Antevisão da 16ª etapa do Tour 2022

Entrada na semana final do Tour e logo com a montanha a aparecer! Teremos Tadej Pogacar a colocar Jonas Vingegaard à prova? Como irão reagir os ciclistas após um dia de descanso?

 

Percurso

O pelotão parte de Carcassonne, após ter tido o seu merecido dia de descanso. Primeiro de três dias de montanha nos Pirenéus, com duas 4ª categorias nos primeiros 36,6 quilómetros, o Côte de Saint Hilaire (1500 metros a 6,6%) e o Col de l’Espinas (5,3 kms a 5%).



Seguem-se praticamente 80 quilómetros sem dificuldades, antes do “osso duro de roer”. A 65 quilómetros do fim, os ciclistas começam a subir o Port de Lers (11,4 kms a 7%), uma subida bastante regular. Após uma longa descida, rapidamente surge o Mur de Péguère (9,3 kms a 7,9%), uma subida que vai de menos a mais, começa suave e termina com uns impressionantes 3,3 kms a 11,8%. Atingido o topo, restam apenas 27,2 quilómetros, a maioria deles em descida, antes de 10 quilómetros planos.

 

Táticas

Entramos na terceira semana do Tour, é aqui que se começa a notar o desgaste dos ciclistas. Quem não estiver bem fisicamente vai começar a quebrar e não vai conseguir estar na disputa dos primeiros lugares e/ou vitórias em etapa. 15 etapas já foram disputadas no entanto as equipas vencedoras não foram assim tantas. Muitas formações vão começar a sentir-se pressionadas.

Das 3 etapas de montanha que faltam disputar, esta é aquela que mais encaixa no perfil para a vitória da fuga. Início já complicado, perfeito para os fugitivos escaparem ao pelotão, com tudo para se decidir nas duas subidas finais, onde os puros trepadores vão tentar deixar para trás os ciclistas mais rápidos que, depois, ainda têm a descida para tentar recuperar.

Para a geral, acreditamos que a corrida seja tranquila até à última subida, só não o será se equipas como a UAE Team Emirates e INEOS Grenadiers sentirem fragilidade na Jumbo-Visma, pois a equipa neerlandesa está reduzida a seis elementos e, para a montanha, sobram Tiesj Benoot, Wout van Aert e Sepp Kuss.

 

Favoritos

A Bora-Hansgrohe muito tem tentado vencer uma etapa mas, até agora, os resultados têm sido nulos. Maximilian Schachmann tem estado mais discreto nos últimos dias, talvez guardando-se para a semana final, já tem vasta experiência de Grandes Voltas. Não é um puro trepador, mas defende-se muito bem, vai ter que sofrer. Em grupos restritos é rápido.



Nick Schultz terá toda a liberdade para integrar a fuga, ele que esteve perto de vencer após um dia de descanso. O australiano mostrou que está a subir muito bem, foi claramente o mais forte em Megève, faltou-lhe alguma sorte. As subidas de amanhã são mais longas, é mais um que terá que sofrer, limitar perdas e depois arriscar na descida. Como já vimos, em grupos restritos é bastante rápido.

 

Outsiders

A Bahrain-Victorious tem tido um Tour para esquecer mas se Damiano Caruso ainda está em prova é a pensar nestes 3 dias de montanha. Muito discreto até agora, o veterano italiano deve tentar de tudo para entrar nas fugas e salvar a sua participação. Em fuga, será sempre um corredor muito perigoso, mas sabe que para vencer terá que chegar isolado, destacando-se da concorrência no Mur de Péguère.

Thibaut Pinot até tem estado em fugas vitoriosas, no entanto não consegue acertar no momento do ataque, tem sido sempre tarde demais, quando a diferença já é irrecuperável. O francês está com muita vontade, tem que se saber conter em certos momentos para não gastar energias desnecessárias. É um corredor muito completo mas as descidas, apesar de ter melhorado muito, continuam a ser o seu problema.



Alberto Bettiol esteve a um nível impressionante na 2ª semana, com a etapa de Mende a ser o principal destaque. O italiano está a subir melhor que nunca, sabe que os trepadores o vão atacar fortemente mas veremos até onde resiste. Nas descidas poderá recuperar e todos sabemos da sua ponta final, é muito forte.

 

Possíveis surpresas

Depois de ter estado doente, Daniel Martinez está, aos poucos, a melhorar a sua condição física. Esteve na fuga no sábado, o que foram boas indicações, apesar do resultado mais discreto. Um dos melhores trepadores do pelotão, estando bem, será muito complicado de bater. A montanha até pode ser dura demais para Bob Jungels mas o luxemburguês já mostrou a sua habilidade a descer, pode ganhar muito tempo e, quem sabe, conquistar nova vitória. Carlos Verona está a passar a melhor fase da sua carreira, não será fácil de vencer, precisa de integrar a fuga certa. Dentro das equipas mencionadas, Patrick Konrad, Valentin Madouas e Matteo Jorgensen são alternativas bastante credíveis, corredores que sobem bem e têm uma excelente ponta final. A luta pela montanha irá envolver nomes como Simon Geschke, Giulio Ciccone e Neilson Powless, irão gastar alguma energia até ao final, pelo que será mais complicado vencerem a etapa, terão que estar num dia super. Tadej Pogacar deve voltar à carga, mas não vemos como é que se conseguirá livrar de Jonas Vingegaard. Sem final em alto, as diferenças entre os favoritos devem ser pequenas ou mesmo nulas, o top 10 pode chegar separado por pouco à meta e, quem sabe, aproveitar a guerra Vingegaard vs Pogacar, para ganhar algum tempo, casos de Adam Yates, David Gaudu e Tom Pidcock.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Andreas Kron e Andrea Bagioli.



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