas
Isaac del Toro – Vai para 4ª participação nesta prova sendo a sua melhor classificação um 33º lugar no ano passado. Vem de uma vitória na UAE Tour, o mexicano para além de trabalhar para o seu líder, pretende fazer top-10.
Matteo Jorgenson – com Wout van Aert ainda com interregoções, o norte-americano é a principal aposta da Visma. Começou bem a época, com dois pódios em França, e anda bastante bem nas clássicas, este é o seu terreno.
Wout Van Aert – primeiro a lesão, depois a doença. Não é fácil saber o que esperar do belga, em Le Samyn não deu para tirar grandes conclusões. Vencedor em 2020 e nestas estradas no Giro d’Itália do ano passado, a experiência é sempre importante.
Romain Gregoire – especialista neste tipo de provas, o francês nunca teve muita sorte aqui, talvez por ser um percurso que está nos seus limites. Chega em excelente forma, a confiança estará em alta, as subidas explosivas e o sterrato não serão problema para si. Quererá melhorar o 8º lugar de 2023.
Tobias Halland Johannesen – mais um ano em cima, mais experiência e capacidade para disputar este tipo de provas. O norueguês é um enorme talento dentro de uma Uno-X que dá sempre espetáculo. Muito mais que um trepador, adora estas provas onde é preciso resistência.
Lennert van Eetvelt – um corredor muito enigmático, atrai o azar quando menos se espera. Este é um traçado perfeito para o jovem belga, veremos se está num dia com boas sensações. 11º em 2024, 9º em 2025, a tendência é melhorar.
Quinn Simmons – temporada discreta até agora, mas este é o primeiro grande objetivo. Top-10 em 2022, desde aí evoluiu bastante e está cada vez mais forte neste terreno mais ondulado. Se há ciclista que não tem medo de arriscar de longe e antecipar os grandes ataques é o norte-americano.
Julian Alaphilippe – É verdade que o francês da Tudor, já não tem o power como tinha quando venceu esta prova em 2019, contudo temos sempre que contar com ele para um top-10, quiçá para um top-5, temos de esperar para ver.
Matej Mohoric – Nem sempre a aventura na Strade Bianche correu bem, mas nos últimos anos parece ter encontrado a forma certa de conseguir bons resultados, 5º em 2023, 6º em 2024 mesmo com o percurso mais duro, quando o esloveno está nos seus dias tem um motor muito grande.
Roger Adrià – o ciclista que agora pertence a Movistar, e sendo um dos líderes vem certamente para melhorar o seu 10º lugar do ano passado, sendo um ciclista que sobe bem e gosta deste tipo de clássicas.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Wout Poels e Albert Withen Philipsen.