As mexidas do mercado internacional (V)

Depois de um início frenético do mercado de transferências, com muitos rumores a serem confirmados e muitos líderes a mudar de equipa, os últimos dias foram mais calmos, ainda assim houve movimentos de mercado bem interessantes.



A Trek-Segafredo é das equipas que não está a perder tempo e já tem o plantel para 2022 praticamente fechado, com 28 corredores no plantel. Finalmente aos 26 anos o talentoso Markus Hoelgaard vai poder mostrar o que vale numa equipa World Tour, depois de passagens por 3 projectos noruegueses diferentes. Hoelgaard deu nas vistas em 2018, quando foi 2º na Arctic Race, sendo que em 2019 na mesma prova fez 7º à geral e ganhou 1 etapa.

A ascensão da Uno-X também o levou a fazer provas de maior dimensão e se no ano passado foi 2º na Volta ao Luxembugo, este ano foi em cheio para o nórdico. Sim, ganhou 1 etapa na Arctic Race e foi 4º na Volta a Noruega, mas o que impressionou mais foi as clássicas que ele fez, finalizando a Kuurne-Bruxelles-Kuurne em 14º, a E3 Saxo Bank em 8º e a Amstel Gold Race em 19º. É um puncheur e uma boa alternativa para todas as clássicas, é bem possível que faça parte do 8 escolhido pela Trek-Segafredo para os Monumentos.



Um nome bem menos sonante, mas igualmente para as clássicas foi o de Otto Vergaerde, mais um corredor que passou para Topsport Vlaanderen (entre 2014 e 2016) e que chega ao World Tour depois de alinhar pela Verandas Willems e pela Alpecin-Fenix. Vergaerde não tem grandes resultados de destaque, tem sido um gregário nas clássicas e é provavelmente esse o intuito da Trek-Segafredo para ele. Tem 27 anos e será próximo de Jasper Stuyven e Edward Theuns, que deram boas indicações sobre ele.

A 3ª e última contratação da Trek-Segafredo esta semana é também a mais inesperada, a de Jon Aberasturi, sprinter espanhol de 32 anos que regressa ao World Tour depois de lá ter estado em 2013, ao serviço da Euskaltel-Euskadi. Conta com passagens também pela Orbea, pela Team Ukyo, Euskadi-Murias e, desde 2019, pela Caja Rural.

É um sprinter poderoso e regular, que gosta de uma chegada em ligeira subida, nesta Vuelta já fez top 10 em etapa por 3 vezes. Nessa perspectiva para a formação norte-americana pode ser encarado como um sprinter de recurso, capaz de pódios e do ocasional triunfo em provas menores e de top 10 em corridas World Tour. Como tem 32 anos pode enveredar assim por uma carreira mais dedicada ao lançamento de sprints, lembrando que a equipa tem Mads Pedersen e o promissor Matteo Moschetti, diríamos que a Trek-Segafredo o contratou a pensar mais nisso e não o vê como um líder.



Já em relação à Arkea-Samsic, a formação Profissional Continental francesa decidiu apostar num dos sprinters gauleses mais proeminente da actualidade, Hugo Hofstetter. O ciclista natural de Altkirch mudou-se da Cofidis para a Israel Start-Up Nation em 2020 e em 2022 irá regressar ao nível em que mais brihou, numa equipa que também faz um calendário muito interessante.

Hofstetter continua a ser um corredor capaz de fazer top 10 em corridas do World Tour e pódios em provas do circuito europeu. Adora as clássicas duras, disputadas em condições complicadas, foi assim que ganhou a Le Samyn em 2020, a melhor vitória da carreira até agora. Também tem pódios no G.P. Cholet, no G.P. Denain e na Nokere Koerse. É um lutador, com um estilo muito característico e que vai dividir a liderança com Nacer Bouhanni, tendo ajuda nos sprints mais planos de Dan McLay e Amaury Capiot.



Depois de 11 temporadas ao serviço da Cofidis, Nicolas Edet finalmente mudou de ares, ao rubricar um contrato válido por 2 temporadas com a Arkea-Samsic. O experiente francês de 33 anos já conta com 13 Grandes Voltas na carreira, tendo sido rei da montanha na Vuelta em 2013. Não é um ciclista que ganhe muito, tem apenas 2 vitórias na carreira, e costuma ser muito combativo, será certamente um nome a ter em conta na selecção interna para o Tour, sendo o seu terreno predilecto a montanha.

A 3ª contratação não é tão sonante, trata-se de Simon Gugliemi, que fez um percurso de formação na FDJ e que representou a formação do World Tour em 2020 e 2021. Também assinou por 2 temporadas e já vai com a bagagem de ter terminado o Giro por 2 vezes. Gugliemi é um bom trepador, foi 8º no Baby Giro em 2019, mostrando também ter alguma explosão em chegadas para puncheurs. Na FDJ não obteve grandes resultados, esperando na Arkea-Samsic dar o ambicionado salto e quem sabe regressar ao World Tour no final do contrato.



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