Antevisão da Volta a Flandres 2020

O último Monumento da temporada! A Ronde van Vlaanderen é um dos momentos altos da temporada e este ano espera-se mais uma corrida espetacular na luta pelo lugar mais alto do pódio.

 

Percurso

Desde 2012 que o percurso se mantém praticamente inalterado, com a partida a ser dada bem cedo na cidade de Antuérpia. Num ano atípico, também o percurso deste Monumento sofreu uma pequena redução na sua quilometragem e sem o Muur-Kapelmuur no percurso

Os primeiros 100 quilómetros são planos, existindo dois setor de empedrado não muitos longos. O Katterberg é a primeira subida do dia, seguindo-se novo curto setor de empedrado. O mítico Oude Kwaremont (2,2 kms a 4%, 1500 metros em empedrado com rampas máximas de 11,6%), surge pela primeira vez ao km 117,3 sendo que a partir daqui inicia-se uma nova prova, que se caracteriza por muitas ascensões, numa rápida sucessão.



Começa pela Kortekeer, seguindo-se mais 5 subidas em apenas 25 quilómetros: Eikenberg (700 metros a 6.7%), Wolvenberg (1645 metros a 7.9%), Leberg (950 metros a 4.2%), Berendries (940 metros a 7%) e Valkenberg (500 metros a 7.6%).

Antes da entrada no circuito final surge o Kanarieberg (1000 metros a 7.7%), que culmina a 71 kms da meta. A corrida entra num período de acalmia até aos derradeiros 57 quilómetros, quando os ciclistas fazem o seu regresso a Oudenaarde, que começa com mais uma passagem do Oude Kwaremont, à qual se segue o famoso Paterberg (360 metros a 12.9% com rampas a 20%).

A 44.6 quilómetros da meta aparece o Koppenberg (600 metros a 11.6%), logo seguido do sector de pavê do Mariaborrestraat, do Steenbeekdries (700 metros a 5.3%) e do Taaienberg (530 metros a 6.6%), que está a 38,5 quilómetros do final.

Se ainda nada estiver decidido, restam 4 subidas. O Kruisberg (2,5 kms a 5%, com 450 metros em empedrado) antecede a terrível dupla do Oude Kwaremont e do Paterberg, sendo que esta ascensão termina a apenas 13.3 quilómetros da linha de meta. Da última dificuldade até à linha de meta as estradas são planas e bastante largas, perfeitas para uma perseguição a um ciclista que esteja isolado.

 

Tácticas

À partida para esta corrida os olhos estão postos em 2 nomes: Wout van Aert e Mathieu van der Poel. A marcação directa entre eles levantou muitas ondas na Gent-Wevelgem, preferindo perder a prova a levar o outro a ganhar. Van Aert mostrou-se descontente e a relação entre eles não é propriamente boa, a rivalidade dura já há muito tempo. Geralmente numa prova destas uma marcação assim entre 2 candidatos nunca resulta muito bem para os 2.



O problema é que nem a Jumbo-Visma nem a Alpecin-Fenix têm propriamente blocos super fortes, são alinhamentos consistentes com alguns bons ciclistas, mas nada de deslumbrante, não têm capacidade para controlar a corrida e além disso já se viu que especialmente Mathieu van der Poel não é corredor de esperar. Estando os 2 potencialmente isolados num grupo de favoritos terão a vida muito complicada.

Uma equipa habitualmente dominadora como é a Quick-Step terá de fazer algo alternativo para vencer pois a coesão do grupo valerá mais do que as individualidades aqui e a ausência de Peter Sagan também altera as dinâmicas da corrida. Todos estarão também de olho em Mads Pedersen porque a Trek-Segafredo está a andar muito bem e o dinamarquês está visto que é o melhor sprinter do Mundo depois de 250 kms de competição.

 

Favoritos

Numa corrida que se prevê muito táctica é preciso realçar a capacidade da Team Sunweb e de Soren Kragh Andersen nesse campo. O dinamarquês fez um grande Tour e comprovou que essa boa forma se manteve no BinckBank Tour. No Paris-Tours caiu sem gravidade e não participou nas restantes provas belgas, poupando-se para este dia. Com Joris Nieuwenhuis, Tiesj Benoot e principalmente Nils Eekhoff a Sunweb tem armas para ter um belo dia e Kragh Andersen é um corredor de grandes vitórias.



Como já referimos, Mads Pedersen beneficia de provas longas e duras, conseguindo utilizar como ninguém a sua boa ponta final. O dinamarquês impressionou na Gent-Wevelgem e o bloco de clássicas da Trek-Segafredo é muito bom, com Theuns, Kirsch e Stuyven. Pedersen já foi 2º aqui e sabe perfeitamente que não consegue aguentar com os favoritos nas subidas, tem de ganhar margem antes das colinas decisivas.

 

Outsiders

Wout van Aert precisava de mais poder de fogo na Jumbo-Visma, de forma a que a equipa conseguisse controlar a corrida e marcar os ataques. Falta um Mike Teunissen no seu melhor para tal, mas o belga provou que nas colinas só mesmo Mathieu van der Poel o consegue acompanhar e num sprint final o jogo estará igualado.

Praticamente o mesmo se aplica a Mathieu van der Poel, pensamos que vai haver marcação cerrada entre ambos e só circunstâncias de corrida especiais ou um acordo tácito pode evitar isso. A habitual estratégia do holandês de atacar de longe pode virar-se contra ele, é preciso ficar com ajuda o máximo tempo possível.



É impossível não incluir um Quick-Step nas primeiras categorias neste tipo de corridas. A formação belga terá de jogar com os números visto que Julian Alaphilippe não dá à partida tantas garantias como os 2 principais favoritos. Tendo isso em conta é preciso ter cuidado com Kasper Asgreen, um corredor que habitualmente é lançado bem cedo, mas é algo que nestas corridas pode ser benéfico, até para evitar as habituais quedas. Asgreen tem um grande motor e já andou bem aqui no passado.

 

Possíveis surpresas

Alberto Bettiol está a andar cada vez melhor, mas já não terá o efeito surpresa de 2019. Fez uns Mundiais excelentes e na Gent-Wevelgem conseguiu estar junto dos melhores e a sua equipa é muito, muito boa, com Bissegger, Keukeleire, Vanmarcke e Langeveld, é preciso ter muito cuidado com o italiano. Como já dissemos na Quick-Step quase todos podem triunfar, sendo que Yves Lampaert e Florian Senechal têm uma boa ponta final e Julian Alaphilippe vai tentar espalhar classe nas estradas belgas. John Degenkolb tem estado bastante bem, ganhou na Volta ao Luxemburgo e integrou o grupo dianteiro na Gent-Wevelgem, é a melhor carta da Lotto-Soudal. Matteo Trentin será a esperança da CCC Team e o italiano tem as características certas para ganhar, no entanto toma muitas vezes as opções tácticas erradas e precisa de chegar num grupo muito específico para vencer. Stefan Kung será outro dos interessados em partir a corrida de longe, com o motor enorme que tem sabe que perde para quase todos ao sprint. Alexander Kristoff esperará por uma corrida relativamente calma, à imagem de Degenkolb e Luka Mezgec, enquanto a Bahrain-McLaren tem 2 ciclistas capazes do 8 ou 80: Sonny Colbrelli e Dylan Teuns. Se todos dentro da Trek-Segafredo estiverem a olhar para Mads Pedersen muito cuidado com Jasper Stuyven.



 

Super-Jokers

Os nossos super-jokers são Maximilian Schachmann e Nils Eekhoff.

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