Em declarações exclusivas ao Camisola Amarela, os dez diretores desportivos das equipas continentais portuguesas presentes na Volta a Portugal fazem o balanço da participação na prova. Entre vitórias, pódios, lugares na geral, fugas e objetivos por cumprir, há também espaço para uma reflexão sobre uma edição marcada por momentos de grande emoção.
Anicolor / Campicarn
Ruben Pereira – “Todas as vitórias são boas, cada uma é especial à sua maneira. Cada uma tem um significado especial e temos que saber aproveitar os momentos. Não se pode ganhar sempre. É algo que nós não podemos garantir que vamos ganhar sempre. E, acima de tudo, acho que é importante mantermos sempre aquilo que é o espírito do grupo. Há anos que podemos ganhar, outros que não, mas que a equipa se mantenha é o mais importante. Este triunfo é de todos os patrocinadores.
Só depois de cortar aqui o risco de meta, na Avenida dos Aliados, é que considerei a Volta a Portugal ganha. Recordo sempre este momento. Em 2021, perdi a Volta no último dia, com a queda de Maurício Moreira e foi por 10 segundos. Quando isso acontece, acho que temos que estar preparados para tudo. E eu fui a primeira pessoa a manter a calma e os ânimos calmos, porque vivi aquele dia e sei que foi um dos dias mais difíceis enquanto diretor desportivo. Foi uma aprendizagem.
Infelizmente, teria o melhor balanço possível para dar. Não me posso esquecer do Finlay Tarling. Foi um dia triste para o ciclismo mundial, um dia que marcou esta Volta, querendo ou não querendo. Hoje não podemos chamar um dia de festa, porque não é um dia de festa. É um dia de celebração e memória pelo Finlay. Mas, tirando esse episódio muito triste e dramático que abalou o ciclismo, o balanço foi positivo e há que dar os parabéns ao Ezequiel Mosquera.”
Aviludo – Louletano – Loulé
Américo Silva – “É um balanço positivo em termos de rendimento e empenho. Fizemos de tudo para atingir o objetivo, que era vencer uma etapa. Logicamente quando se chega ao último dia e só dependemos de uma etapa, torna-se mais complicado, ainda por cima uma etapa que andou muito rápido mas onde tudo fizemos para tentar ganhar.
No universo de 11 etapas que fizemos, houve outras onde tivemos bem, como a chegada a Elvas, a chegada a Sintra e não sabemos o que poderia ter acontecido na chegada a Fafe. Quando falhas uma e falhas outra, depois começa a ser complicado chegar ao objetivo e nesse aspeto sentimo-nos um pouco frustrados.
Trabalhámos bem e fizemos tudo para vencer mas os adversários foram mais fortes. No ano passado ganhamos duas etapas, há dois anos também. Há anos melhores e outros menos bons. Este ano foi um ano menos conseguido, não em termos de rendimento e empenho mas em termos de vitórias.”
Credibom / LA Alumínios / Marcos Car
Hernâni Brôco – “O balanço é positivo, acho que a equipa esteve bastante bem. Pusemos a fasquia alta, queríamos superar ou igualar o que foi feito no ano passado, especialmente com uma vitória em etapa, mas devido à qualidade e à maneira como a corrida se desenrolou foi bastante difícil.
O João Martins e o Diogo Narciso não conseguiram estar nos sprints finais. Também foram chegadas um pouco atípicas, não foram sprints massivos. Tivemos o de Elvas, marcado por uma queda, e o de Albufeira, talvez o único onde podemos dizer que foi massivo.
Relativamente à geral, depois do que o Emanuel Duarte passou na fase inicial da Volta, com aquela queda que o limitou bastante, nunca demonstramos aquilo que ele vinha a passar mas penso que se superou, e muito. Esteve sempre com os da frente. Aspirávamos o 5º lugar, acabou em 8º, igualando o ano passado. A equipa esteve bastante bem, é um grupo no qual eu confio muito, foi o grupo que eu escolhi e acho que tanto os atletas como o staff estão todos de parabéns.”
Efapel Cycling
José Azevedo – “Partimos para a corrida com o objetivo de tentar vencer a Volta a Portugal. Quando não se vence espera-se que a seguir seja pódio. Não foi, o Tiago Antunes foi 6º. Deu o seu máximo assim como toda a equipa.
Quando se dá o nosso melhor e se consegue aquela classificação, não há nada a dizer. Tenho que dar os parabéns ao Tiago pela Volta a Portugal que fez. A equipa mostra que tem ambição. Ainda hoje assumimos as nossas prestações. Houve corredores mais fortes que nós, não há nada a comentar.”
Feira dos Sofás – Boavista
André Cardoso – “O balanço é muito positivo. Só tenho de estar orgulhoso do grupo que construímos, um grupo de jovens. Temos ciclistas que fizeram a primeira Volta a Portugal, como era o caso do Óscar Rota, que hohe chega aqui e está no pódio final como super combativo.
