Antevisão do Tour of the Alps (ex-Giro del Trentino)

Durante a semana das Ardenas também é tempo para os voltistas testarem a sua condição física, por uma última vez, antes do Giro. Todos os anos costuma haver muita indefinição e espetáculo, algo que também esperamos que venha a acontecer em 2021.

 

Percurso

Etapa 1

Tendo em conta o que espera os ciclistas ao longo da semana, a prova abre com a tirada mais fácil. Apenas 140 quilómetros, sendo que depois de um início mais complicado as decisões ficarão guardadas para a subida de Axams (3.5 kms a 6%) a ser ultrapassada por 2 vezes, a 35 e 18 quilómetros da chegada a Innsburck. O final é plano e poderá favorecer reagrupamentos.




Etapa 2

O grau de dificuldade continua a aumentar e ao 2º dia aparece montanha mais séria. Ainda em solo austríaco, e em mais uma etapa bastante curta, o pelotão terá pela frente Gachenblick (9.1 kms a 6%) e Kaunergrat (7.5 kms a 9,3%).

Esta última subida é bastante complicada, tem o seu término a 22 quilómetros do fim e depois existe uma longa descida de 10 quilómetros que deixa os corredores na ascensão final para Feichten im Kaunertal (11.1 kms a 3,8%), uma subida longa mas nada dura.

 

Etapa 3

Já em Itália, mais um dia complicado de controlar, com bastantes subidas mas, novamente, as mais longas e complicadas longe da meta. A abrir o Puschlin (16,5 kms a 5,1%), seguindo-se o Passo Resia (16.3 kms a 3,2%) e o Maso Albergard (9.5 km a 6,8%). A subida de Tarres (4 kms a 5,2%) aparece a 18 quilómetros do fim e poderá ser o palco dos ataques decisivos em mais uma jornada que se pode decidir ao sprint em grupo restrito.

 

Etapa 4

A alta montanha está de regresso na 4ª etapa com três subidas muito complicadas. O Passo Castrin (22,5 kms a 5,6%) e o Passo Campo Carlo Magno (14,5 kms a 6,3%) são escaladas muito longas que servirão para começar a desgastar os diversos blocos.

Ainda longe da meta não deverão ser palco de ataques que deverão ficar reservados para o Altopiano di Boniprati (8.1 kms a 8,5% mas com uma segunda metade nunca abaixo dos 10%). A subida termina a 9 quilómetros do fim, sendo que depois tudo será muito rápido com 1000 metros planos e 8000 metros em descida até à meta em Pieve di Bono.




Etapa 5

A prova não poderia terminar sem mais um festival de montanha, numa nova etapa de apenas 120 quilómetros. O Passo Duron (6.1 kms a 7,6%) aparece ainda na primeira metade e antecede uma dupla passagem pela subida ao Lago di Tenno (9.3 kms a 5,5%), a última delas a 11 quilómetros da chegada.

 

Tácticas

Esta é uma corrida conhecida pelas belas paisagens e pelo ciclismo ofensivo que muitas vezes vemos. É encarada como uma corrida de preparação para o Giro, a larga maioria dos ciclistas corre sem pressão, o que incentiva aos ataques de longe, com as principais figuras a testarem as pernas.

Em termos de blocos não parece haver um dominador, talvez a INEOS Grenadiers seja a formação que tenha mais opções para ganhar a geral. Apesar disso também a Astana, a Bike Exchange e a Team DSM parecem ter equipas muito bem estruturadas, no caso da Team DSM mais de metade deste alinhamento vai ao Giro.

 

Favoritos

Aleksandr Vlasov não está a ter uma temporada por aí além, o 2º posto no Paris-Nice veio da consistência do russo. A Astana precisa urgentemente de resultados e Vlasov é uma das grandes esperanças da equipa, ainda para mais com o Giro aí à porta.



Pello Bilbao é um corredor que adora esta corrida, já venceu uma etapa aqui em 2018 e também ele está a preparar o Giro. Beneficia do facto de estar numa formação que está somente focada nele e tem muito a ganhar com as jornadas de média montanha, visto que desce bem e tem uma boa ponta final. 6º na Volta ao País Basco, a forma está a melhorar.

 

Outsiders

Campeão em título desta corrida, esta é uma excelente oportunidade para Pavel Sivakov se impor antes de um dos grandes objectivos do ano. Até agora esteve sempre no papel de gregário, também o fez no Tirreno-Adriatico, onde já deu boas indicações.

Não sabemos muito bem o que esperar de Simon Yates. O britânico esteve incrível em Prato di Tivo, o único capaz de ameaçar o domínio de Tadej Pogacar, e depois na Volta a Catalunha esteve claramente abaixo das expectativas. Yates tem tendência para não andar muito bem nestas corridas menores, dos 20 triunfos que tem na carreira apenas 1 foi conquistado em corridas deste género. É aquele corredor que faz 1º ou 15º.



Hugh Carthy tem vindo a subir paulatinamente de forma, o britânico costuma precisar de alguma competição antes de atingir o seu melhor nível. Gosta de atacar de longe e tem aqui mais uma oportunidade para isso, a correr completamente sem pressão é um puro trepador que pode dar espectáculo.

 

Possíveis surpresas

A Ineos Grenadiers vem com mais 2 excelentes opções, sendo que o mais provável é que a alternativa a Sivakov seja Daniel Martinez, que tão bem esteve com Adam Yates no UAE Tour, um ciclista que também é explosivo e desce bem. Nairo Quintana é um dos poucos grandes nomes a correr aqui sem estar a pensar no Giro, será isso bom ou mau? O colombiano tem de mostrar resultados, falhou o top 10 no Tirreno-Adriatico e na Volta a Catalunha. Romain Bardet continua aqui a sua sólida preparação para o Giro, foi consistente no Tirreno-Adriatico, acabando em 8º, o pico de forma deve estar a surgir. Se quer estar na luta pelo Giro Thibaut Pinot tem de mostrar mais do que fez até agora em 2021, será que o falhanço no Tour de 2020 foi demais psicologicamente para Pinot? Tendo em conta que Felix Grossschartner não é um puro trepador, a Bora-Hansgrohe deve apostar em Matteo Fabbro, que esteve enorme no Tirreno-Adriatico ao finalizar em 5º, 2021 pode ser o ano de afirmação para o jovem italiano que joga em casa. Gianluca Brambilla tem estado bastante bem nesta época, tem aqui uma chance preciosa de liderar a Trek-Segafredo e beneficia do facto de não ter propriamente o ciclista mais marcado pela concorrência. Esta corrida também costuma agradar a Domenico Pozzovivo, o experiente transalpino ganhou-a em 2012 e a Qhubeka Assos está globalmente a andar bem. A Israel Start-Up Nation vem para Itália com tudo, mas nem Ben Hermans, nem Chris Froome, nem Dan Martin parecem em grande forma, veremos o que o irlandês conseguirá fazer.



 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são Jai Hindley e Geoffrey Bouchard.

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