Análise às equipas presentes na Volta a Portugal 2021

W52-FC Porto

Pelo sexto ano consecutivo, os comandados de Nuno Ribeiro vão tentar vencer a Volta a Portugal! À partida, e como já vem sendo hábito, os azuis e brancos têm o conjunto mais forte. Os dois últimos vencedores da prova, João Rodrigues em 2019 e Amaro Antunes em 2020, e Joni Brandão, reforço para esta temporada, são os 3 líderes à partida numa equipa que se deu ao luxo de deixar de fora um dos ciclistas em melhor forma do pelotão nacional, o campeão nacional José Neves.

O núcleo duro composto por Ricardo Mestre, Samuel Caldeira e Daniel Mestre volta a estar presente, são corredores que conhecem como poucos as estradas nacionais e, a estes, em relação à temporada passada, junta-se o também experiente Ricardo Vilela. Daniel Mestre poderá ter oportunidades nas poucas chegadas rápidas, adaptam-se às suas características.




Movistar Team

Regresso da Movistar à Volta a Portugal 19 anos depois e com um conjunto de corredores interessante. Lluis Mas será o capitão da equipa, com Sergio Samitier possivelmente como líder. O espanhol está em boa forma, foi recentemente 6º na Settimana Ciclista Italiana e é preciso não esquecer que foi 13º no Giro em 2020. Hector Carretero é outro nome interessante, 4º recentemente em Ordizia, vencedor de 1 etapa nas Asturias em Maio, tem mostrado capacidade na montanha e ser um excelente gregário que aproveita as oportunidades. Muito provavelmente daqui sairá o melhor ciclista de equipas estrangeiras.

O trepador Juan Diego Alba é uma grande incógnita, 3º no Giro sub-23 em 2019, ainda não mostrou junto da elite essa capacidade. Mathias Norsgaard é um bom rolador e Abner Gonzalez está em boa forma, tendo sido 5º na Vuelta a Castilla y Leon e 4º no Circuito de Getxo.

 

Bingoal Pauwels Sauces WB

Será o mítico Jelle Vanendert, já em final de carreira, capaz de ainda fazer uma gracinha? Será muito complicado, o belga de 36ª anos já não tem a capacidade de outrora e não tem propriamente nenhuma chegada ao seu jeito. Boris Vallee é um bom finalizador, mas que também está longe do que já mostrou. A melhor chance da equipa belga conquistar 1 etapa é através de uma fuga vitoriosa de Joel Suter, um corredor que evoluiu muito bem este ano.

 

 

Caja Rural – Seguros RGA

Das equipas espanholas esta é a que tem mais tradição nas estradas lusas e a que apresenta o alinhamento mais composto e completo. O líder para a classificação geral é Jhojan Garcia, uma oportunidade para o colombiano de 23 anos mostrar o que vale no seu terreno predilecto. Foi 4º na Volta a Hungria e 4º na Volta a Turquia este ano, 8º na Volta a França do Futuro em 2019, pode ser a surpresa no top 10. Para os sprints há o venezuelano Orluis Aular, que já tem 2 pódios em competição importantes e chegadas complicadas este ano. David Gonzalez é outro bom finalizador, enquanto Jon Irisarri e Hector Saez são bons roladores, que terão certamente as suas chances.

 

Euskaltel-Euskadi

É importante notar que as equipas espanholas não vêm na sua máxima força, a Vuelta está à porta e os ciclistas usam essencialmente a Vuelta a Burgos para ultimar os detalhes. O mais conhecido da equipa basca é Garikoitz Bravo, um ciclista que já correu várias vezes em Portugal e que no ano passado foi 10º na Volta a Turquia, deverá ser o mais cotado na montanha. Esperem ver Txomin Juaristi e Julen Irizar em fugas na média montanha, enquanto Mikel Alonso é o melhor finalizador.

 

 




Burgos-BH

A Burgos-BH na máxima força já não mete muito medo, quanto mais com as segundas linhas. Juan Antonio Lopez-Cozar deverá ser o melhor na montanha, enquanto Alex Molenaar e Manuel Penalver esperam disputar, pelo menos, 1 chegada ao sprint, mas não será tarefa fácil.

