Depois das clássicas voltamos às provas por etapas, com o Tour de Romandie a marcar uma nova fase na temporada. Conseguirá Tadej Pogacar adicionar mais uma prova ao seu currículo?

 

Percurso

Prólogo

3200 metros para abrir as hostilidades, um curto esforço individual feito na cidade de Villars-sur-Glâne, com o final a ser bastante exigente. 1100 metros a 4,9%, sendo os primeiros 900 metros a 6,9%.



Etapa 1

Partida e chegada em Martigny, numa etapa que tem um circuito inicial a ser percorrido por 3 vezes mas que se deve decidir fora dele. A 4 kms do fim inicia-se a maior subida do dia, serão 8,9 kms a 9,8% mas isto é só a média pois os últimos 2700 metros são a 10,4%! No alto restam 34,5 kms, feitos rapidamente, primeiro em descida, antes de 25 kms finais planos em direção à meta.

 

Etapa 2

Mais uma etapa feita em circuito, esta com o circuito a ser o palco de todas as decisões. Falando do mesmo, tem cerca de 45 kms e duas dificuldades, uma logo no início com 1500 metros a 6,1% e outra que termina a apenas 2500 metros do fim, uma subida categorizada de 3,1 kms a 5,4% que pode levar a ataques dos principais homens da geral.

 

Etapa 3

Em tudo um dia semelhante à etapa 1 mas com um aumentar da dificuldade. O terreno é bastante ondulante até aos 42 kms finais, altura em que se inicia o Col du Mollendruz (9 kms a 6,1%), um subida bastante regular mas mais dura na sua fase inicial. No topo faltam 33 kms para o fim, 22 deles feitos em descida, antes dos últimos 11 kms planos em direção a Orbe.

 

Etapa 4

A subida de Jaunpass é o epicentro desta etapa e é feita por 3 vertentes diferentes! As duas primeiras acontecem nos 40 kms iniciais, podem ser importantes para a formação da fuga do dia, mas será na derradeira ascensão que tudo se vai decidir. Tudo começa a 25 kms do final, seguindo-se 8100 metros a 8,3%, sendo que existem 2 kms acima dos 9%! 7 kms de uma rápida descida e mais 10 de um falso plano, vão levar a um final muito rápido.

 

Etapa 5

A prova helvética termina com mais uma etapa de montanha e, finalmente, uma chegada em alto! 167,5 kms com muito sobe e desce mas nada de muito complicado em direção à subida de Leysin. Serão 14,3 kms a 5,9% mas esta é uma média que engana bastante pois os primeiros 10 kms são relativamente acessíveis e os últimos 1300 metros a 3,1%. Pelo meio há 3100 metros a 7,7%, é aqui que tudo se vai decidir.



Táticas

Este ano a Volta a Romandia tem o atrativo Tadej Pogacar! O esloveno está na competição helvética pela primeira vez mas, por outro lado, há más notícias. Apenas 15 equipas à partida, 4 equipas World Tour abdicaram da sua presença e apenas 1 ProTeam foi convidada, o que faz deste um dos pelotões mais curtos do World Tour … a fazer algumas provas do escalão 2.1.

Todas as etapas têm dificuldades, com Pogacar à partida é de esperar movimentações todos os dias, o esloveno quererá tirar máximo partido da sua visita à Suíça. A UAE Team Emirates até pode não ter o melhor dos blocos e é aqui que equipa com várias alternativas, como a Red Bull-BORA-hansgrohe, Bahrain – Victorious e INEOS Grenadiers podem jogar as suas cartas. O problema é que Pogacar vai querer antecipar estes ataques todos e arrumar com a corrida o mais cedo possível, talvez ao 2º dia já esteja decidido.

 

Favoritos

Tadej Pogacar – quem mais? Onde o campeão do Mundo está é para vencer e, até agora, em 5 dias de competição, venceu por 4 vezes. Sejamos honestos, Pogacar só não ganha a prova se cair ou tiver algum tipo de azar e também podemos dizer que é candidato a vencer todas as etapas! As etapas de montanha não são assim tão difíceis de controlar, cabe a Sivakov, Grosschartner e Vermaerke gerir até à última subida e depois Pogacar faz o que bem sabe.

Florian Lipowitz – um dos líderes de uma Red Bull-BORA-hansgrohe muito forte. 3º na Catalunha e 2º no País Basco, o alemão está a fazer uma excelente temporada e procura mais um bom resultado, ele que já foi 3º em 2024. Até preferiria etapas mais duras, no entanto as subidas que existem são mais que suficientes para se fazerem diferenças e Lipowitz é daqueles que não tem medo de atacar.

