Antevisão do Tour des Alpes Maritimes et du Var

O ciclismo segue em solo francês com mais uma prova por etapas. Apenas 3 dias, mas 3 dias de montanha e com uma lista de participantes de luxo!



 

Percurso

Três dias de competição com bastante montanha, ideal para os ciclistas testarem a sua condição física, muitos pela primeira vez. Uma chegada em alto, uma chegada num pequeno topo e uma etapa de alta montanha que termina em descida, um percurso bastante completo.

 

Etapa 1

Para abrir a competição, 187,5 kms entre Biot e Gourdon, numa tirada que pode ser dividida em duas fases, uma primeira sem contagens de montanha mas com um sobe e desce constante e com alguns pequenos topos.

A quilómetro 120 o pelotão entra no circuito final a ser ultrapassado por 3 vezes onde a grande dificuldade é o Col de Gourdon (14 kms a 3,9%). Pela média, a subida não é dura (tem bastantes fases de descanso) mas tem um último quilómetro a 5,4%.

 

Etapa 2

Fayence é a capital do ciclismo ao 2º dia, acolhendo o início e o término da etapa. Uma longa volta em torno da cidade gaulesa num dia com 3090 metros de desnível acumulado positivo mas que se deve decidir na chegada.

A chegada a Fayence é bastante dura com 9,8% de inclinação média durante 1200 metros. Uma parede autêntica, a fazer lembrar o Mur de Huy!




Etapa 3

A etapa rainha fica guardada para o último dia. Apenas 131 kms mas com uma dureza incrível (mais de 3500 metros de desnível acumulado positivo), com um total de 3 contagens de montanha e mais 4 subidas dignas de registo.

Falando das subidas categorizadas, o Col Saint-Roch (5,8 kms a 7.3%) e o Col de Braus (10 kms a 6.3%) surgem na primeira metade da tirada, ao qual ainda pudemos juntar o Col de Castillon (6,2 kms a 5.7%).

Após uma longa descida, surge a grande dificuldade, o Col de la Madone de Gorbio (11,2 kms a 6.8%). Esta escalada termina a 25 kms do fim e, depois de uma descida de 13 kms aparecem 1100 metros a 7.4% e o Col de Nice (2,5 kms a 4.7%). Esta sim é a última subida do dia, seguindo-se 6,5 quilómetros muito rápidos até Blausasc.

 

Táticas

Numa competição tão curta e com 3 chegadas tão variadas, é preciso ser um ciclista muito completo para poder vencer. Para além de bom trepador, é preciso ser um ciclista explosivo para os finais da 1ª e 2ª etapas. Ter quilómetros nas pernas vai ser importante no entanto não podemos descartar alguns corredores que se estreiam em 2021.

 

Favoritos

Jakob Fuglsang abre a temporada de 2021 em França mas se há ciclista que começa a carburar desde o 1º dia é o dinamarquês, basta ver os seus resultados nas últimas épocas. Aos 35 anos, Fuglsang parece melhor que nunca, é um trepador de excelência e muito explosivo. Gorka Izagirre e Harold Tejada serão gregários fundamentais.



O Tour de la Provence mostrou uma versão muito positiva de Giulio Ciccone, um corredor perfeito para este percurso. O italiano parece ter deixado os problemas de saúde para trás e adorará as duas etapas de alta montanha, sendo que na chegada explosivo poderá sentir mais dificuldades mas se estiver na luta não será de estranhar. Fará uma dupla perigosa com Bauke Mollema.

 

Outsiders

Não fossem as muitas descidas e talvez tivéssemos colocado Michael Woods mais acima. O canadiano é um puncheur de enorme qualidade, muito explosivo – o final da 2ª etapa assenta-lhe que nem uma luva – mas no 3º dia poderá sofrer bastante com as descidas. Se tiver trabalhado esta vertente na pré-época e tiver melhorado, a sua estreia na Israel Start-Up Nation pode ser um sucesso.

Com uma equipa de luxo é difícil adivinhar o líder da INEOS Grenadiers. Na nossa opinião, Tao Geoghegan Hart quererá marcar uma posição desde cedo dentro da equipa e nada melhor que começar a ganhar. O vencedor do último Giro é um dos melhores trepadores presentes e a juntar a isso tem uma excelente ponta final e um forte bloco para o apoiar.



David Gaudu tem em 2021 um ano muito importante. A grande exibição na Vuelta de 2020 fê-lo subir patamares dentro da sua equipa e, este ano, terá muito mais oportunidades. O pequeno francês é um trepador muito competente, já mostrou que é bastante explosivo e poderá não ter a marcação de outros corredores.

 

Possíveis surpresas

Na super-equipa da INEOS Grenadiers, Pavel Sivakov é outro nome a ter em atenção, ele que tem brilhado sempre que tem tido a possibilidade para tal e já mostrou que sabe vencer provas por etapas entre os elites. Temos de estar curiosos com aquilo que Thomas Pidcock será capaz. O talentoso britânico é mais quem um puncheur, demonstrou isso no escalão sub-23, e vem com ritmo competitivo do ciclocrosse. Após uma pequena pausa, veremos como vai reagir. Jesus Herrada entra sempre bem nas épocas desportivos e, este ano, não foi excepção. Corredor muito completo, é nesta altura que pode estar na discussão deste tipo de provas, quando os grandes trepadores ainda não estão no topo de forma. Dan Martin e Bauke Mollema são alternativas dentro das suas equipas a corredores que já referimos, atenção ao holandês que já tem bastante ritmo competitivo. Rui Costa também tem por hábito começar forte, no entanto a montanha pode ser demais. Valentin Madouas e Pierre Latour costumam andar bem nas provas caseiras e, com alguma liberdade, podem surpreender com uma classificação entre os primeiros. Por fim, atenção aos jovens trepadores Clement Champoussin e Simon Carr.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Simon Geschke e Xandro Meurisse.



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