Antevisão da 1ª etapa do Tour 2022

Um tira-teimas contra o relógio onde cada segundo conta dá início ao Tour 2022. Quem irá envergar a primeira camisola amarela em terras dinamarquesas?

 

Percurso

Copenhaga acolhe o início da Volta a França em 2022 com um contra-relógio plano de 13 quilómetros completamente plano. Sem elevações de maior, a grande dificuldade será o número de curvas, são praticamente 20 em 13000 metros, pelo menos aquelas que obrigam os ciclistas a uma grande desaceleração.



 

Análise

É muito raro vermos um contra-relógio deste género a iniciar uma Grande Volta, costumam ser mais curtos ou então esforços por equipas. Vantagem clara para quem se preparou especificamente para um esforço não só esta duração, mas com a explosão que é necessária para sair das curvas e ganhar velocidade rapidamente, isso vai equilibrar a balança entre os puros especialistas em contra-relógio e algum sprinter que se queira intrometer.

 

Favoritos

Não é dos nomes mais falados, no entanto vemos com bons olhos a possibilidade de Stefan Bissegger envergar a primeira camisola amarela do Tour. O suíço é incrível em contra-relógios desta distância, ele é também um excelente ciclista na pista. Nos últimos 2 CRI (contra-relógio individual) desta distância bateu a concorrência por larga margem, no Benelux Tour e no UAE Tour (aí batendo mesmo Ganna). Bissegger é relativamente explosivo e está a preparar este dia há algum tempo, pode arriscar nas curvas à vontade. Em contra tem o facto de ter abandonado na Volta a Suíça e ter abdicado da presença nos Nacionais, o estado de forma é relativamente incógnito.



Filippo Ganna é outro nome muito forte para estas distâncias, apesar de ter perdido recentemente um duelo para Bissegger. A Ineos-Grenadiers é muito atenta a todos os pormenores e vai ter alguma vantagem competitiva face a outras equipas no que toca a fatos e bicicleta e Ganna é bastante possante para as rectas que vai haver. Não é tão explosivo como alguns dos rivais, mas é impossível negar o seu histórico em esforços destes, relativamente parecidos ao habitual CRI do Tirreno-Adriático.

 

Outsiders

Wout van Aert tem as características certas para vingar num traçado destes, principalmente por ser tão explosivo, ganhando segundos preciosos a sair das curvas. Há 2 factores que nos fazem duvidar ligeiramente do seu triunfo, primeiro porque não treinou especificamente para esta etapa, trabalhou no seu sprint para conquistar a camisola verde, segundo pois como tem esse objectivo a mais longo prazo não estará tão disposto a arriscar nas curvas, de lembrar que já teve uma queda grave num contra-relógio no Tour.

Stefan Kung está numa forma incrível, o que fez na Volta a Suíça foi deveras impressionante, só que claramente não focou a sua preparação neste dia. Conhecido por ficar muitas vezes perto da vitória, não o vemos como um nome incontornável para ganhar, mas como uma certeza para ficar nos primeiros lugares. Tem a vantagem de estar pleno de confiança e com muito mais ritmo que alguns dos rivais para este dia. Já fez várias vezes pódio em distâncias destas.



Há informações que este é o grande objectivo da época para Mads Pedersen e em condições normais o dinamarquês, a jogar em casa, já teria de ser um nome em conta, com estas circunstâncias ainda mais. Não foi por acaso que o ciclista da Trek-Segafredo este ano fez 3 contra-relógios entre os 10 e os 13 quilómetros, para se testar para este dia. Para além disso, na impossibilidade de treinar neste mesmo traçado, Pedersen desenhou um percurso o mais parecido possível para treinar e tentar replicar todas as curvas desta tirada em Copenhaga. A parte técnica é perfeita para ele.

 

Possíveis surpresas

A incontornável dupla eslovena composta por Tadej Pogacar e Primoz Roglic vai dar tudo para ter uma vantagem competitiva nas ruas de Copenhaga, este Tour pode jogar-se ao segundo, e não seria uma surpresa vê-los no top 10 ou ligeiramente mais acima. Pódio será muito complicado, não se prepararam especificamente para o CRI e nenhum deles vai arriscar tudo nas viragens apesar da motivação estar lá em cima. Roglic ao seu melhor é muito bom nestas distâncias. Mathieu van der Poel vai ter um fato especial para a ocasião, mesmo que o neerlanddês não ganhe, o objectivo é minimizar as perdas para ficar perto na geral e na luta pela amarela. Se o contra-relógio não tivesse viragens era muito pior para ele, desta forma consegue defender-se melhor, top 5 é possível. Yves Lampaert é outro ciclista que está altamente focado neste dia, o seu triunfo na Volta a Bélgica surpreendeu pela forma como foi obtido, claramente trabalhou nesta especialidade e é um bom outsider para o pódio, é explosivo e vai arriscar. Kasper Asgreen e Mattia Cattaneo ambos gostariam de algo menos explosivo e mais longo, são hipóteses para o top 10, não os estamos a ver a fazer pódio. Magnus Cort é um ciclista interessante, altamente irregular, o dinamarquês está a jogar em casa e tem a explosão necessária para este traçado, é daqueles outsiders sérios para o pódio. Geraint Thomas tem a motivação, a confiança e a experiência da pista, já lhe falta é alguma aceleração. A Bora-Hansgrohe está a voar e não seria uma surpresa completa vermos 1 ou 2 elementos da formação alemã  no top 10, como Aleksandr Vlasov, Nils Politt ou Maximilian Schachmann. Outro ciclista um pouco à imagem de Magnus Cort, de que poucos falam e que se pode intrometer no pódio é Jan Tratnik, o esloveno é incrivelmente completo, bom contra-relogista e relativamente explosivo, está numa equipa onde têm muito a provar. Outras boas hipóteses para um top 10 serão Brandon McNulty, Neilson Powless, Mikkel Bjerg, Nelson Oliveira, Daniel Martinez e Michael Matthews.

 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são Matej Mohoric e Luke Durbridge.



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