 

Outsiders

Lenny Martinez – a falta de contra-relógio beneficia o pequeno francês que, até agora finalizou todas as provas da temporada no top-8 e foi 2º na Catalunha. Martinez tem boas recordações da Romandia, 2º no ano passado e vencedor de uma etapa. Também era daqueles que gostava de mais chegadas em alto mas as subidas são boas para si.

Primoz Roglic – a segunda opção da Red Bull-BORA-hansgrohe. Vencedor em 2018 e 2019, o esloveno têm aqui mais um teste à sua condição física e a última (conhecida) antes da Vuelta. Não está a fazer uma temporada tão regular como noutros anos mas todos sabemos de como Roglic é cirurgico e o facto de ter vários finais planos após as subidas até pode jogar a seu favor.

Oscar Onley – tirando uma boa Volta ao Algarve, não está a ser uma temporada positiva para o britânico que, agora, aposta as suas fichas aqui. Onley dá-se bem com os ares da Suíça e tem na Romandia um percurso bom para as suas características e começar a recuperar a confiança. A INEOS está a andar muito bem, pode ser um indicador positivo.



Possíveis surpresas

Jorgen Nordhagen – recém 2º classificado d’O Gran Camiño, o jovem norueguês vai querer aproveitar mais uma oportunidade de liderança na Visma. Finalmente está a corresponder ao nível que apresentou na formação, é um grande trepador e adora este tipo de subidas.

Valentin Paret-Peintre – mais um francês que estará contente com a falta de contra-relógio. O franzino ciclista foi 4º na Catalunha e procura mais um resultado de relevo no World Tour, tentando afirmar-se dentro da Soudal QuickStep. É um dos trepadores com melhor ponta final, pode vir a ser importante.

Antonio Tiberi – iniciou a temporada muito bem mas eclipsou-se desde o Tirreno-Adriático. Numa prova com este traçado tem obrigação para estar entre os melhores mas o italiano é daqueles ciclistas que nunca sabemos o que esperar.

Daniel Martinez – sempre muito forte em provas de uma semana e, quem sabe, a terceira peça do xadrez da Red Bull-BORA-hansgrohe. Não esteve muito bem nas Ardenas mas o colombiano é um ciclista que aparece quando menos se espera e pode aproveitar as jogadas táticas.

Luke Plapp – um corredor muito inigmático. Tanto pode estar na luta por uma das etapas como no dia a seguir ficar fora do top-100, é difícil de prever. Em condições ideias, esta é uma boa prova para o australiano mostrar o seu valor. Já não corre desde o UAE Tour, pode sentir alguma falta de ritmo.

Lorenzo Fortunato – 4º no ano passado quando também venceu uma etapa, estará motivado para, pelo menos fazer igual. Não é um ciclista regular mas quando está bem é um enorme perigo. Ainda sem um resultado de relevo esta temporada, o mesmo pode aparecer aqui.

David Gaudu – não sabemos o que esperar, nem o próprio deve saber. A fazer uma temporada para esquecer, o francês tenta relançar o mesmo nesta competição, onde o percurso até é bom para si, pois os finais após as montanhas potenciam as suas características.

Carlos Rodriguez – não será o líder da INEOS mas será que consegue corresponder? 2026 tem sido fraco em termos de resultados mas todos sabemos que o espanhol tem qualidade para muito mais, basta ver o que fez até à temporada passada antes da queda no Tour. Numa startlist mais fraca, pode aparecer e ganhar confiança.



Georg Steinhauser – o 3º lugar no Paris-Nice caiu um pouco de surpresa no entanto é inegável a qualidade do alemão que, com isto, pode ter dado o click que precisava para apresentar outra regularidade nas provas por etapas.

Nairo Quintana – vem de ganhar a Vuelta às Astúrias, é certo que a concorrência não era a mais forte, mas ver El Condor a vencer aos 36 anos é impressionante. Quem sabe se esta vitória não lhe deu muita confiança.

Yannis Voisard – a esperança da equipa da casa. O trepador helvético é um ciclista regular e, a correr na Suíça, estará ainda mais motivado e pronto para deixar boa impressão. Terminar no top-10 já seria excelente.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Damiano Caruso e Cristian Rodriguez.

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