Antevisão da prova de estrada dos Jogos Olímpicos 2020

Após um ano de espera os Jogos Olímpicos estão aí! Logo a abrir, temos o ciclismo, com uma prova bastante dura e que promete espetáculo! Quem sucederá a Greg van Avermaet?

 

Percurso

Uma corrida olímpica com distância (230 kms) e acumulado (4500 metros) para ser o palco de uma prova desta importância e com estes protagonistas. Os primeiros 30 kms são até bastante fáceis, mas depois surge uma fase de praticamente 50 kms em falso plano, que culmina a Doushi Road (4,2 kms a 6,3%), em que o último quilómetro a 8,1% é o mais complicado.



Depois existe uma fase plana, uma pequena colina de 2 kms e uma descida, que antecede nova fase plana, levando os ciclistas à subida mais longa do dia. A ascensão ao Mount Fuji tem um total de 14200 metros a 6,1%, é uma montanha algo irregular, alterna alguns quilómetros a 4% com 4 quilómetros acima dos 7%, onde é mais provável existir ataques.

No entanto a corrida pode ficar algo bloqueada até à parede do dia, o Mikuni Pass, que tem 6,8 kms a 10,1%. É uma subida complicadíssima em que o miolo tem 4 kms a 12%, certamente muitos corredores vão ficar aqui completamente a pé. Ao contrário do Mount Fuji é uma subida para ciclistas mais leves. Existe nova fase plana em altitude antes de nova passagem pelo Kagosaka Pass, com 2 kms a 5%, situado a 23 kms da meta. Segue-se uma longa descida até aos 5 kms finais, que têm algumas pequenas inclinações.

 

Táticas

Esta é uma corrida muito especial, muito longa e com equipas curtas. Apenas 128 ciclistas à partida, e sabe-se à partida que muitos destes não vão conseguir discutir a corrida porque não têm qualidade para tal. A subida mais longa do dia está longe da meta no entanto acreditamos que será aí que a corrida se vai começar a mexer pois muitos corredores não se podem guardar para o Mikuni Pass.



Relembramos que esta prova não permite o uso de rádios, a confusão será ainda maior, pelo que será muito importante ler a corrida. Bélgica e Eslovénia são as seleções com mais candidatos, não se podem guardar para o final por isso a luta terá que começar cedo. Outra questão será saber como se adaptarão os ciclistas ao jet lag e à temperatura e, aqueles que fizeram o Tour, ao desgaste acumulado.

 

Favoritos

Primoz Roglic deixou o Tour mais cedo devido a lesões provocadas por uma queda, mas segundo as mais recentes indicações parece estar mais que preparado para a luta. O esloveno adora estas provas, é um homem de grandes corridas, ele que já ganhou uma Liege-Bastogne-Liege e, no ano passado, esteve na discussão dos Mundiais. É muito rápido em grupos restritos.



Será Wout van Aert capaz de tirar mais um coelho da cartola? O belga foi de menos a mais no Tour, acabou a prova em grande e partiu muito confiante para Tóquio. Todos sabemos, e até o próprio deve admitir, que nas subidas, se existirem ataques não conseguirá acompanhar os puros trepadores no entanto Van Aert sabe gerir muito bem o esforço e é possível reentrar na descida. Ao sprint, já sabemos qual será o desfecho.

 

Outsiders

Remco Evenepoel está a preparar esta prova há muito tempo, já está em Tóquio há algumas semanas, está mais que adaptado ao clima e já deve conhecer como poucos as subidas. Quando está bem consegue deixar um pelotão inteiro para trás, veremos é se irá atacar cedo, como é seu apanágio. Contra si poderá ter a quilometragem, poucas provas desta extensão fez mas o fenómeno belga não tem limites.

Como estará Tadej Pogacar após o esforço do Tour de France? O esloveno entrou a matar e, mais para o final, pareceu em controlo, talvez já gerindo um pouco o seu esforço para este objetivo mas responder a esta pergunta só o próprio. Se o deixarem chegar confortável ao Mikuni Pass, Pogacar irá disparar que nem uma flecha para o ouro.



De que será capaz Alberto Bettiol? Nos recentes treinos nas subidas ao percurso, o italiano tem o melhor registo no Mikuni Pass, e que registo! O italiano está a ter uma época fenomenal, no que toca a subir, já se notou isso no Giro, e continua com uma excelente ponta final. Não será tão marcado como outros nomes e esta poderá ser uma séria arma da Itália.

 

Possíveis surpresas

João Almeida tem aqui um dos grandes objetivos da segunda metade da temporada, há várias semanas que está a preparar a prova com afinco. O português tem-se tornado um dos melhores corredores do pelotão e, no último Giro, voltou a demonstrar a sua capacidade a subir. É muito rápido em grupos restritos e isso poderá ser muito importante na possível luta pelas medalha. Adam Yates chega muito fresco, não compete há algum tempo, e foi mais um a preparar esta prova com antecipação. Este é o terreno do britânico, subidas bastante inclinadas e mais ou menos longas. Poderá fazer um dupla temível com o seu irmão Simon Yates. Sergio Higuita foi um dos destaques da última semana do Tour, sempre ao ataque, mostrando muita disponibilidade física. Está numa Colômbia forte, tem corredores já habituados a estas competições. David Gaudu lidera uma renovada França e também ele acabou o Tour em grande, numa corrida bastante tática e onde os principais galos se marquem pode aproveitar. De que será capaz Alejandro Valverde? O espanhol foi ao Tour para preparar os Jogos Olímpicos, os 5º da carreira, e acabou bastante bem, parece ter programado muito bem o seu pico de forma. Nomes como Michael Woods, Dan Martin, Bauke Mollema, Richard Carapaz, Maximilian Schachmann e Michal Kwiatkowski não podem ser descartados, têm aqui um percurso bom para as suas características mas só os vemos a ganhar em condições muito especiais.



 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Marc Hirschi e Damiano Caruso.

 

, , , ,