Antevisão da De Brabantse Pijl

Fazendo a transição entre as clássicas do empedrado e as clássicas das Ardenas temos então a Brabantse Pijl, uma prova muito dura e que costuma oferecer muito espectáculo.

 

Percurso

Sobe e desce, é o lema deste traçado. Com um total de 23 subidas, esta é a forma perfeita de preparar a dura semana das Ardenas que se avizinha.

Já depois de 11 pequenas colinas que servirão para aquecer os motores, a corrida entra no circuito final a 66 quilómetros do fim, a cerca percorrido por 3 vezes, isto depois de uma primeira meia volta onde dará para fazer um primeiro reconhecido.



O circuito é composto por 4 subidas: o Hertstraat (300 metros em empedrado a 6,5%), o Moskesstraat (500 metros em empedrado a 8,3%), o Holstheide (800 metros a 5,7%) e a subida final para a meta em Overijse. Serão 1500 metros a 3,6% numa subida que pode ser dividida em 3 partes: os primeiros 600 metros a 5%, outros 600 metros a 4% e os últimos 300 metros a 2%. Na última volta, as primeiras três subidas ficam a 16, 11 e 7,5 quilómetros da chegada.

 

Tácticas

Geralmente esta é uma corrida disputada entre os puncheurs e os sprinters que passam melhor as colinas, raramente há grandes surpresas e é uma excelente preparação para as Ardenas, apesar de certos ciclistas não estarem dispostos a arriscar tudo. Há aqui claramente equipas com múltiplas opções sem um grande sprinter, vão querer partir a corrida assim que possível, e depois outras como a Jumbo-Visma, a Cofidis e a Mitchelton, que vão trabalhar para um final ao sprint.



Muito pode estar dependente do que a Quick-Step quer fazer, o mais provável é a equipa belga querer fazer uma selecção bem cedo, provocando alguns cortes, e depois tentar encontrar um grupo que lhe agrade, ficando a perturbar a perseguição. Tem alguns bons finalizadores, mas nenhum lhe dá a garantia de triunfo num sprint em grupo reduzido.

 

Favoritos

Florian Senechal fez uma excelente época de clássicas, finalizando no top 10 em quase todas, incluindo um 2º posto na E3. Estava agora a atingir o pico de forma para o Paris-Roubaix, mas a prova foi cancelada. É um corredor que passa bem as colinas, tem uma boa ponta final e está na equipa certa para ganhar.

Sonny Colbrelli tem um registo invejável aqui, o italiano adora estas colinas curtas e inclinadas em rápida sucessão, tendo sido 6º em 2016, 1º em 2017, 2º em 2018 e 4º em 2020. As clássicas nem sempre lhe correram de feição, mas o top 10 na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na Milano-SanRemo e na Gent-Wevelgem indicam que a condição física para seguir os melhores está lá.

 

Outsiders

Michael Matthews é outro corredor que está sempre aqui na discussão da corrida, foi 10º em 2012, 2º em 2014 e 2015, 5º em 2016, 11º em 2017 e 4º em 2019. O australiano tem as características certas para andar bem aqui, sinceramente não parece na melhor forma do Mundo, mas conta com uma boa equipa para o ajudar e é regular.



Christophe Laporte não tem grande registo aqui, mas no papel o percurso assenta que nem uma luva ao francês. O ciclista da Cofidis seguiu constantemente os melhores nas clássicas e visivelmente está melhor nas colinas e pior nos sprints comparativamente aos seus rivais.

No papel Wout van Aert é o maior candidato, mas vemos várias razões para que uma vitória do belga não aconteça. Primeiro, será indubitavelmente o ciclista mais marcado, segundo, já no Tour des Flandres pareceu acusar algum desgaste, o Tirreno-Adriatico passou factura, será que já recuperou? Terceiro, tem uma equipa relativamente fraca em seu redor, e quarto, parece ter perdido alguma capacidade nestes esforços explosivos em subida em detrimento da alta montanha. Se van Aert ganhar amanhã é porque é mesmo uma força da natureza.

 

Possíveis surpresas

Anthony Turgis está a fazer uma temporada estupenda, fez top 10 em praticamente todas as clássicas, constantemente em destaque e a andar com os melhores. Subiu de nível face às épocas anteriores, é muito explosivo e a única participação que tem aqui foi 8º, em 2020. A Quick-Step tem imensas opções, Remi Cavagna é um verdadeiro perigo nos ataques de longe porque o terreno é complicado para perseguições, Yves Lampaert tem demonstrado boas pernas nos últimos tempos, Mikkel Honore vem de vitórias recentes e Pieter Serry até já fez pódio aqui. A Ag2r Citroen tem 2 opções válidas em Greg van Avermaet e Benoit Cosnefroy, 3º em 2020. O problema é que o francês não está na forma do ano passado, enquanto van Avermaet está bem e deve ser a aposta da formação gaulesa. Em relação aos homens rápidos ainda há 2 opções bastante interessantes. Jasper Stuyven conquistou este ano aos 28 anos os seus 2 melhores resultados da carreira em Monumentos, ainda parece relativamente fresco e apesar de nunca ter estado na discussão aqui conhece bem o terreno. Matteo Trentin adora este tipo de percurso e adapta-se bem a um final em ligeira subida. O italiano esteve bem em algumas clássicas e o resultado no Tour des Flandres engana, pois furou já na parte final quando estava na luta pelo pódio. A Alpecin-Fenix sem Mathieu van der Poel deve colocar as suas fichas em Petr Vakoc, ciclista que não está a andar mal e foi 1º em 2016 e 2º em 2017. Na Bahrain-Victorious para além de Colbrelli também há Matej Mohoric e Dylan Teuns, estamos particularmente expectantes para ver o que Teuns consegue depois do impressionante Tour des Flandres. Magnus Cort é uma caixinha de surpresas, o dinamarquês tanto pode ganhar como fazer 90º, no papel esta corrida nem é má para ele. Thomas Pidcock em teoria adapta-se bem a este traçado e nem tem uma quilometragem por aí além, o britânico fez uma época de clássicas algo irregular, veremos como está. Sep Vanmarcke mostrou quase sempre capacidade para acompanhar os melhores nas principais clássicas, o problema é que o mais provável é ter um furo na fase decisiva da corrida.



 

Super-Jokers

Os nossos super-jokers são Quentin Hermans e Valentin Madouas.

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