Ver esta moldura humana é o que nos faz sonhar e crescer como atletas, ambicionar muito mais do que aquilo que já fizemos até ao dia de hoje. Recordo-me de que, quando comecei, a minha ambição passava por fazer a Volta a Portugal. Depois de a fazer, querer discuti-la quando há condições e, depois disso, ir para fora. Acho que é assim que um percurso desportivo se vai fazendo.
Em relação à nossa equipa, acho que foi muito positivo. Estivemos ao mais alto nível, fomos protagonistas todos os dias com homens no pódio. Discutimos etapas e tentamos ganhar uma, foi o que faltou como cereja no topo do bolo. Contudo colocámos o Pedro Silva no pódio final. É 3º da geral e o melhor português. Para todos os efeitos fomos a 2ª melhor equipa e, para mim, a melhor equipa em termos de protagonismo.”
Feirense – Beeceler
Joaquim Andrade – “O resultado não era aquilo que nós ambicionávamos, queríamos muito mais. As coisas não saíram como nós queríamos. O Abner González estava numa boa posição, penso que hoje poderia estar na discussão da etapa e iria terminar em 11º da geral mas infelizmente até isso nos foi tirado.
Ele caiu e está agora no hospital. Está relativamente bem, apenas com suspeita de fratura de costelas. Vamos levantar a cabeça e seguir em frente. O resultado não era o que queríamos, mas estou satisfeito com o empenho da maioria dos corredores da equipa.”
GI Group Holding – Simoldes – UDO
Manuel Correia – “De 0 a 10, daria 10 aos rapazes. Foram inexcedíveis. Cumpriram na íntegra o plano. É lógico que tudo nos saiu bem, felizmente. Também durante o ano tivemos alguns infortúnios, mas acho que aquilo que planeámos, nomeadamente na primeira parte da Volta a Portugal, foi colocar ciclistas mais jovens nas fugas, porque sabíamos que na segunda semana não iriam ter capacidade para lá estar.
Tínhamos definido que havia três etapas que iriam definir tudo na geral: Serra da Estrela, Gerês e Senhora da Graça. No contrarrelógio sabíamos que o José Neves se defendia bem e, depois de tudo o que fizemos, que foi excelente, acho que o José merecia o pódio. Era mais do que justo por aquilo que fez. Acho que o Zé, com mais alguma calma e naturalidade, o teria conseguido com facilidade, mas é ótimo. Fizemos quarto na geral e segundo por equipas. Nem nos nossos melhores prognósticos estava isto.
Queríamos lutar por um lugar no pódio por equipas, já tínhamos feito duas vezes quarto, mas fazer segundo e estar na discussão era quase impensável, olhando para os plantéis das outras equipas. Estamos todos muito felizes, mas acho que isso tudo se deve a eles e não a mim.”
Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua
Gustavo César Veloso – “Foi um balanço muito positivo para nós. Só cinco equipas venceram na Volta a Portugal e nós somos uma delas. Penso que, quando trabalhamos e continuamos focados no nosso objetivo, que são as chegadas ao sprint, de uma das três oportunidades que havia conseguimos vencer. Por um lado, isso retirou toda a pressão e responsabilidade logo no início.
Depois, temos o nosso jovem, o Rafael Barbas, que faz segundo na juventude atrás do Pericas, alguém que esteve na discussão da Volta a Portugal e está numa equipa WorldTour.Penso que é uma leitura muito positiva ter o segundo melhor jovem da Volta. Fizemos top-10 na Torre e no Gerês.
A equipa mostrou sempre presença na corrida e ainda hoje estivemos na fuga. Com o nível das equipas que aqui estão, temos de estar contentes com o desempenho da equipa.”
Team Tavira – Crédito Agrícola
Vidal Fitas – “Um balanço positivo. A equipa conseguiu ganhar uma etapa com o Francisco Campos e estar nos 10 primeiros com o Diogo Barbosa no 10º lugar.
Conseguimos ser protagonistas em praticamente todas as etapas da Volta a Portugal, o que é bastante bom e positivo.”
Óbidos Cycling Team

Micael Isidoro – “O balanço é positivo, tendo em conta as limitações que tivemos com os azares. O Ruben Sanchez poderia ter algumas pretensões a sprintar, mas caiu e ficou muito magoado nas costas. O Gonçalo Rodrigues caiu já dentro do último quilómetro em Elvas e teve que desistir com uma luxação no ombro. Seria alguém que nos poderia ser útil.
Depois restou-nos a equipa que tínhamos. Dentro daquilo que poderíamos fazer, procurámos sempre as nossas oportunidades, fazer o nosso melhor, tendo em conta que o nível é muito alto e todos querem o mesmo: ser competitivos e estar na frente.
Para este primeiro ano, apostando em jovens e levando o projeto com calma, conseguimos sair da Volta a Portugal com uma boa imagem e com a ambição clara de olhar para o futuro e perceber onde podemos melhorar.”