Antevisão da Primus Classic

A preparação para os Campeonatos do Mundo prossegue na Bélgica e amanhã é tempo para mais um teste. Julian Alaphilippe e Mathieu van der Poel encabeçam a lista de participantes de uma prova de homenagem a dois antigos corredores, Raymond Impanis e Peter van Petegem.

 

Percurso

As clássicas continuam na Bélgica e o terreno ondulado está de volta. Dia com praticamente 200 quilómetros e 15 subidas, 4 delas com empedrado. Os primeiros 100 quilómetros são os mais acessíveis, contam com apenas 5 subidas.



Entre os 81 e os 34 quilómetros para o fim aparecem as restantes subidas, num sobe e desce constante, quase sem descanso para os ciclistas. A abrir o setor de empedrado de Chemin de Relais (600 metros), seguindo-se Chaussée d’Ottenbourg (600 metros a 7,2%), Moskesstraat (500 metros a 8,9% sendo 300 metros em empedrado), Holstheide (1000 metros a 4,8%) e Smeysberg (700 metros a 5,4%).

10 quilómetros mais fáceis levam à sequência final com Florivalstraat (500 metros a 5,4%), Moskesstraat, Holstheide, Bekestraat (300 metros a 7,1% incluindo 300 metros em pavê) e Horenberg (300 metros a 8,1%). A partir daqui o terreno fica muito mais acessível, é quase sempre plano até à meta em Boortmeerbeek.

 

Táticas

Todos os olhos estarão na Deceuninck-QuickStep e na Alpecin-Fenix. Ambas as equipas trazem blocos muito fortes, com várias opções, e é quase certo vermos Julian Alaphilippe e Mathieu van der Poel na ofensiva na parte mais dura da prova. Vão querer testar-se antes dos Mundiais, saber como está a condição física. Davide Ballerini e Tim Merlier são as alternativas em caso de sprint, eles que também passam muito bem estas colinas.



Quem conseguir acompanhar estes dois comboios pode estar mais perto de vencer. Veremos do que é capaz a Trek-Segafredo, outro dos blocos mais fortes. As últimas edições têm mostrado duelos entre os sprinters e os classicómanos. Desde 2012, os sprinters venceram por 3 vezes, ou seja, foram derrotados na maioria (4).

 

Favoritos

Tosh van der Sande pode não ser um ciclista muito ganhador mas tem sido um dos mais regulares neste final de 2021. O corredor belga soma 9 top-10 desde agosto e vem de ser 3º no GP Wallonie. Adora este tipo de provas, clássicas com algumas dificuldades, onde no final consegue utilizar a sua rápida ponta final. Quer despedir-se em grande da Lotto Soudal e ao não ser um ciclista tão marcado pode ter alguma vantagem.



Jasper Stuyven é daqueles corredores que devemos ver na frente quando a corrida se partir. O belga é muito combativo, este é o terreno onde se sente bem e quererá fazer um último teste antes dos Mundiais. É rápido mas raramente espera pelo sprint.

 

Outsiders

Em caso de sprint, não há dúvidas que Tim Merlier é o alvo a abater. O ciclista belga está a fazer uma temporada fenomenal, somando já 9 triunfos, muitos deles em semi-clássicas belgas. Lidera a Taça da Bélgica, tem aqui mais uma prova onde pode somar pontos importantes para esta classificação.

Davide Ballerini poderá ser o seu grande rival mas não se admirem se o italiano também estiver ao ataque no miolo da corrida. Mais que um sprinter, o transalpino tem tido uma grande evolução neste tipo de terreno, tendo já ganho a Omloop Het Nieuwsblad. A superioridade da Deceuninck-QuickStep poderá ser fundamental.



Essa superioridade numérica pode ser essencial para o êxito de Julian Alaphilippe. O campeão do Mundo quererá despedir-se do arco-íris em grande, ele que quererá uma corrida muito dura, pois só assim terá hipóteses de vencer, seja ao sprint num grupo reduzido, seja com um ataque na parte final. Tem estado perto, veremos se é amanhã que levanta os braços.

 

Possíveis surpresas

Este é o derradeiro teste para sabermos se Mathieu van der Poel vai ou não aos Mundiais. O holandês vai querer ir a fundo do início ao fim para se testar ao limite e ver como respondem as suas costas. Parece estar recuperado, venceu no passado domingo mas amanhã os rivais são outros. Sep Vanmarcke, Tiesj Benoot, Yves Lampaert, Mikkel Honoré e Jens Keukeleire aparecem em boa forma, são bons classicomanos e conhecem o terreno como poucos. São rápidos mas sabem que têm mais hipóteses de vencer se chegarem isolados. Edward Theuns venceu a última edição logo tem que ser mencionado, ele que gosta de correr na Bélgica. Giacomo Nizzolo marcará presente, numa das primeiras vezes em que correrá com a camisola da Qhubeka-NextHash. Quando está forte, consegue seguir os mais fortes nos ataques e o seu sprint final é temido por todos. Danny van Poppel chega em grande forma, está a acabar muito forte o ano. Dentro dos sprinters, muito cuidado com Jordi Meeus ou Martin Laas na Bora-Hansgrohe, Simone Consonni ou Elia Viviani na Cofidis e Hugo Hofstetter na Israel StartUp Nation são outros candidatos.




 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Tom van Asbroeck e Amaury Capiot.

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