As 5 conclusões do primeiro fim-de-semana de clássicas belgas

Para alguns adeptos de ciclismo a época começou verdadeiramente apenas no Sábado, com a Omloop het Nieuwsblad, onde alguns dos principais corredores de clássicas batalharam pela vitória. É verdade que ainda falta mais de 1 mês para 2 dos Monumentos (Tour des Flandres e Paris-Roubaix), mas já podemos retirar algumas ilações do que vimos até agora.

O efeito MVDP

No Domingo, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (KBK), Mathieu van der Poel provou como, praticamente sozinho, consegue rebentar completamente com uma corrida que supostamente seria para sprinters. O holandês arrancou a 85 kms da meta, teve a companhia de Jhonatan Narvaez e praticamente não olhou mais para trás, sendo apanhado a quase 2 kms do final. A prova foi disputada a alta velocidade, acabou com mais de 42 km/h de média, e desde 2014, foi a KBK que registou uma média de watts maior. A página Velofacts efectua este registo analisando os dados que os ciclistas disponibilizam no Strava.

Mathieu van der Poel deve ser o pesadelo de qualquer director desportivo. Supostamente estava na corrida para deixar mais confortável os sprinters da equipa. Pois, deixou-os todos para trás, aliás, deixou quase todos os sprinters do pelotão completamente sufocados, e o único que sobreviveu foi aquele que ganhou, Mads Pedersen. O holandês não costuma esperar, não gosta de esperar e qualquer corrida que o tenha à partida arrisca ser atacada de longe e espectacular.



A matilha continua assustadora

Está visto que a Deceuninck-Quick Step continua com a mentalidade do “ou ganho, ou decido quem ganha”. O que os comandados de Patrick Lefevere fizeram no Sábado foi deveras impressionante, dando a ideia que só os 2 monstros do ciclo-crosse lhes podem fazer frente. Dominaram a Omloop het Nieuwsblad a seu belo prazer, fizeram a selecção quando quiseram e colocaram 3 ciclistas no grupo decisivo. Depois ninguém conseguiu acompanhar Alaphilippe e todos se desgastaram enquanto Ballerini se poupava para um triunfo bastante fácil.

Tudo normal podem dizer. Sim, verdade, mas o maior assustador é que a corrida nem sequer correu bem à equipa belga, principalmente se virmos que Yves Lampaert caiu no momento em que a selecção estava a ser feita e Zdenek Stybar caiu quando seguia no grupo da frente. E mesmo assim a equipa dominou e ganhou. Quase que parecia que as outras equipas estavam resignadas ao destino de irem perder a prova. Depois no Domingo, com um alinhamento claramente mais débil, quase a equipa B, ainda “negou” o triunfo a Mathieu van der Poel com a poderosa perseguição de Kasper Asgreen.

Juventude ao poder na Ineos Grenadiers

Durante os últimos anos a Ineos Grenadiers foi sempre uma equipa a ter em conta nas clássicas, mas quase nunca com resultados de destaque. O alinhamento à partida (com Luke Rowe, Ian Stannard, Dylan van Baarle e Geraint Thomas) impunha respeito. No entanto, a última vitória de Thomas e de Stannard em clássicas remonta a 2015 e Rowe nunca sequer ganhou uma clássica e desde 2017 que até dos top 5 anda afastado. Van Baarle e Kwiatkowski são inconsistentes e esta época a formação britânica optou por uma abordagem diferente, também tendo em conta que apostou muito nas contratações para as Grandes Voltas.




É preciso ver que o que Thomas Pidcock e Jhonatan Narvaez fizeram foi muito, muito bom. Na Omloop Pidcock foi o único, a par de Kevin Geniets a conseguir fazer a ponte para a frente da corrida numa altura decisiva. Na KBK Narvaez foi o único com vontade e capacidade de acompanhar Mathieu van der Poel e não se deslumbrou face à capacidade de holandês e esteve ao seu nível, depois Pidcock ainda conseguiu ser 3º no sprint final. Owain Doull e Gianni Moscon deram excelentes indicações e se Dylan van Baarle e Luke Rowe estiverem bem, podem ajudar estes 2 jovens talentos a fazer magia nas clássicas.

O perigo Mads Pedersen

Já se sabe que Mads Pedersen é uma caixinha de surpresas, 2º no Tour des Flandres quando poucos esperavam, campeão do Mundo quando poucos esperavam, e o triunfo de ontem também foi de certa forma surpreendente. O dinamarquês tinha sido 112º no dia anterior e tinha passado completamente ao lado da Omloop e já na Etoile de Besseges tinha passado ao lado da prova. Mas ontem resistiu com os melhores e contou com um precioso Jasper Stuyven para afastar os resultados menos bons.




Toda a gente no pelotão deve estar preocupada e ter Mads Pedersen em conta, o ciclista da Trek-Segafredo já provou que é um dos melhores sprinters do Mundo depois de uma corrida bem dura, para além de adorar o clima adverso. Tem uma fisionomia semelhante à de Alexander Kristoff e representa nestas corridas o mesmo perigo que o norueguês representava há 2/3/4 anos atrás. Agora Kristoff não consegue passar tão bem as subidas e Pedersen quase que ocupou o seu lugar. É um vencedor nato e ciclista de grandes momentos.

Há blocos com muito para melhorar

A Team DSM (antiga Sunweb) está a ter um início de época para esquecer e isso reflectiu-se até nas clássicas. Se é verdade que nas outras provas em que a equipa participou levou alinhamentos muito débeis, aqui trouxe praticamente a sua equipa principal. Há Tiesj Benoot, Soren Kragh Andersen e até os jovens Casper Pedersen e Nils Eekhoff, o único top 5 que a equipa tem até agora é por parte de Cees Bol no UAE Tour. Kragh Andersen e Benoot não foram protagonistas, longe disso, e nunca estiveram bem colocados nos momentos decisivos, levando a uma forte perseguição na Omloop, acabando numa mão cheia de nada.




A Ag2r Citroen também não tem estado propriamente bem, abaixo das expectativas. É preciso ver que a formação francesa apostou muito nas clássicas com a contratação de Greg van Avermaet, para fazer parelha com Oliver Naesen, portanto exige-se resultados. Van Avermaet foi 33º e 8º Naesen foi 19º e 16º. O que desilude mais é a incapacidade física neste momento comparando com anos anteriores. Naesen era ciclista para nestes sprinters estar no top 5/top 10 e van Avermaet para estar ainda mais em destaque. Não foi capaz de seguir Alaphilippe ou MDVP, até Degenkolb.

, , , , , , , ,