Revelação da Vuelta a Colômbia passa de entregar pizzas a ciclista profissional em meses

A Vuelta a Colombia decorreu entre 16 e 25 de Abril e foi espectacular como já é hábito. Várias equipas locais, recheadas de trepadores colombianos desafiaram a Team Medellin, o maior portento local. A Team Medellin tomou o controlo logo no prólogo e liderou mais 3 dias, até que Yesid Pira deslumbrou tudo e todos e ganhou 1 minuto a toda a gente no Alto de la Linea, uma subida de 22 kms.



Pira ainda segurou a liderança por 1 dia, perdeu-a na cronoescalada e tudo se decidiu no Alto del Vino, uma montanha com 40 kms. Nessa jornada, no penúltimo dia, Darwin Atapuma regressou aos triunfos e José Tito Hernandez, da Team Medellin, passou para a frente, com 1 segundo sobre Angel Gil, tudo para decidir na última jornada porque Juan Pablo Suarez sucumbiu aos ataques. No último dia a Medellin controlou e José Tito Hernandez levou a geral da Vuelta a Colombia.

No entanto, um dos grandes destaques foi sem dúvida Yesid Pira, vencedor de etapa e 5º à geral, com apenas 21 anos. Isto sem uma estrutura forte a ajudá-lo, a sua equipa é débil e nunca o foi capaz de apoiar nos momentos chave. Com uma autêntica legião de colombianos na Europa neste momento, rapidamente se começou a especular que Pira seria o próximo.



Yesid Pira tem uma história de vida muito interessante, os pais trabalham na agricultura, numa pequena povoação, e Pira foi para Bogotá com 16 anos, à procura de uma vida melhor. Trabalhou na construção cívil e apenas se dedica ao ciclismo há 2 anos, trabalhando também num restaurante, por vezes até altas horas da madrugada. Um amigo convenceu-o a dedicar-se ao ciclismo em 2019 e logo nas primeiras provas amadoras deu nas vistas, vencendo uma delas com pedais e sapatos de BTT.

Em 2020 participou na Vuelta a Colombia para sub-23, caiu na 2ª etapa e fracturou a clavícula. Ainda assim, concluiu a corrida na 32ª posição, com dores terríveis, e em 2021 tudo se conjugou para um grande resultado e dar nas vistas. As equipas europeias não perderam tempo, cedo contactaram o seu treinador, inclusivamente algumas das formações mais poderosas do World Tour (Ineos-Grenadiers, Jumbo-Visma e UAE Team Emirates).



No entanto, o jovem Pira, que tem em Alberto Contador a sua principal referência, optou por um caminho bem mais prudente e mais gradual, de acordo com o seu treinador em declarações prestados aos meios locais, Yesid Pira vai correr na equipa sub-23 da Caja Rural durante alguns meses este ano, ingressando depois na equipa ProContinental para 2022 e 2023. Se os resultados forem incríveis em 2022 acreditamos que será muito complicado para a equipa espanhola segurar o colombiano, um pouco como acontece muitas vezes com a Androni.

 

Fonte: RevistaMundoCiclistico.

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