Melhores equipas do ano – 1ª

É muito raro a este nível vermos uma equipa capaz de controlar uma Grande Volta e capaz de ganhar grandes clássicas. Depois de épocas em constante crescimento a Jumbo-Visma finalmente conseguiu isso, apresentando uma coesão impressionante.



 

Os dados

Vitórias: 23 triunfos, 15 no World Tour, incluindo 1 Grande Volta e 1 Monumento

Pódios: 46 pódios, 22 deles conseguidos por um nome, Primoz Roglic

Dias de competição: 126 dias, um calendário curto, à base das provas do escalão máximo do ciclismo

Idade média do plantel: 29,6 anos, um dos plantéis mais experientes do World Tour

Mais kms: George Bennett fez de tudo, entre clássicas e Grandes Voltas, percorreu 9241 kms

Melhor vitória: As vitórias conseguidas por Primoz Roglic foram impressionantes, mas destacamos o triunfo de Wout van Aert na Milano-SanRemo, derrotando o campeão em título Julian Alaphilippe.

 

O mais

Uma temporada quase perfeita de Primoz Roglic. O que o esloveno fez foi muito especial, principalmente depois de dominar/controlar o Tour e perder a prova no penúltimo dia numa especialidade em que sempre foi bom. Muitos ciclistas teriam arrumado as malas e ido para casa após esta desilusão ou então o rendimento ficaria afectado. Mas Roglic não, foi 6º nos Mundiais, ganhou a Liege-Bastogne-Liege e venceu a Vuelta com 4 etapas conquistadas à mistura.



Wout van Aert foi outro dos ciclistas do ano, mas teve uma primeira parte da época muito vitoriosa (Strade Bianche, Milano-SanRemo e 2 etapas no Tour) e uma segunda parte da época do quase, sendo 2º nos Mundiais de contra-relógio e estrada e no Tour des Flandres. Pelo meio foi uma peça fundamental no comboio da Jumbo-Visma no Tour, fazendo tremer até os melhores trepadores. Sepp Kuss não obteve grandes resultados, mas foi um gregário absolutamente precioso, senão o melhor gregário de montanha do ano. George Bennett também aproveitou muito bem as oportunidades, ganhou o Gran Piemonte e fez 2º no Giro di Lombardia, trabalhando ainda muito bem para Roglic.

 

O menos

Entre o tridente de líderes da equipa holandesa Steven Kruijswijk foi aquele que desiludiu. Apoquentado por quedas, lesões e pela COVID-19, o ciclista de 33 anos apenas competiu 16 dias, conseguindo apenas 3 top-10. Não se pode dizer que a temporada de Tom Dumoulin tenha sido “famosa”, mas o 7º lugar no Tour acaba por apagar um pouco da má imagem. Depois de um ano sem competir não se sabia o nível do holandês mas sabe-se que é capaz de mais e melhor.

Mike Teunissen abriu a temporada a todo o gás mas depois apareceram as lesões. No regresso da temporada ainda conseguiu aparecer no BinckBank Tour mas para aquilo que o sprinter/classicómano é capaz foi pouco. Por falar em sprinter, é verdade que Dylan Groenewegen venceu por 3 vezes (antes e depois da paragem) mas a temporada foi muito curta, devido à queda provocada por si na Polónia, que o afastou do resto do ano e de parte da próxima temporada.



 

O mercado

Em termos estruturais não há grandes mexidas, há 2 peças importantes que saem, mas não eram propriamente fundamentais no desenho global. Laurens de Plus teve muitos problemas de saúde em 2020, vai para a Team Ineos e para o seu lugar entra Sam Oomen. Naquela que também parece uma troca directa Amund Jansen deixa a formação holandesa e entra Nathan van Hooydonck para as clássicas, faltando-lhe a explosão para ajudar nos sprints. Tom Leezer acaba a carreira, enquanto Bert Jan Lindeman e Taco van der Hoorn prosseguem as carreiras noutras equipas.

Quanto às entradas, Edoardo Affini tem potencial para ter um dos melhores contra-relogistas do Mundo, medalhado nas camadas jovens em Europeus e Mundiais. David Dekker e Olav Kooij são 2 jovens talentosos sprinters e muito cuidado com eles já nesta época e Gijs Leemreize é um ciclista completo, proveniente da equipa de formação.

 

O que esperar em 2021?

A base do sucesso manteve-se e a estratégia da equipa deve ser semelhante, sendo que ainda falta cumprir o sonho de conquistar o Tour. A Jumbo-Visma deve colocar toda a carne no assador para conseguir isso, tal como fez este ano. É possível que Steven Kruijswijk ou Tom Dumoulin tenha a liderança noutra Grande Volta, quem sabe os planos que a equipa tem para Sepp Kuss. Wout van Aert vai continuar a lutar pelas principais clássicas, o belga é tão forte e poderoso que quase não precisa de equipa, ainda assim é importante contar com Mike Teunissen, Timo Roosen e Nathan van Hooydonck.



A grande incógnita é no campo dos sprints, como irá regressar Dylan Groenewegen depois da suspensão e depois do que aconteceu na Volta a Polónia? A sucessão já está a ser preparada com Dekker e Kooij, mas mesmo assim poderá ser uma época difícil neste departamento.

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