 

 

 

 

Equipo Kern Pharma

A formação espanhola está neste momento a passar por uma boa fase e procura continuar isso em Portugal. O grande líder é mesmo Enrique Sanz, que estará a salivar com as 2 oportunidades que poderá vir a ter, um corredor que já ganhou em Portugal (ainda há 1 mês festejou em Évora, na última etapa da Volta ao Alentejo), que passa bem a média montanha e que gosta de um final empinado. Sanz tem 9 vitórias na carreira, 6 delas em Portugal, um número impressionante. Na Volta a Portugal venceu em 2018, na chegada a Viana do Castelo. Marti Marquez é o corredor com mais aptidão para a montanha.

 

Rally Cycling

Uma interessante equipa norte-americana que se apresenta com um alinhamento quase na máxima força. Os americanos inclusivamente já têm experiência nas estradas portugueses, sendo que no ano passado Keegan Swirbul foi 14º à geral, o 4º melhor ciclista entre as equipas estrangeiras. Swirbul está de volta, mas a passar por um momento complicado, mas há outros ciclistas capazes de ocupar o lugar dele. Gavin Mannion está em boa forma, Benjamin King é muito experiente e até ganhou 2 etapas na Vuelta há 3 anos e veremos também o que Nathan Brown consegue. A Rally Cycling será sempre um perigo nas fugas e deve colocar alguém dentro do top 20.

 

Efapel

A formação de Águeda tem sido a grande rival da W52-FC Porto no calendário nacional e na Volta a Portugal não deverá ser exceção. Frederico Figueiredo vem de vencer o Troféu Joaquim Agostinho, tal como em 2020, mas ao contrário do ano passado quererá melhorar o 2º lugar. A muita montanha favorece-o, numa equipa onde António Carvalho também parte com estatuto de líder.

André Cardoso deu muito boas indicações no seu regresso à competição, será uma enorme mais-valia, com Javier Moreno e Mauricio Moreira, um dos ciclistas em maior evidência no calendário nacional, a serem outros gregários de luxo, sendo que o uruguaio até pode ser protegido numa primeira fase. Rafael Reis será a locomotiva da equipa nas partes planas, onde Luís Mendonça também será um corredor muito importante. Este último terá as suas oportunidades nas poucas chegadas ao sprint.




Israel Cycling Academy

A formação mais jovem aqui presente, com uma média de 20 anos de idade. São todos corredores desconhecidos para o público em geral, e especialmente os israelitas devem ter dificuldade na alta montanha. Vamos ver se Alastair Mackellar continua o bom momento que mostrou no Troféu Joaquim Agostinho, onde ganhou ao sprint no circuito de Torres Vedras, tendo a ajuda de Mason Hollyman, o melhor trepador deste alinhamento.

 

 

Tavfer-Measindot-Mortágua

Poucos dias depois do falecimento de Pedro Silva (deixamos as condolências a toda a família e amigos), a equipa de Mortágua parte para mais uma Volta a Portugal, após uma temporada bastante positiva. Joaquim Silva está a ter um ano muito regular, tem terminado praticamente todas as provas que tem feito no top-10 e tentará o primeiro na “Grandíssima”. Tiago Antunes abriu o ano a voar, lesionou-se e voltou muito bem, é mais um perigo para as chegadas mais explosivas. Gaspar Gonçalves e Angel Sanchez são corredores muito combativos, não se admirem de os verem em bastantes fugas.

Para infortúnio de Iuri Leitão, esta é uma Volta a Portugal pouco amiga dos sprinters, existem apenas 2 chegadas prováveis, e mesmo essas não são fáceis. O jovem sprinter tem estado a fazer uma temporada de luxo, venceu no Alentejo e no GP Douro Internacional, de forma autoritária. Pedro Paulinho será o seu lançador. A equipa fica completa com Pedro Pinto.

 

Louletano – Loulé Concelho

7 ciclistas e 6 nacionalidades diferentes, uma autêntica sociedade das nações é o que os comandados de Jorge Piedade apresentarão à partida em Lisboa. Jesus del Pino, Roniel Campos e César Paredes serão os trepadores de serviço, sendo que para a geral acreditamos mais no último, o colombiano e o que tem mais qualidades de puro trepador. Del Pino é muito combativo mas a alta montanha é demais para si enquanto que Campos ainda não mostrou o que evidenciou no circuito sul-americano, talvez ainda não esteja adaptado.

Já do argentino Tomas Contté não se pode dizer o mesmo. O velocista alviceleste está a ter uma temporada muito positiva, venceu o GP Abimota e somou mais 6 top-10. Com quase 40 anos, Carlos Oyarzun será um corredor muito combativo, papel que também esperamos ver por parte de Nuno Meireles e Rui Rodrigues.

