As mexidas do mercado internacional (XII)

Os últimos dias de mercado têm sido bastante animados, com bastantes trocas entre as equipas do World Tour. Algumas peças mudaram de lugar, mantendo-se no mesmo tabuleiro, sendo que hoje vamos falar de 3 saídas da INEOS Grenadiers e de 2 contratações da Israel Start-Up Nation.

A INEOS Grenadiers perdeu 3 elementos que não eram fulcrais dentro da estrutura da formação britânica, e que também não tinham assim tanto protagonismo. Em 2018 a transferência de Ivan Sosa da Androni para a Team Sky foi um assunto bastante badalado no mercado. O colombiano de 21 anos tinha feito um temporada estupenda, vencendo a Adriatica Ionica Race, o Sibiu Tour e a Vuelta a Burgos, tendo ainda sido 6º na Volta a França do Futuro, e ela dos activos mais valiosos. Havia a expectativa que Sosa chegasse ao nível de Bernal, pelo menos essa esperança dentro da Team Sky.




O ano de 2019 até foi bom, foi 2º na Colombia Oro y Paz e na Route d’Occitanie e renovou o título na Vuelta a Burgos. No entanto, foi inconsistente em certas partes do ano e em corridas World Tour nunca apareceu, algo que se voltou a repetir em 2020. Esta época arrancou bem no Tour de la Provence, mas voltou praticamente ao anonimato depois. A INEOS não procurou em Sosa um corredor para liderar em corridas fora do World Tour, queria um grande líder, e Sosa nunca se conseguiu impor verdadeiramente. Para um gregário de luxo falta-lhe a consistência, a fiabilidade e ser mais completo.

Nesse campo a Movistar arriscou e contratou o colombiano, neste momento com 23 anos, para tentar retirar a melhor versão dele. Sosa continua a ser uma ameaça das chegadas em alto, continua a bater grandes trepadores nestas etapas, só não o vemos como um grande líder, é mau no contra-relógio e posiciona-se mal no pelotão. Até pode vir a dar alguns triunfos à equipa espanhola, não o vemos a obter grandes vitórias no World Tour.

Outro colombiano que está de saída é Sebastian Henao, terminando assim uma longa ligação com a antiga Team Sky, que já durava desde 2014. O corredor de 28 anos sempre foi um gregário na estrutura britânica, útil por vezes em algumas corridas com montanha. Tinha uma clara preferência pelo Giro, das 6 Grandes Voltas em que participou, esteve em Itália por 5 ocasiões, tendo sido 24º em 2019, 22º em 2014 e 17º em 2016.




Fora desse contexto foi tendo algumas oportunidades por força das circunstâncias, por exemplo, este ano foi 8º na Volta ao Algarve estando ao trabalho para Ethan Hayter e em 2016 foi 6º na Arctic Race. Henao nunca foi propriamente uma primeira escolha dentro da estrutura britânica, basta ver que em 8 temporadas só tem 6 participações em Grandes Voltas e nunca foi escolhido para o Tour, é hora de uma outra geração na Ineos e Henao está a caminho da Astana, onde irá trabalhar para o seu compatriota Miguel Angel Lopez, confirmado entretanto hoje de forma oficial. Na perspectiva da equipa cazaque faz sentido, tentar colocar o colombiano mais em casa, e é preciso recordar que foi uma equipa que entrou tarde no mercado.

Quem também segue o mesmo caminho de Sebastian Henao é o italiano Leonardo Basso, rubricando um contrato válido por 2 temporadas. A Astana tem 2 grandes blocos, um de ciclistas cazaques e outro de italianos, sendo que para 2022 Basso é o 4º italiano com contrato, depois de Nibali, Moscon e Battistella.

Basso entrou tarde no ciclismo como profissional, com 24 anos na Team Sky. Na temporada de estreia nem esteve mal, foi 11º na Nokere Koerse, 5º na Coppa Bernocchi e 7º no G.P. Bruno Beghelli, sendo que depois entrou no anonimato, tanto que em 4 temporadas nunca foi escolhido para fazer uma Grande Volta. Não cremos que vá ter grande impacto na Astana, que optou pela experiência em detrimento da juventude nestas primeiras contratações.




Isto aconteceu também porque boa parte das saídas da formação cazaque foram de corredores bem experientes, mais recentemente do veterano Jakob Fuglsang, que assinou um incrível contrato de 3 anos com a Israel Start-Up Nation. Incrível na perspectiva do dinamarquês, que já tem 36 anos e que em 2021 mostrou-se bem longe do nível de 2019 e 2020, temporadas em que ganhou Monumentos (Liege-Bastogne-Liege em 2019 e Giro di Lombardia em 2020) e provas conceituadas como o Dauphine ou a Vuelta a Andaluzia.

É uma contratação que na perspectiva da Israel Start-Up Nation até percebemos, principalmente pela saída de Dan Martin, mas nunca no contexto de um contrato de 3 temporadas para um corredor de 36 anos, parecendo quase um último contrato de carreira. A formação israelita tem um problema, a veterania dos seus líderes, ora vejamos, Froome, Vanmarcke, Woods, Hermans, de Marchi, Impey, agora Fuglsang, não existe perspectiva de crescimento no futuro desta forma, existe sim um gasto orçamental enorme em corredores que já estam numa fase descendente da carreira na maioria dos casos, assim será muito complicado subir nos rankings. Fuglsang ainda poderá discutir algumas clássicas e provas de 1 semana, não nos parece que chegue novamente ao nível de 2019 e 2020.




O canadiano Hugo Houle, de 31 anos, não só seguiu o mesmo caminho, como também tem a presença garantida no World Tour até ao final de 2024, depois de passagens pela Ag2r (5 épocas) e pela Astana (4 anos). O actual campeão nacional de contra-relógio até teve uma passagem positiva pela equipa cazaque, tem mostrado provas de evolução, nomeadamente no contra-relógio, onde este ano fez inclusivamente top 20 nos Mundiais e nos Jogos Olímpicos. Não é um corredor que faça a diferença, é um gregário completo, útil em vários terrenos.

 

, , , , , , , , , , , , , ,