As mexidas do mercado internacional (VII)

A EF Pro Cycling continua a sua política de contratações, um recrutamento diferente, com alvos muito bem definidos, geralmente ciclistas de nações que não pertencem ao top 5. Depois de Odd Christian Eiking os comandados de Jonathan Vaughters anunciaram Merhawi Kudus, eritreu de 27 anos que estava na Astana desde 2019, depois de uma passagem pela Dimension Data.




Kudus é um ciclista com alguma ligação com Portugal, passa algum tempo no nosso país a treinar. Deu nas vistas no Tour of Rwanda em 2012 e nos Mundiais sub-23 em 2013, passando para a MTN-Qhubeka em 2014. A primeira temporada na Astana foi de bom nível, sendo 3º na Volta a Turquia e 1º no Tour du Rwanda, esta época regressou aos bons momentos, sendo 5º na Volta a Turquia, 8º na Route d’Occitanie e 2º na Adriatica Ionica Race, um excelente período entre Abril e Junho.

O eritreu será visto como uma boa ajuda para Hugh Carthy ou Rigoberto Uran nas Grandes Voltas, já tem muita experiência nesse campo e não sendo um trepador fenomenal, é bastante competente nesse campo. Com o calendário que a EF Pro Cycling faz pode ter na mesma algumas chances ao longo do ano.




A Alpecin-Fenix continua a fazer contratações cirúrgicas, integradas numa lógica de fortalecer áreas onde a formação Profissional Continental já é bastante forte. Depois de Michael Gogl e Stefano Oldani, foi a vez de anunciar Robert Stannard, um corredor muito semelhante a Oldani. O australiano de 23 anos é um dos diamantes por lapidar do pelotão, foi um junior e um sub-23 de alto nível, 3º no Baby Giro, ganhou o Giro di Lombardia para essa categoria, é da geração de João Almeida.

Passou para a Bike Exchange em 2019, não tendo grandes chances, começou a aparecer no final de 2020, com 2 pódios em semi-clássicas italianas e 3 top 10 na Vuelta. Em 2021 viveu sempre um pouco na sombra de Michael Matthews, uma grande aposta da equipa, conseguindo ainda ser 11º na Vuelta a Andalucia e 6º na Brabantse Pijl. O contrato é de 2 temporadas, provavelmente Stannard não terá mais oportunidades na Alpecin-Fenix, mas terá um calendário melhor para ele. Enquanto sub-23 era capaz de acompanhar os melhores na montanha, mais recentemente transformou-se num corredor que passa bem a média montanha e tem uma boa ponta final. Em caso de sprint van der Poel, Merlier e Philipsen estão à frente dele, mas passa melhor a montanha que os 3 nomes referidos.




Quem entrou com uma boa reputação na Trek-Segafredo foi o luxemburguês Michel Ries, que no currículo tinha top 10 no Baby Giro e na Volta a França do Futuro. No entanto, Ries nunca conseguiu demonstrar todo o seu potencial, também muito afectado por lesões, um ciclista que é um bom trepador e defende-se bem no contra-relógio. Este ano foi 7º na Clássica do Mont Ventoux, diante de Simon Carr ou Carlos Verona, por exemplo. É uma aposta de futuro (ainda) agora na Arkea-Samsic, uma equipa que parece encaixar-se bem para ele, participa em muitas provas duras e Ries poderá até ajudar Quintana ou Barguil em corridas de alto gabarito.

Depois de Iuri Leitão, a Caja Rural continua a fazer a sua mini-revolução no plantel e garantiu o concurso de Michael Schlegel, checo de 26 anos. O alto corredor passou pela CCC em 2017 e 2018, sendo que a partir daí representou a Elkov-Kasper. Foi 2º no Tour Alsace, 3º no Sibiu Tour e ganhou o Tour of Malopolska, tendo assinado por 2 temporadas. A capacidade de Schlegel na montanha é inegável, mas temos dúvidas que esta contratação resulte, o checo poderá ter dificuldades de integração (sente-se claramente mais à vontade em equipas e corridas da sua região) não estamos a ver esta combinação a ter o sucesso que a equipa espanhola espera.

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