 

Antarte-Feirense

Com um ano mais apagado que o normal, Vicente Garcia de Mateos parte como líder da equipa de Joaquim Andrade para a prova. O espanhol tem estado discreto, mas é certo que costuma apontar todas as fichas para a “Grandíssima”. Já não tem a ponta final de outros tempos no entanto continua a ser um corredor rápido, ele que já venceu várias etapas e classificações por pontos.

Gonçalo Amado evoluiu muito em 2021 e será um apoio fundamental na montanha, tal como o experiente Bruno Silva, Venceslau Fernandes e António Ferreira. Fábio Oliveira será o braço direito do sempre regular Rafael Silva, um corredor muito consistente mas que raramente vence.




Kelly/Simoldes/UDO

Um ano após o brilharete onde venceu uma etapa e a classificação por pontos, Luís Gomes parte com mais responsabilidade, ele que este ano já venceu a Taça de Portugal. Um dos melhores puncheurs do pelotão nacional, terá várias oportunidades para brilhar. Nunca podemos descartar Henrique Casimiro de um bom lugar na geral final, o alentejano já o conseguiu antes. Para a juventude, Pedro Miguel Lopes é um sério candidato, sem nunca esquecer José Sousa e Hélder Gonçalves.

César Fonte será o capitão na estrada, ainda continua a ser muito fiável em etapas de média montanha, a ponta final ainda lá está. Poderá ser muito importante para jogadas táticas. Por fim, foi contratado o colombiano Adrian Bustamante, ciclista de 23 anos, com resultados interessantes no panorama local e campeão sub-23 de contra-relógio em 2020.

 

Rádio Popular Boavista

Os axadrezados são uma das três equipas totalmente portuguesas à partida para a Volta a Portugal. João Benta tem sido um dos mais regulares da prova nas últimas edições, finalizou os últimos 3 anos entre o 5º e o 7º lugar. Muito fiável, o ciclista de 34 anos gosta de um percurso duro. Luís Fernandes será um apoio importante, aparece sempre bem nesta altura do ano. Os jovens Gonçalo Carvalho e Hugo Nunes são bons trepadores, muito combativos, a equipa de José Santos costuma estar sempre em muitas fugas, estes corredores devem ser duas setas apontadas.

Tiago Machado dará muita experiência à equipa, conhece as estradas de olhos fechados, e será importante em todo o tipo de terreno. Por outro lado, Afonso Silva estreia-se nestas andanças, um ciclista muito talentoso. O regular Daniel Freitas será a lança para as chegadas rápidas, ele que gosta de alguma dureza.

 

LA Alumínios /LA Sport

1 das 3 formações que alinham somente com ciclistas portugueses e a 2ª equipa mais jovem em competição. Globalmente não vêm com ambições de lutar pela classificação geral e vão tentar surpreender numa ou outra etapa através de uma fuga. Poderão também ambicionar a classificação da juventude, uma camisola que já conquistaram no passado com Emanuel Duarte, cremos que apenas 22 ciclistas entram para essa classificação (nascidos em 1999 ou antes) e a equipa tem Miguel Salgueiro (um bom finalizador em grupos reduzidos) e João Macedo e João Medeiros (ambos bons trepadores) que se encaixam nesse parâmetro. O problema nesse caso pode-se chamar Abner Gonzalez …

 




Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel

Um ano após o pódio conseguido com o antigo pupilo Frederico Figueiredo, Vidal Fitas vai atacar a Volta a Portugal com o duo galego mais conhecido do pelotão nacional. Alguns anos depois, Gustavo Veloso e Alejandro Marque voltam a unir-se para tentarem vencer, novamente, a prova. Já muito veteranos, o percurso muito montanhoso não são boas notícias para os espanhóis no entanto nunca os podemos descartar, principalmente Veloso, ainda no ano passado deu mostras da sua valia.

Emanuel Duarte, vencedor da juventude em 2019, e o sempre fiável David Livramento serão os principais apoios quando a estrada inclinar. Aleksandr Grigorev é um corredor muito completo, adapta-se a todo o tipo de terreno. Alvaro Trueba e Samuel Blanco serão as ajudas nas partes mais planas.

 

SwiftCarbon Pro Cycling

Uma equipa bastante débil e com nomes relativamente desconhecidos. Alex Peters (que já correu na Ineos) e Ross Lamb (com alguns resultados em clássicas belgas são os mais conhecidos. A maior oportunidade para eles deve surgir logo no prólogo, alguns britânicos têm experiência de pista.

 

 

Foto: FPC




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